Um ano do desastre ambiental em Mariana: como a arte nos ajudou a elaborar os fatos

4 nov 2016, 15h03

Um ano atrás acontecia em Mariana o maior desastre ambiental brasileiro. O colapso de duas barragens da mineradora Samarco – controlada pela brasileira Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton – provocou uma enxurrada de lama com metais pesados que se espalhou pela região, levando 17 pessoas à morte e destruindo pelo caminho cidades, espécies animais e vegetais. Nos meses subsequentes, inúmeros artistas foram ao local para retratar, cada um à sua maneira, os rastros da tragédia.

Entre eles estão Cristiano e Pedro Mascaro, pai e filho, que foram convidados pela revista piauí, sete meses após o ocorrido, para uma cobertura fotográfica. “Depois do baque da repercussão e assim que a coisa se sedimentou, a ideia era mostrar como tudo estava, então esse é um trabalho com um pouco mais de reflexão”, conta Cristiano. “Foi meu primeiro trabalho dessa importância. Realizá-lo com meu pai foi mais especial. Foram 15 dias intensos e de múltiplas experiências”, afirma Pedro, que usou um drone para fotos aéreas – dele saíram 975 fotos e 97 vídeos. As imagens estão em exposição no Paço Imperial (RJ) até 20 de novembro, sob o título “A lama: de Mariana ao mar”.

Outros artistas mergulharam na experiência e buscaram chamar atenção para a gravidade do desastre. Durante a SP-Arte/Foto/2016, a Dan Galeria e a Galeria da Gávea exibiram em seus espaços obras de Christian Cravo e Bruno Veiga, respectivamente, expondo as entranhas do episódio.

Além deles, o sul-africano Haroon Gunn-Salie se enveredou pela questão. Misturando arte e ativismo já em seu país, Gunn-Salie montou uma individual para discutir o incidente e suas consequências no Galpão_VB, em São Paulo. O trabalho surgiu da relação que estabeleceu com pessoas diretamente afetadas pelo desastre, após uma incursão pelo local. O projeto foi concebido em colaboração com moradores da região que se recusaram a sair de suas terras. A mostra resultou do 1º Prêmio SP-Arte/Videobrasil, que buscava promover um artista internacional no Brasil, para um diálogo criativo Sul-Sul.

Como de costume, a arte vai nos lembrando de episódios que não podemos esquecer, vai nos mostrando o que nem sempre podemos presenciar e vai construindo conosco nossa história coletiva. Com tinta, lápis, foto ou lama.