Melhores do ano: confira as exposições mais votadas de 2025

Mais de 8.500 votos depois, em uma enquete aberta ao público em novembro, reunimos as dez exposições do ano. Abaixo, é possível conferir o resultado — com direito a um bônus. Vale lembrar que a lista contempla exclusivamente exposições de instituições culturais brasileiras abertas neste ano.
Quem levou o primeiro lugar foi a artista conceitual Ana Amorim, com uma exposição no MAC USP. Em segundo, ficou Goya Lopes, que abriu caminhos na estamparia afro-brasileira e ganhou uma ampla mostra no MAM Bahia. Em terceiro, uma mostra coletiva em Salvador, “Floresta de espíritos”, que abordou como podemos usar as lentes da ancestralidade e da espiritualidade para encarar os desafios contemporâneos. Em quarto, a primeira mostra de Thiago Martins de Melo em São Luís, sua cidade natal, chamada “Cosmogonia colérica”. Em quinto, a mostra do impressionista Claude Monet no Masp, que bateu o recorde de visitação e se tornou a mostra mais vista da história do museu com 502.642 pessoas.
Destaque para “Memórias do inconsciente”, do artista Jhonyson Nobre, no Sesc Arapiraca, em Alagoas, que ficou em oitavo lugar. Esta foi a única mostra fora da lista inicial a figurar no ranking das 10 primeiras. E, de bônus, Maria Bonomi no Paço Imperial, a mais votada segundo os comentários abertos do público.
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"Mapas mentais", de Ana Amorim, no MAC USP. © Filipe Berndt
1º lugar
Mapas mentais
Curadoria de Jacopo Crivelli Visconti
05 de julho a 05 de outubro de 2025
Mais de 30 anos separam a primeira exposição de Ana Amorim (Galeria Superfície) no Brasil, nos anos 1990, e a maior mostra já realizada sobre a artista, neste ano, ambas no MAC USP. As cerca de 70 obras apresentaram o rigor com que a artista conceitual traduz o seu dia a dia e o transforma em obras de arte. A exposição também marcou a “volta” da artista ao circuito artístico, já que, por anos, Amorim escolheu não submeter o seu trabalho às práticas do mercado.
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Exposição "Okòtò: Espiral da evolução", de Goya Lopes, no MAM Bahia. © Divulgação
2º lugar
Okòtò: Espiral da evolução
Curadoria de Marcelo Campos e Daniel Rangel
09 de abril a 10 de agosto de 2025
Com mais de 50 anos de carreira, Goya Lopes (Paulo Darzé Galeria) tem um papel importante na valorização e divulgação da estética afro-brasileira por meio da arte e da moda. Em iorubá, o termo okòtò simboliza a ideia de um movimento contínuo entre o passado, presente e futuro. Foi essa perspectiva que guiou a narrativa da mostra ao apresentar o repertório da artista e sua influência no imaginário cultural por meio de pinturas, gravuras, estampas, vestuários e acessórios.
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Exposição coletiva "Floresta de infinitos", na Casa das Histórias de Salvador. © Gabriel Martins
3º lugar
Floresta de infinitos
Casa das Histórias de Salvador - Salvador
Curadoria de Ayrson Heráclito, Marcelo Campos, Thais Darzé e Tiganá Santana
01 de novembro de 2025 a 31 de julho de 2026
A exposição é inspirada na instalação homônima criada por Ayrson Heráclito e Tiganá Santana para a 35ª Bienal de São Paulo, em 2023, também presente nesta mostra. A instalação honra os guardiões humanos e não humanos da floresta: entidades africanas, afro-brasileiras e indígenas. Na mostra, esse conceito é expandido e o público é convidado a pensar as urgências ambientais e os ataques aos povos originários com as lentes da ancestralidade e da espiritualidade.
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Exposição "Cosmogonia colérica", de Thiago Martins de Melo, no Convento das Mercês e Chão SLZ. © Estúdio em Obra
4º lugar
Cosmogonia colérica
Convento das Mercês e Chão SLZ - São Luís
Curadoria de Germano Dushá
12 de agosto a 10 de outubro de 2025
Primeira exposição de Thiago Martins de Melo (Almeida & Dale e Lima Galeria) na cidade onde nasceu e cresceu, “Cosmogonia colérica” reuniu obras produzidas pelo artista nos últimos dez anos. Ao mesclar símbolos políticos, históricos, filosóficos, religiosos e místicos em cores quentes, Thiago criou um repertório reconhecível, marcado por pinturas tridimensionais em grandes dimensões. A exposição também apresentou esculturas, gravuras, vídeos e instalações.
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Exposição "A ecologia de Monet", no Masp. © Eduardo Ortega
5º lugar
A ecologia de Monet
Curadoria de Adriano Pedrosa, Fernando Oliva e assistência de Isabela Ferreira Loures
16 de maio a 06 de setembro de 2025
Mostra mais vista da história do museu, com 502.642 visitantes, "A ecologia de Monet" propôs uma leitura contemporânea das obras de Monet em relação às transformações da paisagem. Dividida em cinco núcleos, a mostra reuniu 32 pinturas do impressionista francês, muitas delas inéditas no Hemisfério Sul. “A exposição refletiu uma relação complexa do pintor com a paisagem natural e o meio ambiente. Em suas pinturas coexistem um elogio ao meio ambiente e uma tentativa de organizá-lo, de contê-lo”, afirmou o curador Fernando Oliva.
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Exposição "Luiz Braga - Arquipélago Imaginário", no IMS. © Julia Thompson
6º lugar
Luiz Braga - Arquipélago imaginário
Curadoria de Bitu Cassundé e assistência de Maria Luiza Meneses
12 de abril a 07 de setembro de 2025
A mostra reuniu mais de 250 fotografias, sendo 190 inéditas. Mesmo sem caráter retrospectivo, a exposição contemplou imagens feitas ao longo dos 50 anos de carreira de Luiz Braga (Galeria Leme). A mostra e a expografia ressaltaram a intimidade, o ordinário e o gesto de “espiar” presentes na obra de Braga. Suas fotografias, divididas em núcleos, como “Territórios e pertencimentos – o Norte” e “O Marajó”, ajudam a entender como ele construiu um léxico de cores e paisagens associado à sua terra natal, o Pará.
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Obra de Nádia Taquary na 36ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan
7º lugar
36ª Bienal de São Paulo - Nem todo viandante anda estradas
Pavilhão da Bienal e Casa do Povo - São Paulo
Curadoria geral de Bonaventure Soh Bejeng Ndikung e cocuradoria de Alya Sebti, Anna Roberta Goetz e Thiago de Paula Souza. Cocuradora at large Keyna Eleison e consultora de comunicação e estratégia Henriette Gallus
06 de setembro de 2025 a 11 de janeiro de 2026
Com título extraído de um poema da escritora Conceição Evaristo, a bienal deste ano “convidou artistas para pensar sobre a humanidade como um verbo”, segundo o curador geral Bonaventure Soh Bejeng Ndikung. Três “pontos de entrada” convidam o público a pensar tópicos como a necessidade de viver o presente, a relação com o outro (humanos e não humanos) e o peso histórico do capitalismo e das estruturas de poder. Na lista de artistas brasileiros, estão nomes como Antonio Társis, Marlene Almeida, Manauara Clandestina, Rebeca Carapiá e Juliana dos Santos.
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Exposição "Memórias do inconsciente", de Jhonyson Nobre, no Sesc Arapiraca. © Divulgação
8º lugar
Memórias do inconsciente
Curadoria de Hildênia Oliveira
11 de setembro a 18 de dezembro de 2025
A exposição é fruto de um projeto desenvolvido por Jhonyson Nobre desde 2023. Nele, o artista investiga o que é ser negro no Brasil entrelaçando memórias pessoais a experiências coletivas para discutir temas como racismo, colorismo e miscigenação. Além do uso prevalente da cor azul, ele também utiliza cenas e objetos do cotidiano, como aniversários e casamentos, cadeiras e crochê em esculturas, instalações e pinturas.
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Exposição coletiva "Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70", na Pina Contemporânea. © Beto Assem
9º lugar
Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70
Pina Contemporânea - São Paulo
Curadoria de Pollyana Quintella e Yuri Quevedo
31 de maio a 05 de outubro
Principal mostra do ano na programação da Pinacoteca, “Pop Brasil” contou com 250 obras de mais de 100 artistas e foi dividida em núcleos que remontam aos grandes acontecimentos no período, marcado por transformações sociais. Foram abordados assuntos como a formação da indústria cultural do Brasil e a revolução sexual em trabalhos de artistas como Nelson Leirner, Carmela Gross e Wanda Pimentel.
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2ª Bienal das Amazônias. © Ana Dias
10º lugar
Bienal das Amazônias
Centro Cultural Bienal das Amazônias - Belém
Curadoria de Manuela Moscoso. Curadora adjunta Sara Garzón, Co-curador do programa público Jean da Silva e curadora pedagógica Mônica Amieva
27 de agosto a 30 de novembro de 2025
Para a 2ª edição da Bienal das Amazônias, a equipe curatorial reuniu 74 artistas e coletivos de oito países da Pan-Amazônia e do Caribe. O mote foi a escuta do território para apresentar a Amazônia como fluxo contínuo de vozes, ritmos, afetos e resistências. O conceito, “verde-distância”, veio do romance “Verde Vagomundo”, do jornalista e escritor paraense Benedicto Monteiro. Do Brasil, estiveram presentes nomes como Jaider Esbell, Joseca Yanomami e Silvana Mendes.
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Exposição "A arte de amar, a arte de resistir", de Maria Bonomi, no Paço Imperial. © Romulo Fialdini
Bônus: mais votada fora da lista
A arte de amar, a arte de resistir
Paço Imperial - Rio de Janeiro
Curadoria de Paulo Herkenhoff e Maria Helena Peres Oliveira
06 de setembro a 16 de novembro
A exposição se deu no ano em que Maria Bonomi (Galeria Frente) completou 90 anos e contemplou 75 anos de sua trajetória artística. “Maria Bonomi pensa o mundo por meio da gravura”, escreveram os curadores Paulo Herkenhoff e Maria Helena Peres Oliveira no texto crítica da mostra. As 11 salas que recebem a mostra versam sobre um tema específico, exceto uma, que aborda a relação da artista com a literatura, o teatro, as viagens, as amizades e os afetos.
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Gabriela Valdanha é coordenadora de comunicação da SP-Arte. Jornalista, é mestre em Estudos Culturais pela USP com experiência na área cultural e passagens por Folha de S.Paulo, Masp, Flip e outros.