A eternidade por uma noite
A eternidade por uma noite curadoria Anelise Valls A exposição parte da noite como um território de suspensão das normas e ampliação da experiência sensível. Se a eternidade costuma ser pensada como promessa de permanência, A Eternidade por uma Noite propõe outra possibilidade: trocar o ideal do infinito pela intensidade de um intervalo. Nas pinturas de Felipe Ferreira, a noite não aparece como ausência de luz, mas como condição para que outras formas de percepção emerjam. As obras não procuram fixar o mundo, mas habitar aquilo que é transitório: encontros, presenças, gestos, clarões e caminhos que existem apenas enquanto são atravessados. A escolha da juta como suporte reforça essa dimensão. Sua textura remete à matéria orgânica, ao chão, à floresta e àquilo que permanece vivo mesmo quando marcado pelo tempo. A pintura não encobre completamente essa superfície; ao contrário, dialoga com ela, permitindo que a materialidade participe da construção da imagem. O ponto de partida é compreender a noite como um tempo de abertura. Quando o cotidiano desacelera e as regras que organizam a vida diurna parecem perder força, torna-se possível experimentar outras formas de relação com o espaço, com a memória e com a natureza. Os títulos das obras evocam lembranças, atmosferas e sensações — Não se precisa de lanterna quando se tem a lua, Cheiro de mato e água gelada, Sob a luz da memória, Se desfazer em luz. Mais do que descrever paisagens, eles sugerem experiências vividas, nas quais a luz deixa de ser apenas um fenômeno óptico para tornar-se umuma condição do encontro com a paisagem.

Endereço
Rua Brigadeiro Galvão, FASAM Galeria SP
São Paulo, Brasil - Brasil


















