Nó em pingo d'água
I. Ana Elisa Gonçalves apresenta, na primeira exposição individual que a artista realiza na ArteFASAM Galeria de Belo Horizonte, as pinturas da série Nó dado. A série é fruto de uma pesquisa historiográfica que a artista realiza interrogando tanto os próprios arquivos familiares, quanto a escassa bibliografia que existe sobre o processo da incursão das mulheres na capoeira. O recorte da sua pesquisa é, no entanto, segundo a própria Elisa, a “prática física da capoeiragem”, ou seja, a ela interessa a presença da mulher não no coro, mas no jogo. III. Ana Elisa dedica à sua mãe, muito devota de Nossa Senhora Aparecida, algumas das decisões pictóricas assumidas na série Nó dado. Proclamada, por sua vez, Rainha e Padroeira do Brasil em 16 de julho de 1930 (data que curiosamente completará exatos 93 anos, dias depois da inauguração de “Nó em pingo d’água), Nossa Senhora Aparecida – “vestida de Sol” –, tem como emblema o dourado de sua coroa e dos ornamentos de seu manto, fato que levou a artista a optar, dentre as possibilidades de cores do chitão, tecido comumente encontrado em manifestações tradicionais brasileiras frequentadas por Elisa, pelo amarelo, homenageando assim a fé de sua família. Adotar o amarelo e o dourado em meio a pesquisa em curso que a artista empreende não nos parece, portanto, se encerrar no gesto de ecoar a fé familiar pois também se desdobra em algo próximo talvez daquilo que foi chamado pelo artista Maxwell Alexandre de “vaidade preta” enquanto um modo de se apropriar de símbolos – no caso de Maxwell, os cabelo loiros, e no caso de Elisa, o amarelo e o dourado – se posicionando assim contra as hierarquias despóticas que arbitrária e violentamente estabeleceram que tais símbolos seriam acessíveis apenas a alguns. Marina Câmara

Endereço
Rua Rodrigues Caldas, ArteFASAM Belo Horizonte
Belo Horizonte, Brasil - Brasil


















