Arteônica da paisagem
Antes mesmo de se tornar experiência cotidiana, o virtual já se insinuava na pintura de Aldir Mendes de Souza. Em seus campos, cidades e diagramas, a paisagem parece atravessada por uma nova instabilidade: o mundo físico permanece visível, mas passa a se organizar como camada, sinal, fluxo, cálculo e memória. A tela deixa de ser apenas superfície de contemplação para tornar-se um espaço ativo, onde a matéria se converte em estrutura mental. Em Aldir, a paisagem nunca repousa inteiramente naquilo que representa. Ela se adensa em planos, repetições, cortes e deslocamentos: o cafezal torna-se matriz, a cidade, trama, e o horizonte, construção instável. A aproximação com a Arteônica de Waldemar Cordeiro aprofunda essa leitura. Ao pensar a arte ligada à comunicação, ao cálculo e ao processamento da informação, Cordeiro abriu um campo fundamental para compreender a imagem como sistema de transmissão e transformação. Aldir participa desse horizonte por uma via própria: não pela tecnologia como tema, mas pela pintura como experiência de organização do espaço, físico e virtual.

Endereço
Alameda Gabriel Monteiro da Silva, Contempo
São Paulo, Brasil - Brasil




