Iván Argote, "A Point of View" (2019). Foto: Lance Gerber.
Ensaio

Jeito

Gerardo Mosquera
9 mar 2021, 16h34

20 em 2020 apresenta criadores, obras e percursos relevantes da arte da América Latina nesta década: pautas de uma arte que supera suas fronteiras. A arte latino-americana teve a sorte de ser inventada por uma mulher. Uma mulher brilhante e enérgica, que infelizmente partiu de forma prematura. A crítica argentino-colombiana Marta Traba construiu, nas décadas de 1960 e 1970, um enfoque coletivo para contemplar a arte produzida na região, perspectiva também defendida pelo curador cubano-estadunidense José Gómez Sicre. Antes deles, prevaleciam abordagens individuais para cada artista, recortes nacionais ou centrados em movimentos, como o muralismo mexicano. Alfred H. Barr Jr. havia apresentado em 1942, no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), a primeira exposição sob a rubrica de “arte latino-americana” — New Acquisitions: Latin American Art — mas ele simplesmente procurava ensinar ao público peças adquiridas na região, já que não podia comprar arte na Europa em razão da guerra. Traba foi a primeira crítica a trabalhar com conhecimento do que ocorria nas cenas artísticas da região, e a generalizar a partir desse mesmo conhecimento. Ela aplicou uma visão totalizante e canônica, determinada que estava em afirmar um âmbito e uma identidade para a arte latino-americana. Foi uma ação necessária à época, que legitimou seu caráter específico em oposição ao clichê frequente de encará-la como nada mais que um derivativo da arte euro-norte-americana. Dos anos 1960 — e sob o calor da militância latino-americanista desencadeada à época — para cá, a arte latino-americana se estabeleceu enquanto campo de exibição, pensamento, enunciação e, muito importante, de afirmação própria.

Acima: Iván Argote, "A Point of View" (2019). Foto: Lance Gerber.

Tania Pérez Córdoba, "Chasing, Pausing, Waiting" (2014). Foto: Cortesia da artista.

Tania Pérez Córdoba, "Chasing, Pausing, Waiting" (2014). Foto: Cortesia da artista.

Este livro é, portanto, fruto mais do sucesso duradouro da “invenção” de Traba e de sua aposta no contexto (entendido como geografia, sociedade, cultura, história…) como fator coesivo para tratar da arte. Mas temo que ela não gostaria dele caso pudesse lê-lo. Ao defender a originalidade da arte da região, Traba destacou de modo reducionista a expressão criativa do contexto e da tradição cultural, por mais que combatesse o folclorismo e o sociologismo. Ela não foi capaz de se abrir a uma interpretação geral da arte latino-americana, com toda a sua intrincada complexidade. Seu pensamento era bastante arguto, mas ela tendia a rotular, e não a lidar com as sutilezas, as complicações, os labirintos. Proclamou um cânone excludente, advogando em prol de uma militância identitária, de uma “arte da resistência”, criticando ao mesmo tempo os artistas que, a seu ver, haviam “se entregado” mimeticamente à corrente hegemônica, ou aqueles que, por meio do pop, do conceitualismo ou da performance, introduziam uma “estética da deterioração”.

TRABA, Marta. Arte Latino-Americano Actual. Caracas: Ediciones de la Biblioteca de la Universidad Central de Venezuela, 1972; Dos Décadas Vulnerables en las Artes Plásticas Latinoamericanas – 1950/1970. Cidade do México: Siglo XXI Editores, 1973.

Alia Farid, "Vault" (2019). Foto: Maksym Bilousov.

Alia Farid, "Vault" (2019). Foto: Maksym Bilousov.

Tabita Rezaire, "Mamelles Ancestrales" (2019). Foto: David Stjernholm.

Tabita Rezaire, "Mamelles Ancestrales" (2019). Foto: David Stjernholm.

Isso estava em diálogo com, e reforçou, a neurose identitária da qual padeciam muitos artistas, críticos e curadores da região, criticada por Frederico Morais a partir do final da década de 1970. Essa neurose não foi enfrentada de forma vigorosa até o surgimento da geração que se estabeleceu vinte anos depois de Traba. Isso derrubou os paradigmas predominantes e os relatos totalizantes e ideologizantes a respeito da América Latina, sua arte e sua cultura, exercendo grande influência sobre a arte e as ideias e realizando a cabo o que chamei de uma “libertação da identidade”. Ou seja, ela introduziu uma ideia dinâmica, relacional, múltipla e metamórfica dessa identidade, levando-nos a nos assumirmos de forma crítica em nossas opacidades, fragmentos, contrastes, amálgamas e dissociações, e até mesmo em nossos abundantes desastres e contradições.

20 em 2020 e a arte nele reunida também são fruto desse recorte epistemológico e, portanto, seriam insuportavelmente queer para Traba. Os vinte artistas emergentes cuidadosamente selecionados pelos editores proclamam a escandalosa diversidade da arte contemporânea na América Latina e rechaçam qualquer tipo de exercício totalizante. Na realidade, essa pluralidade vem se manifestando desde o modernismo, mas houve uma tendência a obliterá-la na busca por relatos de integração que pudessem aliviar a etno-neurose latino-americana, resultado de sua intrincada (e até discordante) constituição cultural e de seu posicionamento ambivalente em relação ao Ocidente.

MORAIS, Frederico. Las Artes Plásticas en la América Latina: Del Trance a lo Transitorio (1ª ed., 1979). Havana: Casa de las Américas, 1990, p. 4-5.

PIÑERO, Gabriela A. Ruptura y Continuidad. Crítica de Arte desde América Latina. Santiago de Chile: Ediciones Metales Pesados, 2019.

MOSQUERA, Gerardo (ed.). Introduction. Beyond the Fantastic. Contemporary Art Criticism from Latin America. Londres: Institute of International Visual Arts, Cambridge, MIT Press, 1995. 

GLISSANT, Édouard. Le Discours Antillais. Paris: Seuil, 1981.

Jota Mombaça, "Transition & Apocalypse" (2019). Foto: Cortesia da artista.

Jota Mombaça, "Transition & Apocalypse" (2019). Foto: Cortesia da artista.

Reynier Leyva Novo, "5 Noches" da série "El Peso de la Historia" (2014). Foto: Referência Lee Lockwood, do livro "La Cuba de Fidel", "La mirada de un reportero estadounidense en la isla 1959-1969", Taschen.

Reynier Leyva Novo, "5 Noches" da série "El Peso de la Historia" (2014). Foto: Referência Lee Lockwood, do livro "La Cuba de Fidel", "La mirada de un reportero estadounidense en la isla 1959-1969", Taschen.

Carolina Caycedo, "Flying Massachusett" (2020). Foto: Mel Taing.

Carolina Caycedo, "Flying Massachusett" (2020). Foto: Mel Taing.

Os artistas aqui apresentados nos dão um panorama abrangente de tendências, poéticas, lugares, dinâmicas, risos, obsessões, sensibilidades, ações, reações, desprendimentos, ataques… enfim, de todo o caleidoscópio da arte que consideramos latino-americana devido ao seu âmbito geográfico (que deveria incluir os Estados Unidos, o segundo país com maior número de hispano-falantes) ou por afinidades históricas, culturais e linguísticas compartilhadas. Forçosamente, esse panorama acaba sendo limitado em virtude da vastidão do cenário e do intuito de apresentar artistas que já gozam de uma boa circulação e estão inseridos em mercados internacionais.

A autoconsciência — o ato de fé, poderíamos dizer, parafraseando Jorge Luis Borges — de pertencer a uma entidade difícil de definir, chamada até indevidamente de América Latina, tem se mostrado muito insistente. Já em 1965, o escritor Chinua Achebe considerava que as noções de uma literatura ou cultura africana eram “suportes que construímos em diferentes momentos para que nos ajudem a nos levantarmos outra vez. Quando fizermos isso, já não precisaremos mais deles”. Nós não atingimos esse grau de cinismo: consideramo-nos latino-americanos e afirmamos um espaço geocultural latino-americano. Como no mundo árabe, os fatores macrocoesivos triunfam sobre a diversidade e os conflitos, embora as diferenças sejam reconhecidas e até destacadas. Assim, o fato de termos Oswald de Andrade, Frida Kahlo e Gabriel García Márquez incorporados fatalmente à nossa subjetividade pode nos levar tanto ao reducionismo (tão conveniente) do gueto e ao provincianismo quanto à solidariedade, ou servir como plataforma de projeção para fora, como faz este livro.

ARDAO, Arturo. Nuestra América Latina. Montevideo: Ediciones de la Banda Oriental, 1986; JIMÉNEZ, Lulú. Caribe y América Latina. Caracas: Monte Ávila Editores y Centro de Estudios Latinoamericanos Rómulo Gallegos, 1991; OLEA, Héctor & RAMÍREZ, Mari Carmen & YBARRA-FRAUSTO, Tomás (org.). Resisting Categories: Latin American and/or Latino? Critical Documents of 20th Century Latin American and Latino Art, The Museum of Fine Arts Houston, International Center for the Arts of the Americas, New Haven y Londres, Yale University Press, 2012.

ACHEBE, Chinua. The Novelist as Teacher (1965) apud MOORE-GILBERT, Bart. Postcolonial Theory. Contexts, Practices, Politics. Londres/Nueva York: Verso, 1997, p. 179.

Gala Porras-Kim, "5 Seated Nudes on a Mantel" (2017). Foto: Cortesia da artista / LABOR, Ciudad de México.

Gala Porras-Kim, "5 Seated Nudes on a Mantel" (2017). Foto: Cortesia da artista / LABOR, Ciudad de México.

Gabriel Chaile, "Aguas Calientes (La Comunidad)" (2019). Foto: Santiago Ortí.

Gabriel Chaile, "Aguas Calientes (La Comunidad)" (2019). Foto: Santiago Ortí.

Dalton Paula, "Rita Cebola" (2020). Foto: Joerg Lohse.

Dalton Paula, "Rita Cebola" (2020). Foto: Joerg Lohse.

Se pudesse dispor do privilégio de defendê-lo junto a Traba , lhe diria que, acima da liberdade e da inventividade que prevalecem nas obras de que disfrutamos nestas páginas, o contexto — tão central para ela, tão amado por ela — é crucial para quase todos os artistas. Já não se trata, contudo, do autoritarismo de um contexto que é origem e fim, de um contexto ególatra que nos obriga a uma representação narcisista, mas de um contexto que atua de dentro. É um contexto que emerge silenciosamente em vez de rugir, como o tigre de Wole Soyinka.

Talvez Traba me respondesse que quase todos os jovens apresentados no livro empregam uma metalinguagem internacional oriunda da arte estabelecida hegemonicamente, pronta para o mercado global e as “perennials”. No entanto — eu responderia — eles não se limitam a isso: constroem a partir de sua diferença, reinventam a partir de seus contextos, culturas, experiências, subjetividades… e o manipulam em benefício de suas próprias agendas. Ou, simplesmente, criam obras valiosas e originais dentro da linguagem hegemônica predominante, sem modulações estritamente contextuais. Os conteúdos da cultura, o lugar e a experiência próprios, tão apreciados por Traba, agora tendem a funcionar de modo mais interno, moldando-se mais na forma de criar os textos e menos na de representar os contextos, como é possível constatar em muitas das obras aqui publicadas. Tentei sintetizar rudimentarmente todos esses processos, tão plurais e intrincados, por meio do paradigma do “a partir daqui”. Não como um novo relato totalizante, mas como um navegador, um sistema de posicionamento global, um GPS epistemológico que nos ajude a nos orientarmos dentro das novas coordenadas culturais. Parece-me que o “a partir daqui” substituiu, no mundo pós-colonial, a antiga noção de “antropofagia” (apropriação e ressignificação de elementos culturais alheios, muitas vezes impostos pelo poder dominante) estabelecida pelo modernismo brasileiro, por outra, de invenção internacional direta. Nela, o contexto se torna um locus centrífugo, a partir de onde se constrói “o internacional” sem constrangimentos, com um sentido tanto de pertencimento como de agência: nós também somos “o internacional”. Um jeitinho do contexto em tempos globais.

JAHN, Janheinz. Las literaturas neoafricanas. Madrid: Guadarrama, 1971, p. 310.

MOSQUERA, Gerardo. Caminar con el Diablo. Textos Sobre Arte, Internacionalización y Culturas. Madrid: Exit Publicaciones, 2010; MOSQUERA, Gerardo. Walking with the Devil: Art, Culture and Internationalization. In: ANHEIER, Helmut & RAJ ISAR, Yudhishthir (ed.). Cultural Expression, Creativity & Innovation. Londres, Thousand Oaks, Nueva Delhi y Singapur, SAGE, 2010, p. 47-56; MOSQUERA, Gerardo. Against Latin American Art. In: Contemporary Art in Latin America. Londres: Black Dog Publishing, 2010, p. 11-23.

Naufus Ramírez-Figueroa, "The House at Kawinal" (2018). Foto: Maris Hutchinson / EPW Studio.

Naufus Ramírez-Figueroa, "The House at Kawinal" (2018). Foto: Maris Hutchinson / EPW Studio.

Adriano Amaral, Sem título (2017). Foto: Gui Gomes/Galeria Jaqueline Martins.

Adriano Amaral, Sem título (2017). Foto: Gui Gomes/Galeria Jaqueline Martins.

Os artistas selecionados para este livro se deslocam muito internacionalmente. Sete residem nos Estados Unidos e na Europa, lugares onde vários deles estudaram; outros compartilham sua vida em cidades dos dois lados do Atlântico; dois são binacionais e biculturais; enfim, uma situação típica do mundo atual. Nesse sentido, pode surpreender como as suas obras são pouco cosmopolitas (entendido aqui como globalmente homogêneo ou “mcdonaldização”). Mais que isso: Iván Argote, Gala Porras-Kim e até um argentino, Gabriel Chaile, se inspiram com frequência nas culturas pré-colombianas; Dalton Paula se baseia na cultura afro-brasileira; Jota Mombaça, Reynier Leyva Novo, Carolina Caycedo, e Argote criam obras de crítica social, de gênero e de caráter ecológico; as performances de Naufus Ramírez-Figueroa discutem a história da Guatemala; Alia Farid, Tabita Rezaire e Tania Pérez Córdova costumam expressar referências contextuais em suas obras. O trabalho de outros artistas pode ser visto como resultado da evolução de linhas históricas da arte na América Latina, como é o caso de Ad Minolti (com sua ficção da abstração geométrica e o barroquismo), Johanna Unzueta (também com a abstração geométrica), Adriano Amaral (seguindo a linhagem tão particular da instalação brasileira e sua sensibilidade para materiais) e até mesmo Pía Camil, que parece citar a emblemática performance Divisor, de Lygia Pape, em algumas obras. Sheroanawe Hakihiiwe é um caso especial, que reflete a abrangência inclusiva da seleção feita para o livro: um yanomami que cria arte com formas e conteúdos tradicionais de sua cultura para exportá-la aos circuitos internacionais. Sua inclusão é um sintoma da maior transversalidade que paira entre esses circuitos e as criações visuais de culturas tradicionais e populares. Bom, acho que com esses argumentos talvez conseguisse convencer Traba.

Na vida só existem problemas. Alguns são bons, outros são ruins. Os editores deste livro precisaram lidar com um problema bom: como escolher apenas uns poucos artistas emergentes dentre o riquíssimo panorama da arte feita hoje na América Latina, que atua e é legitimada fora dela (poderíamos publicar outro volume com artistas que não alcançaram o merecido reconhecimento internacional, por razões diversas). O resultado foi rigoroso e buscou um equilíbrio geográfico, de gênero e da pluralidade de tendências e poéticas contemporâneas. No geral, os artistas que aqui vemos conseguiram realizar crossovers sem vender exotismo, baseando-se no valor sem grife de suas obras. Ao mesmo tempo, dançaram conforme sua própria música, popularizando-a. Seria possível dizer, parafraseando Aimé Césaire, que este livro irá “fazê-los regressar ao país natal”, para daí devolvê-los ao mundo.

Johanna Unzueta, "Tools for Life" (2020). Foto: Ben Westoby.

Johanna Unzueta, "Tools for Life" (2020). Foto: Ben Westoby.

Sheroanawe Hakihiiwe, "Yaro Shinaki 3" (2018). Foto: Julio Osorio.

Sheroanawe Hakihiiwe, "Yaro Shinaki 3" (2018). Foto: Julio Osorio.

Este texto foi publicado originalmente como introdução do livro 20 em 2020, os artistas da próxima década: América Latina (ACT, 2020).

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Artistas apresentados

Ad Minoliti (Buenos Aires, Argentina), Adriano Amaral (Ribeirão Preto, Brasil), Alia Farid (Kuwait, Kuwait), Carolina Caycedo (Londres, Reino Unido), Dalton Paula (Goiânia, Brasil), Frieda Toranzo Jaeger (Cidade do México, México), Gabriel Chaile (Tucumán, Argentina), Gala Porras-Kim (Bogotá, Colômbia), Iván Argote (Bogotá, Colômbia), Jill Mulleady (Montevideo, Uruguai), Johanna Unzueta (Santiago, Chile), Jota Mombaça (Natal, Brasil), Katherinne Fiedler (Lima, Peru), Naufus Ramírez-Figueiroa (Cidade da Guatemala, Guatemala), Pia Camil (Cidade do México, México), Reynier Leyva Novo (Havana, Cuba), Sheroanawe Hakihiiwe (Sheroana, Venezuela), Tabita Rezaire (Paris, França), Tania Pérez Córdova (Cidade do México, México) e Yuli Yamagata (São Paulo, Brasil).

Críticos e curadores convidados

Andrei Fernández (Argentina), Diane Lima (Brasil), Gerardo Mosquera (Cuba), Germano Dushá (Brasil), José Esparza Chong Cuy (México), Júlia Rebouças (Brasil), Kiki Mazzucchelli (Brasil), Mariano López Seoane (Argentina), Miguel A. López (Peru), Nika Chilewich (Estados Unidos), Olga Viso (Estados Unidos), Pilar Tompkins Rivas (Estados Unidos), Raphael Fonseca (Brasil) e Ruth Estévez (México/Estados Unidos).


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Gerardo Mosquera é curador independente, crítico de arte, historiador e escritor residente em Havana e Madrid. É conselheiro da instituição Rijksakademie van Beeldenden Kunsten, em Amsterdã, e membro de conselhos de diversas instituições de arte e publicações. Foi cofundador da Bienal de Havana, curador do New Museum, em Nova York, diretor artístico da PhotoSpain, em Madrid, e realizou a curadoria para diversas bienais e exposições internacionais ao redor do mundo. É autor de livros e textos sobre arte contemporânea e teoria da arte. Foi também ganhador da bolsa de pesquisa Guggenheim Fellowship.

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