Publicações narram trajetórias ilustres na arquitetura brasileira

8 out 2019, 10h58

Procurando boas leituras sobre o mundo do design e da arquitetura? As publicações dedicadas a este campo costumam aliar projetos gráficos inovadores a longos ensaios fotográficos e textuais, buscando retratar a atmosfera dos projetos arquitetônicos e os meandros dessas histórias.

Confira quatro livros lançados recentemente por duas das principais editoras do ramo, a Olhares e a Monolito, que remontam trajetórias de destaque. Confira!



"José Zanine Caldas"

Vários autores

Toda a originalidade e versatilidade de José Zanine Caldas é colocada em evidência em uma publicação recém-lançada pela Editora Olhares. “José Zanine Caldas” reúne mais de trezentas imagens históricas e atuais – destaque para ensaio do fotógrafo de arquitetura André Nazareth – e textos de diferentes autores que remontam a trajetória do designer autodidata. De maquetista a construtor de casas, Caldas privilegiou matérias-primas tradicionais e ao mesmo tempo inovou na indústria moveleira, deixando contribuições fundamentais para o desenho moderno no País. No ano em que Zanine Caldas completaria cem anos, relembre o artigo escrito por Amanda Carvalho para a primeira edição da revista traço— , que conta detalhes da história do designer, e o texto da jornalista Regina Galvão, abordando a reconstituição do escritório de Zanine Caldas na SP-Arte 2019.



"Alguém passa por aqui e deixa alguma coisa"

Marina Linhares, Noemi Jaffe e Ruy Teixeira

Em “Alguém passa por aqui e deixa alguma coisa”, o trabalho da arquiteta Marina Linhares é atravessado pela poesia: a escrita literária de Noemi Jaffe e o olhar acurado do fotógrafo Ruy Teixeira revelam com vigor o processo criativo de Linhares ao redecorar uma casa abandonada na Serra da Bocaina, entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Diversas viagens para fora e pelo interior do Brasil, memórias pessoais e referências compuseram esta “casa-livro”, em que as inspirações tanto para a residência quanto para a publicação se misturam entre afetos e reflexões de seus autores. O livro, lançado também pela editora Olhares, tem projeto de Baba Vacaro e conta ainda com postais encartados e QR-Codes que conduzem a vídeos produzidos em alguns dos locais da pesquisa.



"Infinito vão - 90 anos de arquitetura moderna brasileira"

Org. Fernando Serapião e Guilherme Wisnik

É possível que a obra “Infinito vão – 90 anos de arquitetura moderna brasileira”, lançada neste ano pela editora Monolito, seja um dos mais importantes compêndios em torno de projetos emblemáticos de arquitetos brasileiros ou radicados por aqui. A publicação é o resultado de uma pesquisa intensa de Guilherme Wisnik e Fernando Serapião que, ao longo de dois anos, reuniram milhares de materiais – textos, desenhos, maquetes – para uma mostra na Casa de Arquitectura, em Portugal. A exposição debruçou-se sobre mais de cem projetos de nomes como Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi, Burle Marx e tantos outros que transformaram paisagens, cidades e a própria história da arquitetura brasileira. A publicação tem quatrocentas páginas, ricamente ilustradas com desenhos e fotos, além de textos de vários autores, como Ana Luiza Nobre, Daniele Pisanni e Jean-Louis Cohen, que realizam cruzamentos com o cinema, a música e a literatura para abraçar outros repertórios e públicos.



Monolito #44/45

Vários autores

A Monolito surgiu com a missão de lançar bimestralmente uma revista monográfica sobre arquitetura, com a densidade e o cuidado que um livro exige. Essas publicações já se tornaram referências para a investigação e a divulgação de temas, figuras e obras ligadas ao mundo da arquitetura e do design. O papel das instituições, a história das técnicas e dos materiais utilizados tipicamente pela arquitetura brasileira, além de discussões contemporâneas do campo, são alguns dos focos destas revistas. A Monolito #44/45 analisa os sete anos de atuação do Bernardes Arquitetura, um dos escritórios mais ativos no Brasil hoje. A edição reflete ainda sobre as diferentes tipologias residenciais trabalhadas pelas três gerações dos Bernardes: o avô, Sergio Wladimir Bernardes (1919–2002), um dos mais destacados profissionais cariocas da segunda geração de arquitetos modernos brasileiros, seu filho, Claudio Bernardes (1949–2001), e seu neto, Thiago Bernardes, atual diretor do estúdio.


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