Frame do vídeo "Há Terra!", de Ana Vaz. Imagem selecionada para a capa da Revista impressa.
Ciclo de leitura

Ciclo de leitura: Editorial

Barbara Mastrobuono
22 abr 2020, 12h28

Dia 1º de abril de 2020 marcaria a data de lançamento da terceira edição da Revista SP-Arte, completando um ano desde o seu lançamento no aniversário de 15 anos da Feira em 2019. Para a nova revista, elegemos trabalhar o conceito de crise, não pelo ângulo de quem a enfrenta agora, mas pelos trabalhos nela instaurados (sejam pessoais, políticas, ambientais). Nossa nova edição, portanto, era um lembrete: crises passam ou se transformam e toda obra produzida durante turbulência, resiste. O título do editorial era O que ficou, de tudo que passamos

Algumas semanas antes da abertura da Feira, encaramos sua suspensão por motivos de saúde pública. Junto a esse acontecimento, veio também a descontinuação de tudo que a acompanha: a revista, a programação paralela, os materiais de apoio, os roteiros educativos… uma série de produções culturais que prendem a respiração para poderem, em breve, emergir em águas mais calmas. E o editorial, escrito em uma época em que “certeza” era uma palavra que ainda tocava o nosso vocabulário, ficou preso nas páginas de uma prova da gráfica, um pequeno retrato da visão esperançosa que nos coube durante o mês de janeiro de 2020.

Agora, optamos por divulgar a revista em sua versão virtual.

Para que isso acontecesse da melhor maneira possível, nossa talentosa equipe de design traduziu as propostas físicas de diagramação para a versão online, recriando a experiência do que é ler esses textos e absorver suas imagens.

Também convidamos os autores e curadores a participarem do Ciclo de Leitura, no qual vamos debater coletivamente os ensaios e recontextualizá-los para o momento vivido. Cada texto será lançado no início da semana em nosso site. No final da mesma semana, por um live no canal de Instagram da SP-Arte, irei me reunir com vocês leitores e com o autor do texto lido para discutir os temas da matéria. Esperamos que, com esse ciclo, possamos nos engajar diretamente com nossa comunidade de leitores, para juntos iniciar um diálogo em torno destes textos e recriarmos novas possibilidades de leitura.

O editorial da revista física terminava assim: “Perigo, dificuldade, revolução, circunstância. Ímpeto. Conceitos que tentam destrinchar aquilo que entendemos por crise à medida que expandimos nosso diálogo acerca do assunto. É importante, por isso, ocasionalmente parar e observar as insígnias de batalhas passadas — lembretes de batalhas travadas por aqueles que nos precederam em nossas lutas, e que permanecem no presente como recados do passado. E assim, seguimos.”

Para este novo editorial, sinto que, além de nos agarrarmos firmes aos recados do passado de que isso também vai passar, talvez precisemos entender nossas ações de agora a partir do que elas serão um dia: nossos próprios recados para o futuro.

Acima: Frame do vídeo "Há Terra!", de Ana Vaz. Imagem selecionada para a capa da Revista impressa.

Confira abaixo a programação completa
do Ciclo de leitura


1º texto

Arte contestação:
a experiência das JACs

Mirtes Marins de Oliveira

 

A autora nos conduz pela história das JACs – Jovem Arte Contemporânea – que ocorreram nos anos 60 e 70, durante o mandato de Walter Zanini como diretor do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), ressaltando como o experimentalismo abriu espaço para repensar o lugar da criação perante a instituição.

Leitura e discussão com a autora
no Instagram Live

Sexta, 01 de maio
das 11h ao meio-dia


2º texto

Confluências emergenciais:
do experimental dos anos 1960-70 à memória viva dos contemporâneos

Diego Matos

 

O curador Diego Matos faz um levantamento de artistas que retomam a temática da ditadura e revivem técnicas de produção utilizadas por artistas da resistência nos anos 60 e 70, resgatando territórios e histórias contra-hegemônicas, assumindo narrativas nas quais estão inscritos os imaginários dos quais podem surgir potencialidades futuras.

Leitura e discussão com o autor
no Instagram Live

Sexta, 08 de maio
das 11h ao meio-dia

 


3º texto

Notas sobre Amrita Sher-Gil e Tshibumba Kanda-Matulu

Maria do Carmo M. P. de Pontes

 

Maria do Carmo M. P. de Pontes escreve sobre crises políticas e pessoais dentro da produção da arte, apontando as obras de Amrita Sher-Gil e Tshibumba Kanda-Matulu – dois artistas que tiveram produções intensas e morreram prematuramente – como resultados sublimes que podem nascer das turbulências. 

Leitura e discussão com a autora
no Instagram Live

Sexta, 15 de maio
das 11h ao meio-dia

 


4º texto

Fazer um vídeo:
livre, branca, 21 anos

Howardena Pindell

 

O texto da artista estadunidense Howardena Pindell relata o processo de criação de seu importante trabalho Free, White and 21. O vídeo é seu primeiro trabalho autobiográfico, e se aprofunda na hereditariedade do racismo vivido primeiro por sua mãe e depois pela artista durante a infância e juventude. Para a conversa, convidamos a curadora Carollina Lauriano. 

Leitura e discussão com a curadora
no Instagram Live

Sexta, 22 de maio
das 11h ao meio-dia

 


5º texto

Uma introdução à ineconomia

Daniel Jablonski

 

O artista e pesquisador Daniel Jablonski especula sobre a atuação do artista como trabalhador da arte e as implicações desse papel para o sistema da arte como um todo. 

Leitura e discussão com a autora
no Instagram Live

Sexta, 29 de maio
das 11h ao meio-dia

 


liki

Barbara Mastrobuono é editora, tradutora e pesquisadora. Trabalhou em casas editoriais como Editora 34 e Cosac Naify, e atuou como coordenadora editorial da Pinacoteca de São Paulo. Entre os títulos que traduziu estão “Tunga, com texto de Catherine Lampert; “Poesia Viva”, de Paulo Bruscky, com texto de Antonio Sergio Bessa; e “Jogos para atores e não autores”, de Augusto Boal. Defendeu sua dissertação de mestrado pelo departamento de Teoria Literária da Universidade de São Paulo, e conta com textos publicados em revistas de conteúdo cultural como a Amarello. Atualmente é editora-chefe da SP-Arte.

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