SP-Arte 2019

Amadeo Luciano Lorenzato

Brasil, 1900

Sobre

Amadeu Luciano Lorenzato (Belo Horizonte MG 1900 - idem 1995). Pintor e escultor. Começa a trabalhar como ajudante de pintor em 1910, exercendo o ofício até 1920, quando se muda com a família para Arsiero (Itália), onde trabalha como pintor de paredes na reconstrução da cidade. Em 1925, matricula-se na Reale Accademia delle Arti, em Vicenza. No ano seguinte, muda-se para Roma, onde permanece dois anos em companhia do pintor e cartazista holandês Cornelius Keesman, com quem desenha nos fins de semana. Em 1928, ambos decidem viajar de bicicleta ao leste europeu, passando por Áustria, Eslováquia, Hungria, Bulgária e Turquia. Finda a viagem em 1930, o artista separa-se de Cornelius e muda para Paris, e trabalha na montagem dos pavilhões da Exposição Internacional Colonial. Um ano depois, retorna à Itália onde fica até abril de 1948, data em que volta ao Brasil. Trabalha, em 1949, na montagem dos estandes para a Exposição de Indústria e Comércio, realizada no Hotel Quitandinha, de Petrópolis, depois, muda-se com a família para Belo Horizonte e exerce o ofício de pintor de paredes até 1956. Impedido de continuar na construção civil devido a um acidente, dedica-se integralmente à pintura. Em meados da década de 1960, apresenta alguns trabalhos ao crítico Sérgio Maldonado, que, por sua vez, apresenta-o a Palhano Júnior, organizador da primeira exposição individual de seus trabalhos, realizada em 1967.

Comentário Crítico
Natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, descendente de italianos, Lorenzato vive a infância no Brasil. Após a 1ª Guerra Mundial (1914-1918), sua família resolve retornar à Itália. Aos 20 anos, ele passa a exercer a atividade de pintor da construção civil. Em 1925, estuda na Reale Accademia delle Arti, na Galleria Olimpica di Vicenza (atual Accademia Olimpica Vicenza). Seus primeiros quadros são realizados em excursões que faz aos domingos pelos arredores da cidade.

Em 1926, em Roma, conhece o pintor Cornelius Keissman. Por volta de 1928, acompanhado por Keissman, faz longa viagem de bicicleta por diversos países da Europa. Vive da venda de pequenos guaches e aquarelas e de cartões impressos com a foto dos dois artistas ao lado de suas bicicletas. Em Bruxelas e Paris, permanecem por mais tempo. Em Paris, Lorenzato trava amizade com o pintor italiano Gino Severini (1883 - 1966) e aproveita para ampliar seu conhecimento sobre a obra dos impressionistas, pelos quais revela profunda admiração. Ele afirma ter também grande fascínio pelos trabalhos dos mestres renascentistas italianos.

Com o fim da 2ª Guerra Mundial (1939-1945), retorna ao Brasil em 1949 e se fixa com a família em Belo Horizonte. Sofre um acidente em 1956, devido ao qual se aposenta. Passa então a dedicar-se inteiramente à pintura. Para a estudiosa Cláudia Giannetti Nölle, em sua pintura o artista prescinde dos detalhes e se concentra nas linhas e cores essenciais, procedimento freqüente em pintores próximos ao primitivismo. Começa a utilizar um pente de metal comumente empregado na ornamentação de pintura de parede, com o qual funde as camadas de tinta na tela. O resultado é a apresentação de linhas tortuosas e leves reentrâncias dispersas por todo o quadro.

Lorenzato retira seus temas da realidade cotidiana tanto nas paisagens quanto nas naturezas-mortas e retratos. Utiliza freqüentemente novos materiais como a tela de arame, madeira e papelão, assim como pratos, caixas e abajures que servem de suporte para sua pintura. Realiza também esculturas, trabalhando com argila e, nas obras maiores, com cimento. Na escultura apresenta tendência à redução a formas básicas e linhas essenciais, embora imprima às figuras grande intensidade e força de expressão. Para Nölle, sua obra é sobretudo uma criação espontânea, na qual os elementos se fundem naturalmente.

Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural

Galerias

Exposições

Perfil SP‑Arte

Assine e fique por dentro dos principais acontecimentos do mundo da arte