Por Caio Blanco e Yasmin Abdalla

 

Se contassem a Thomaz Pacheco alguns anos atrás, durante sua faculdade de engenharia automobilística, que ele estaria a frente de uma galeria de arte, talvez ele tivesse dificuldade de acreditar. O fundador da OMA Galeria desenvolveu, incentivado por genuíno interesse, um robusto plano de negócios para uma galeria de arte contemporânea – segmento que não possuía experiência prévia ou sequer histórico familiar de atuação.

Instalada no centro de São Bernardo do Campo desde 2013, a OMA Galeria atua não somente como um local de negociação de arte contemporânea, mas também como um centro cultural e de formação livre em artes. É no meio digital, porém, onde residem algumas das principais inovações de Thomaz. A OMA já nasceu online e soube aproveitar toda a expertise fornecida pela galeria física para levar suas estratégias digitais a outro nível. “Ao longo desses sete anos na galeria física, utilizamos nosso CRM (Customer Relationship Manager) – uma plataforma de relacionamento com o cliente que permite analisar seu comportamento e traz insights mercadológicos para serem aplicados no marketing de uma empresa”, conta Thomaz. “Não venho de uma família de empreendedores de arte, então precisava entender profundamente como os colecionadores se comportavam”, completa.


Relação verdadeira

Para o galerista, as formas de relacionamento com os colecionadores já estabelecidas no mercado não são mais tão efetivas como antigamente. Ele vê com certa estranheza a falta de um contato customizado com cada cliente. “Muitas vezes, a única coisa que oferecemos aos colecionadores é um arquivo antecipado com as obras de uma exposição ou feira, e a possibilidade de compra prioritária, como se isso fosse uma grande vantagem“, destaca. 

É com base nessa análise que Thomaz decidiu como se daria seu relacionamento com os colecionadores: “falamos com todos nossos compradores pelo menos três vezes por ano e tentamos construir um relacionamento verdadeiro”, ele ensina. “Eu não ligo pra eles só pra falar de uma obra nova que chegou na galeria, por isso a relação acaba se tornando uma amizade mesmo. Isso gera empatia, confiança e o resto é consequência.”


O conteúdo no centro

Assim como outras galerias, a OMA chegou a ter sua própria plataforma de vendas online de obras, a OMA Shop. No entanto, depois de meses sem bons resultados, o galerista começou a refletir sobre a razão pela qual as vendas não se davam no meio online. A resposta estava no conteúdo. “Não adianta colocar uma foto de uma obra no site e esperar que o cliente passe seu cartão de crédito. É preciso construir o valor da obra, fornecer informações sobre o artista, sua história, sua técnica, sua voz, o porquê da importância daquela peça, quais outros atores do circuito das artes que também validam essa obra ou artista. Precisamos influenciar o cliente com conteúdo de qualidade por todos os lados para que, quando ele veja a obra na internet, ele reconheça seu valor e esteja pronto para comprar”, conta.

Hoje, a OMA Galeria se concentra na construção de uma máquina de conteúdo bilíngue. Thomaz acredita que esse é o passo fundamental para expandir suas vendas e, também, para o começo da internacionalização de sua galeria. Com o objetivo de atuar em todas as redes sociais, a OMA quer presença massiva na internet: Instagram, Facebook, Snapchat, Youtube, LinkedIn, Twitter, um Podcast e, até mesmo, a mais nova sensação entre os pré-adolescentes, o Tik-Tok. “As pessoas dizem que há um público muito mais jovem no Tik-Tok: ótimo! Vamos educar esse público, fazer um trabalho de base e formar os futuros compradores de arte”, ele se adianta, com olhos no futuro.

Além disso, a galeria divide regularmente com todos os sete artistas representados as últimas práticas em geração de mídias de valor na internet, tudo em concordância com o plano de criar uma eficiente máquina de conteúdo. “Já temos um videomaker e estamos contratando um jornalista e um editor de conteúdo para deixar à disposição de nossos artistas. Acreditamos que é preciso esse trabalho de educação com eles”, explica.


Inovação com toque humano

Tudo na OMA Galeria parece convergir para o digital. Como Thomaz menciona, “se uma obra não está na internet, ainda não chegou na galeria”. Entretanto, toda as ações digitais da OMA parecem possuir um estofo humano: nenhuma decisão online é tomada sem prévia análise de como os compradores se comportam, sem levar em consideração a voz dos artistas ou sem um estudo profundo do conteúdo que mais irá se relacionar com os clientes.

A galeria entende o potencial ilimitado proporcionado pela internet em um mercado que movimenta mais de 67 bilhões de dólares ao ano. Thomaz Pacheco tem olhos firmes no próximo passo inovador que quer dar e não se limita pelas práticas estabelecidas por galerias com mais tempo de mercado, pois, para ele, não restam mais dúvidas de que o mercado de arte está mudando a passos largos e é preciso pensar fora da caixa. “Hoje, quem paga nossa conta ainda são os babyboomers e a geração X, mas isso está prestes a mudar: os millennials e a geração Z estão chegando”. No que depender de Thomaz, a OMA estará mais do que preparada para estes novos tempos.


OMA Galeria na 365

Aproximar os interessados em arte e design das principais galerias do ramo é o objetivo principal da SP-Arte 365. A vitrine digital permite ao usuário navegar por páginas de artistas e obras, compartilhar em suas redes sociais, e até abrir um chat com a galeria para pedir mais informações. Confira o perfil da OMA Galeria na plataforma e descubra o que a arte por fazer por você.


“Subindo a ladeira”, 2019
Nario Barbosa

Bordado sobre fotografia impressa em papel de algodão Hahnemühle

165 x 110 cm


Sem título, 2019
Ricardo Sanchez

Transferência de fotografia sobre parafuso

3 x 3 x 7 cm


“Dimensões”, 2014
Thiago Toes

Pintura sobre madeira

Dimensões variadas

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