Todas as imagens utilizadas nesta matéria são do catálogo virtual "tenteio", com edição de Elvira Dyangani Ose e design de Vitor César e publicado por ocasião da Bienal de São Paulo.
Feature

Frente a desafios, Bienal abre as portas neste final de semana

Barbara Mastrobuono
2 Sep 2021, 3:12 pm

Esse sábado marca a abertura de um dos eventos artísticos seminais da cidade de São Paulo. Depois de enfrentar adiamentos por conta da pandemia do COVID, a 34ª Bienal de São Paulo — aptamente intitulada Faz escuro mas eu canto — abre as portas do Pavilhão Ciccillo Matarazzo para receber o público. 

“Desde sua concepção, e com um sentido de urgência ainda maior após os acontecimentos dos últimos meses, a 34ª Bienal busca estabelecer pontes entre obras e artistas que refletem múltiplas cosmovisões, culturas e momentos históricos. O processo de colocar em relação e ressonância todas essas vozes foi intenso e estimulante, vivificando um dos conceitos de Édouard Glissant que mais nos inspirou nesse caminho, o de que falamos e escrevemos sempre na presença de todas as línguas do mundo”, comenta Jacobo Crivelli, curador desta edição. Focado na temática de relações, a 34ª se destaca pela atenção à pluralidade dos artistas exibidos: 4% dos artistas se identificam como não-binários, e a proporção de artistas que se identificam como mulheres está a par dos que se identificam como homens. E, pela primeira vez, aproximadamente 10% dos artistas são de povos originários de diferentes partes do globo.

Além do time curatorial composto por Jacobo Crivelli e Paulo Miyada (curador adjunto), se junta à equipe Elvira Dyangani Ose, curadora espanhola que atua como diretora do MACBA. Dyangani Ose assume, como editora convidada, a feitura do primeiro catálogo exclusivamente digital da feira, tenteio, que conta com design do artista Vitor Cesar. Sobre a publicação, comenta: “Passo meses movendo essas imagens de um ponto da narrativa a outro, criando histórias na minha cabeça. Nenhuma delas é uma história real para contar; não há tal história. Se tanto, há um conjunto de condições possíveis para que a exposição possa emergir; a soma de uma miríade de conversas buscando construir momentos, gestos tentativos, tenteios.” tenteio será inserido também na versão impressa do catálogo, a ser lançada em setembro 2021.

Para além do Pavilhão, a 34ª se espalha pela cidade de São Paulo por meio de parcerias com mais de 20 instituições culturais, como a individual de Alfredo Jaar no Sesc Pompéia, a retrospectiva de Regina Silveira no MAC USP, a exposição de Frida Orupabo no Museu Afro Brasil, entre muitos outros.

Um marco da longevidade institucional, a atual edição também comemora setenta anos desde a primeira Bienal em 1951, servindo como símbolo da resistência artística perante o sucateamento de proporções inéditas enfrentado pela classe. 

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Barbara Mastrobuono is an editor, translator and researcher. She has worked in publishing houses such as Editora 34 and Cosac Naify, and served as the editorial coordinator of the Pinacoteca de São Paulo. Among the titles she translated are “Tunga”, with text by Catherine Lampert; “Poesia Viva”, by Paulo Bruscky, with text by Antonio Sergio Bessa; and “Jogos para atores e não autores”, by Augusto Boal. She defended her master’s dissertation at the Department of Literary Theory at the University of São Paulo. She is currently chief editor of SP-Arte.

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