Rubros, Pálidos e Lívidos

Uma exposição não é um mero amontoado de obras reunidas a bel sabor. É uma escrita. Feita através de símbolos. De signos que constroem um texto. Que não se quer perder ou deixar trancado na experiência pessoal, isolado do resto do mundo. Não é para serem guardados a sete chaves na mente de quem os gera. Não é só matéria mental volátil que não se fixa em lugar algum, não se inscrevendo no tempo e espaço coletivo, social. Querem interagir com outros feitos. Sair. Circular. Interagir. Aspiram assim a serem linguagem. Para se comunicarem. Entre si e com os demais interessados. Agregados. Aqui, no Rubro, estas esculturas, guardando um espaço pensado entre elas, se relacionam a fim de criar um campo atuante. Campo que imprime um desenho no espaço da parede e do ar. Desenhos não materializados no aço, mas que insistem em manter a mesma presença estética daquilo que ocorre na matéria metálica conformada. Aço. Visível e tangível. O não corpóreo, invisível, sem toque sensorial, é preenchido de espaço/ar. Pleno de campos de força sobre ele atuantes. De ondas luminosas, luz artificial ou solar. Não importa. Nestes espaços entre os corpos escultóricos moram as ondas luminosas e as forças da gravidade que, mais livres, circulam numa horizontalidade que joga com a verticalidade de algumas pontas de aço. Estas, as pontas, descrevem um percurso, ora seguido pelo resto da chapa que as molda, ora não. Enquanto isto, no chão, descansam as LÍVIDAS, meros papéis cortados em aço, brancas; claros volumes que tentam emergir do solo. Aparecem como variações volumétricas a partir de 3 recortes iniciais, surgidos de 2 a 3 riscos em cada folha de papel inaugural: matrizes da forma a surgir. Estendidos no piso da galeria, recostando seus volumes que acenam à planaridade da forma inicial, eles se aglomeram no centro do espaço, abaixo da linha dos olhos que captam as obras instaladas na parede. Estas, por sua vez, permitem o confronto entre obras e espectador que, ombreando com a população escultórica existente na alvenaria, baixa seu olhar e o leva a se deparar com os moldes rígidos daquilo que foram um dia: papéis que aceitaram o gesto da artista, seus tensores transparentes e sua volumetria insípida. Neste deslocamento do olhar do alto ao chão e na absorção da horizontalidade escultórica concedida pela arquitetura, impregnada pela contundência do RUBRO, LÍVIDO e PÁLIDO – este instalado sozinho na larga parede em frente –, encontra-se o mistério ou a questão desta OBRA RUBRA .

Endereço

São Paulo

Rua Fidalga, 125, Galeria Raquel Arnaud

São Paulo, Brasil - Brasil

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