SP-Arte e Belas Artes anunciam performances selecionadas para a Feira

24 mar 2016, 18h59

O sucesso da parceria entre a SP-Arte e o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo em 2015 incentivou a ampliação do setor Performance para a SP-Arte/2016. Desta vez, o projeto – que no último ano foi protagonizado por alunos recém-formados da instituição – foi aberto para artistas de todo Brasil.

Os inscritos foram avaliados por uma comissão formada por Cauê Alves, professor e coordenador do curso de Artes Visuais da Belas Artes; Solange Farkas, curadora e diretora da Associação Cultural Videobrasil; e Fernanda Feitosa, diretora e idealizadora da SP-Arte.

No total, foram inscritas mais de 100 performances de todo o Brasil e de países como Colômbia, Dinamarca, Portugal e Austrália. Delas, dez foram selecionadas para apresentações em todos os dias do evento.

Após o encerramento da Feira, os dois melhores trabalhos serão premiados: o primeiro lugar será contemplado com dois meses de residência artística (entre agosto e outubro) no Instituto Sacatar, na Ilha de Itaparica, Bahia; e o segundo lugar receberá uma bolsa de estudos para um curso de pós-graduação no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.

Confira a lista de projetos selecionados:

Resíduos, de Alexandre D’Angeli
Quando: 06 de abril, das 14h às 16h; 10 de abril das 14h às 16h
Uma performance que dá continuidade a pesquisa do artista Alexandre D’Angeli acerca das interações possíveis entre corpo e espaço e seus vestígios/memórias na busca por aproximações sensíveis com a arquitetura e seus equipamentos. O trabalho propõe pensar os vestígios imateriais resultados da ação do homem nas grandes cidades – sobras de seus projetos, investimentos, trocas e afetos.

Como um jabuti matou uma onça e fez uma gaita de um de seus ossos, de Renan Marcondes
Quando: 06 de abril, das 16h30 às 18h30; 07 de abril, das 16h às 18h30
A performance apresenta ao público a imagem de um corpo masculino subjulgado por um objeto: um sapato de salto alto laranja cujo salto é uma estaca de 30 centímetros. Impossibilitado de ficar em pé e ocupar uma posição ereta, masculina e dominadora, esse corpo transita lentamente pelo plano horizontal através de uma coreografia que condensa imagens referentes à uma objetificação da mulher. A partir da transformação do sapato e da sua colocação em um corpo masculino, o trabalho levanta questões referentes a identidade de gênero e ao papel dos objetos nesse processo.

Lúmen, de João Penoni
Quando: 06 de abril, das 19h às 21h; 07 de abril, das 19h às 21h
Fluxo luminoso. O artista recria o seu próprio corpo. Refaz-se. Em ambiente escuro o seu movimento deixa um rastro de luz. Luzes coloridas piscam do seu corpo acrobata que evolui suspenso por uma barra invisível. A claridade que não é própria do corpo e que só se faz perceber porque é nele refletida é, em Lúmen, “in-corporada”. Através de mecanismos artificiais o performer apresenta um corpo iluminante. A presença viva do artista fica registrada no espaço escurecido da performance.

Carga, de Elfi Nitze
Quando: 07 de abril, das 15h às 16h
A performance constrói-se a partir da ideia do peso mental, onde não há consciência dos atos em si. Nascida no conceito de ligação entre mente e corpo, ela traz o pensamento de que qualquer problemática existente na mente cairá no corpo, caso não se resolva e vice-versa, ou seja, questões corporais também podem atuar sobre a mente.

Sobre o peso nos meus ombros, de Karen Cruz
Quando: 08 de abril, das 14h30 às 16h
A performance tem como configuração uma ação performática onde a artista prende em seu cabelo, dividindo-o por mechas, chumbinhos – também conhecidos por chumbadas. Chumbinhos são pesos utilizados em pescaria, confeccionados, como o próprio nome sugere, a partir do metal chumbo por este apresentar um peso considerável em relação ao seu volume se comparado a outros metais. Os chumbinhos são presos as mechas de cabelo por toda a extensão da cabeça da artista. A fixação destes se dá por meio de elásticos, previamente fixados às peças de chumbo. Em testes, a artista já chegou a utilizar cerca de 4kg de chumbinhos, buscando explorar os limites que seu corpo impõe.

Ensaio sobre o caos, de Baillistas
Quando: 08 de abril, das 17h às 19h30; 09 de abril, das 13h30 às 16h30
A performance baseia-se na realização de uma série fotográfica com bailarinos, figurinos, maquiadores e os quatro integrantes do coletivo trabalhando como o fazem em meio à cidade de São Paulo.

A filosofia do Ralo, de Cadu Ribeiro
Quando: 08 de abril, das 19h às 21h
Compreendida como uma performance de dança, é uma intervenção corporal que tem como poética o romance O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. O homem-ralo é a figuração performática de um dos personagens do romance: Basil, o pintor apaixonado de Dorian, que nesta intervenção caminha/dança sobre diferentes espaços. Carregando um objeto cênico criado para a performance, uma espécie de parangolé de ralos sobre as costas, o artista se locomove com este peso opressor que lhe dá uma corporeidade própria.

Permanência para um Encarnado, de Luanna Jimenes
Quando: 09 de abril, das 16h30 às 19h30
Consiste na permanência da artista por longa duração caracterizada pelo traje. A presença que sustenta o trabalho é a expansão da respiração com dimensões e tempos orgânicos, sendo portanto um expandir/recolher até limites extremos, alternando uma figura grande a outra pequena próxima do chão. As pausas durante o percurso permitem múltiplas leituras para o observador e interferem no espaço em silêncio. O traje de tecido preto encorpado e com algum brilho cobre todo o corpo confundindo-o com um objeto. A artista se desloca completamente coberta apenas com um olho revelado até o local da permanência e ali desfigura.

O som do trovão, de N Jeans
Quando: 09 de abril, das 19h30 às 21h; 10 de abril, das 12h às 14h
Existem muitas coisas que incorporam sensações de medo e desespero, e uma grande tempestade pode ser uma delas. No entanto, as tempestades podem ser de diferentes formas na vida, ou não? Nunca sabemos como e nem quando seremos atingidos pela próxima ou se não seremos atingidos mais… Então vale a pena recorrer ao medo? Em um vasto vale; luz, corpo, sons e trovões se confundem em meio aos devaneios mentais que mentes psicóticas podem, devem ou não ter com relação aos percursos que a linha de uma vida pode percorrer e entre seus diálogos com o sentido.

É arte ou bala?, de Lucas Takahaschi
Quando: 10 de abril, das 16h às 18h
O espaço de arte reflete seu público-alvo e influência diretamente no status e no valor da obra, o que intrinsicamente causa a valorização do artista e induz o consumidor a um sistema hermético de colecionadores e seus produtores. Porém, como seria se esta obra fosse apenas uma bala? E se este artista fosse apenas um vendedor? Como se estabeleceria a relação com esse consumidor já habituado ao circuito de arte?

#sparte2016