Tamanduá em queda

Depois de expor na galeria em 2019 um conjunto de telas produzido no período entre 1978 e 1986, que demarca o momento pelo qual o Zilio opta pela pintura como suporte principal, o artista traz nesta individual telas inéditas em grandes, médias e pequenas dimensões, concebidas entre 2019 e 2021, com figuras de tamanduá que sublinham vínculos afetivos. <br><br> As 17 obras (óleo e técnica mista sobre tela) reunidas remetem à relação do pai de Zilio, ainda criança, com o animal que se tornara seu bicho de estimação, quando morava numa pequena cidade do Rio Grande do Sul, no início do século XX. Em certa ocasião, ele teve de viajar e o tamanduá mirim, irrequieto com sua ausência, parou de comer. Como era de costume do animal, ao descer a escada pelo corrimão, enfraquecido, acabou batendo o focinho e morreu. <br><br> Desde que seu pai faleceu em 1986 esta narrativa surge no trabalho de Zilio e o tamanduá aparece em algumas pinturas da época para retornar com ênfase a partir de 2006. “A falta do meu pai e a vivência do luto se expressavam na nostalgia de uma proximidade com a natureza que a civilização perdera”, diz o artista. Ao dar o título da exposição Tamanduá em queda, Zilio cita o pensamento de Walter Benjamin sobre um quadro de Klee intitulado Angelus Novus: “representa um anjo que parece preparar-se para se afastar de qualquer coisa que olha fixamente. Tem os olhos esbugalhados, a boca escancarada e as asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto."

Endereço

São Paulo

Rua Fidalga, 125, Galeria Raquel Arnaud

São Paulo, Brasil - Brasil

Artistas

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