Por Giovana Christ

 

2020 ainda não chegou, mas já podemos adiantar que reserva um calendário recheado para as artes visuais. Confira a agenda das instituições paulistanas para o ano que vem e programe-se para não perder nada!


IMS-SP

De janeiro a maio

Peter Scheier (1908-1979) é um fotógrafo alemão que desenvolveu sua carreira no Brasil, onde registrou as transformações sociais do país entre as décadas de 1940 e 1950. A coleção do IMS é composta por 35 mil imagens do fotógrafo e algumas delas serão expostas na mostra “Arquivo Peter Scheier”, destacando alguns conjuntos fotográficos importantes na trajetória do artista. “Seu arquivo, como um todo, revela as ambiguidades de uma sociedade de muitas faces. Não apresenta uma síntese do Brasil, mas, antes, uma realidade de difícil leitura”, afirma a curadora Heloisa Espada.

De março a agosto

Com curadoria do espanhol Juan Vicente Aliaga, mais de 170 fotografias da chilena Paz Errázuriz que iniciou sua carreira durante a ditadura de Pinochet — serão expostas por seis meses no Instituto Moreira Salles. As temáticas de Errázuriz giram em torno de pessoas marginalizadas, deslocadas da sociedade e reprimidas pelos sistemas vigentes. Nas séries em exposição, são incluídas imagens retratando hospitais psiquiátricos, membros de circos, prostitutas, cegos e uma etnia indígena em vias de extinção.


MAM SP

De março a maio

Reunindo obras raramente expostas ao público por pertencerem a museus ou coleções particulares, o MAM fará uma retrospectiva de Antonio Dias, falecido há pouco mais de um ano, com obras multimídias criadas durante os anos 1960 e 1970. O artista foi um dos principais nomes da pintura brasileira contemporânea, com mais de cem exposições individuais no currículo e obras presentes em museus do mundo todo. A mostra é curada por Felipe Chaimovich, diretor do museu.

De junho a agosto

Em comemoração ao centenário da Semana de Arte Moderna (1922), a exposição “Família Gomide-Graz” traz as obras dos irmãos Antônio e Regina Gomide, e seu marido, John Graz. Os artistas foram pioneiros nas artes que usam composições geométricas abstratas por meio de objetos cotidianos como móveis, decorações e tapeçarias. Um dos objetivos do Museu é destacar um lado não tão conhecida da Semana de 22, que juntou arte com design nas produções do país.

De setembro a dezembro

Há vinte anos, o MAM adquiria suas primeiras performances. Duas delas são da brasileira Laura Lima, que questiona o conceito tradicional da forma de arte e trabalha o papel do corpo humano como suporte dessas obras. A artista tem se mostrado um destaque no meio das artes visuais, participando de eventos como as bienais de Sharjah e Milão, além de estar presente nas coleções como a do Instituto Inhotim, Museu de Arte do Rio e Pinacoteca do Estado de São Paulo.


Masp

De março a junho

“A dança na minha experiência” dará início à programação de 2020 do Masp, que se dedica ao tema “Histórias da dança”. Nessa toada, o museu produzirá a exposição do fotógrafo Hélio Oiticica apresentando uma seleção da série “Parangolés”, onde o artista construía capas, faixas e bandeiras com tecidos coloridos e frases marcantes e as colocava nos espectadores, os tornando parte ativa da obra. Além dessas imagens, a mostra fará uma retrospectiva da carreira de Oiticica que mostra a evolução de seus trabalhos.

No mesmo período, a coreógrafa e bailarina Trisha Brown terá sua primeira exposição individual no país apresentando desenhos, diagramas, fotografias, filmes e vídeos organizados a partir de coreografias. Abordando as relações entre dança, espaço e a parte visual de suas coreografias selecionadas especialmente por seus movimentos que interpretam fatos do cotidiano a mostra explicita as mudanças ocorridas durante sua carreira.

De maio a agosto

Figura central na cena afro-americana de Los Angeles nos anos 1970, a estadunidense Senga Nengudi estará em sua primeira individual na América Latina. Com cinquenta trabalhos, entre instalações, esculturas, fotografias e desenhos, seus trabalhos envolvem elementos da dança e também assuntos políticos como igualdade de gênero, segregação racial e outras lutas incorporadas pela artista nos movimentos pelos direitos civis, nos Estados Unidos. Resultado de uma parceria com o Lenbachhaus Museum (Munique), a mostra foi curada por Adriano Pedrosa, diretor artístico do Masp, Isabella Rjeille, curadora do museu, Stephanie Weber, curadora do Lenbachhaus, e Anna Straetmans, curadora-assistente do Lenbachhaus.

De junho a novembro

Ocupando o primeiro e o segundo subsolo, a mostra “Histórias da dança” que norteia a programação do ano do Masp busca refletir o que é dança, coreografia, quais corpos dançam, o que os move, e como eles se movem. Nela, serão expostos trabalhos de diferentes períodos, partes do mundo e em diversos suportes. Além da exposição, o museu dedicará uma seção para apresentações, ensaios e workshops de dançarinos, coreógrafos, artistas e intérpretes.

De agosto a novembro

Por meio de narrativas que rememoram corpos que dançam em situações oníricas e metafísicas, a artista parisiense Mathilde Rosier busca dar a sensação de perda do espaço e do tempo através da combinação de pintura, cinema, dança e teatro. Nessa mostra em específico, o foco será a análise de bailes coletivos em sociedades rurais de épocas e áreas geográficas diversas, investigando os rituais dessas danças com a finalidade de atingir momentos de transe e perda de noção do eu.

De outubro a fevereiro/2021

Explorando as relações das obras de Edgar Degas e o universo da dança, a mostra “Degas: dança, política e sociedade” reúne cerca de 150 obras do artista, que explorou muito questões relacionadas ao assunto. O museu quer destacar que quase metade de suas 2 mil obras constituem um registro relacionado às realidades sociais da dança em sua época (1834-1917). Entre as obras, o destaque fica para a escultura “Bailarina de catorze anos” (1880), parte da série de 38 trabalhos representando dançarinas.

De dezembro a março/2021

Para encerrar o ano, o Masp destaca a brasileira Beatriz Milhazes, reconhecida pelas obras associadas aos estilos barroco e modernista, focando em motivos populares brasileiros.


Pinacoteca

De março a agosto

Nesses meses, os artistas Gustavo e Otávio Pandolfo, conhecidos como OSGEMEOS, terão sua primeira mostra panorâmica na Pina Luz. A exposição conta com seus grafites, que começaram com a chegada da cultura hip hop no Brasil nos anos 1980, ocupando o bairro paulistano do Cambuci, e que agora estão presentes no Museu de Arte Contemporânea de Tóquio, no Japão; no MAM de São Paulo; e no Museu de Arte de Puerto Rico.

De agosto a fevereiro/2021

Uma parceria entre o museu e a Terra Foundation produzirá a exposição “Refiguring American Art 1913-1993“. Nela, serão trazidos trabalhos de norte-americanos como Edward Hopper, Horace Pippin, Jacob Lawrence, Cindy Sherman, Barbara Kruger, Andy Warhol, Philip Guston, entre outros, abordando o compromisso dos artistas com as políticas culturais de raça, gênero e sexualidade.

Outras exposições

Além desses destaques, a Pina trará ao Octógono, espaço central do museu, nomes como André Komatsu e Lais Myrrha

Para exposições individuais na Pina Estação, Hudinilson Jr., Fayga Ostrower, Belmiro de Almeida & Rodolfo Amoedo e José Damasceno. E ainda, a coletiva “Arte contemporânea indígena”, de julho a setembro.


SESC-SP

De abril a junho

A mostra “Farsa” apresenta mais de 150 trabalhos, de artistas do Brasil e de Portugal, em sua maioria mulheres. Entre trabalhos gráficos, colagens, poesias visuais, publicações, objetos e instalações, são examinadas as relações entre linguagem, arte, poesia, política, discriminação e questões de gênero. Programada para acontecer no Sesc Pompeia, a exposição tem curadoria de Marta Mestre e Pollyana Quintella.

De abril a julho

Curada por Fernando Serapião e Guilherme Wisnik, a exposição “Infinito vão: 90 anos de arquitetura brasileira”, abrange um período de nove décadas de produção arquitetônica brasileira, desde a primeira das três casas modernistas de Gregori Warchavchik – a Casa da Rua Santa Cruz, concluída em 1928 – até o presente. Além disso, a mostra inclui produções audiovisuais que se relacionam com o tema.

De agosto a janeiro/2021

“Um maravilhoso emaranhado” é uma instalação audiovisual que propõe uma reflexão sobre Lina Bo Bardi. Apresentada por meio de nove telas no Sesc Pompeia, e filmado em sete locações durante o mês de junho de 2018, o vídeo apresenta diversas interpretações da arquiteta Lina Bo Bardi por Fernanda Montenegro, Fernanda Torres e Zé Celso Martinez, incluindo duas apresentações coletivas da Bahia (Balé Folclórico e Araka Collective).

Outras exposições

As unidades do Sesc reservam ainda uma mostra dedicada às contribuições para ciência de Louis Pasteur; “A história negra em quadrinhos”, de Marcelo D’Salete; a coletiva “Encontros ameríndios”; e a terceira edição da Trienal de Artes, em Sorocaba.


Bienal de São Paulo

Já a partir de fevereiro, o Pavilhão Ciccillo Matarazzo será ocupado pela 34ª Bienal: três mostras individuais e três ações performáticas de curta duração introduzem o tema do evento principal do ano, “Faz escuro mas eu canto”, com início em setembro.

Fevereiro a abril

Marcando a primeira individual da Bienal, a exposição abordará a turbulenta história do Peru e o impacto cultural da globalização nos padrões neocoloniais do País, pela obra da peruana ​Ximena Garrido-Lecca​, com esculturas e instalações.

Ao mesmo tempo, a performance “A Maze in Grace”, de Neo Muyanga, estreará no Pavilhão. No trabalho, um grande coro de vozes apresenta uma nova composição de sua autoria, baseada na canção ​”Amazing Grace”, frequentemente usada em países africanos para marcar momentos de trauma ou luto público.

De abril a junho

A performance “Palabras ajenas” (1965-1969), de León Ferrari, será realizada pela primeira vez de forma completa no Brasil e em português. O trabalho é composto de uma colagem literária que se apropria de citações de personagens históricos para construir um diálogo sobre violência, guerra e poder.

Clara Ianni, cujo trabalho se caracteriza pela crítica da sociedade contemporânea, também ganha exposição individual, que relaciona os conceitos de tempo, história e espaço no contexto atual do capitalismo globalizado.

De julho a agosto

Deana Lawson fechará o ciclo de exposições individuais no Pavilhão com suas imagens íntimas de pessoas e lugares, mesclando fotos espontâneas, encenadas e encontradas. A artista americana busca fugir dos estereótipos dos retratos ocidentais e africanos retratando de maneira pessoal lugares marcados pela forte presença de culturas oriundas da diáspora africana.

De setembro a dezembro

A abertura da exposição coletiva ficará por conta da performance “A ronda da morte”, de Hélio Oiticica. Nunca antes realizada, a obra é uma resposta ao otimismo da sociedade brasileira pelo declínio da ditadura – por entender que ainda faltava muito para justiça social ser alcançada, o  artista tinha críticas a esse sentimento.


CCBB

De fevereiro a maio

A mostra “Egito Antigo: do cotidiano à eternidade”, chega ao CCBB São Paulo em fevereiro com 140 peças, entre esculturas, pinturas, objetos litúrgicos, sarcófagos e até uma múmia. Os objetos vêm do Museu Egípcio de Turim, segundo maior acervo egípcio do mundo, e sua maioria é resultante de escavações do século 19 e início do século 20. Além dos artefatos, a mostra exibirá vídeos e textos didáticos com a intenção de ensinar o público fatores sobre religião, política e a vida cotidiana no Egito Antigo.


Instituto Tomie Ohtake

De abril a junho

O Instituto Tomie Ohtake fará uma retrospectiva com obras produzidas desde o século 16. “Imprimindo o mundo – 500 anos de história da arte”, contará com artistas como Rembrandt, Picasso, Toulouse-Lautrec e Dürer, pertencentes ao Museu Albertina, de Viena.