Pinturas contemporâneas se destacam em nossa seleção junina de exposições

14 jun 2019, 13h03

Exposições que trabalham o potencial da pintura são destaque em nossa seleção junina, a exemplo de Marina Rheingantz, no Galpão da Fortes D’Aloia & Gabriel (SP), de Luiz Paulo Baravelli, na Marcelo Guarnieri (SP), de Carlos Zilio, na Raquel Arnaud (SP), e de Carlito Carvalhosa, na Silvia Cintra (RJ). Confira essas e outras sugestões em São Paulo e no Rio de Janeiro e aproveite!

 

São Paulo

(1) Marina Rheingantz, no Galpão da Fortes D’Aloia & Gabriel

Em “Todo mar tem um rio”, quatro pinturas de grande formato dão escala ao trabalho da artista, sempre permeado pelo tema da paisagem, seja em cenas de viagens ou recordações da infância, seja em ambientes remotos que tendem à abstração. Nas produções mais recentes, ribanceiras, montes, galhos, ondas e pântanos se confundem com padronagens inspiradas em tapeçarias, sobretudo a marroquina. Em “Fuleragem” (2018), por exemplo, Rheingantz transita entre as diferentes escalas através de pinceladas densas e gestos curtos. A noção de perspectiva dilui-se na tela, borrando os limites entre terra e céu, ao passo que inúmeros pontinhos espalham-se como um bordado. De 1º de junho a 20 de julho.

 

(2) “A noite não adormecerá jamais nos nossos olhos”, na Baró Galeria

No impulso de investigar a pluralidade de pesquisas e práticas artísticas, a coletiva reúne um conjunto de 24 trabalhos produzidos por dezoito mulheres de diversas gerações e diferentes trajetórias – todas em resposta a uma convocatória nacional do coletiva Trovoa e sob curadoria de Carollina Lauriano. Pinturas, fotografias, assemblages, site-specific, performances e instalações – algumas inéditas, pensadas especialmente para a ocasião – refletem sobre questões do corpo e de representatividade no mundo contemporâneo. Participam da mostra Aline Motta, Bruna Amaro, Caroline Ricca Lee, Gabriela Monteiro, Heloisa Hariadne, Igi Ayedun, Juliana Santos, Lidia Lisboa, Luiza de Alexandre, Lyz Parayzo, Mariana Rodrigues, Micaela Cyrino, Monica Ventura, Rebeca Ramos, Renata Felinto, Sheila Ayo, Val Souza e Yaminah Garcia. De 1º de junho a 13 de julho.

 

(3) “Segunda-feira, 4 de junho de 2019”, na Vermelho

Como uma oportunidade de refletir sobre seu acervo e traçar diálogos entre diferentes artistas, a Vermelho apresenta coletiva com trabalhos de onzes de seus representados. São eles: André Komatsu, Carmela Gross, Cinthia Marcelle, Claudia Andujar, Dias & Riedweg, Dora Longo Bahia, Fabio Morais, Lia Chaia, Marcelo Cidade, Marilá Dardot e Rosângela Rennó. Uma intervenção na fachada da galeria feita coletivamente por Fernanda Roriz, Julie Uszkurat, Marina Secaf e Pedro Feris também integra a exposição. De 4 a 29 de junho.

Bônus: Na Sala Antônio, dedicada a trabalhos de videoarte, Rosângela Rennó apresenta “Espelho diário”, videoperformance de 2001, em que a artista elabora uma espécie de diário íntimo por meio de imagens.

 

(4) Miguel Rio Branco, na Luisa Strina

Com cerca de vinte obras, a exposição “Maldicidade” recupera série homônima – que, em permanente construção desde 2014, mostra narrativas e contradições da malha urbana. Todas as obras selecionadas por Miguel Rio Branco mostram a metrópole pulsante, entre exuberância e miséria, entre cores vibrantes e vapores noturnos, entre abstrações poéticas e denúncias francas. A individual na galeria mescla fotos publicadas em 2014 a outras novas, que serão primeiro conhecidas na exposição e em publicação inédita lançada pela Taschen. De 5 de junho a 27 de julho.

Bônus: Aproveite a visita à Galeria Luisa Strina para conferir a individual “El Silencio”, da argentina Magdalena Jitrik. De 5 de junho a 27 de julho.

 

(5) Luiz Paulo Baravelli, na Marcelo Guarnieri

A terceira individual de Luiz Paulo Baravelli na galeria reúne pinturas e objetos produzidos desde a década de 1960 até 2017. Trabalhando a partir da cronologia circular, Baravelli retorna, com alguma frequência, aos seus cadernos de referências e a trabalhos antigos, a fim de reutilizá-los em novas obras, refazê-los ou alterá-los em outros suportes. É o caso das obras apresentadas na mostra que dividem o título de “Paisagem brasileira”, projetadas entre os anos de 1970 e 1972 e executadas somente entre 2016 e 2017. Formado arquiteto e consagrado como pintor, Baravelli costuma explorar o espaço tridimensional, não só no campo físico, mas também no campo virtual de suas pinturas e desenhos. De 6 de junho a 3 de agosto.

Bônus: Renato Rios também protagoniza exposição no espaço da galeria. De 6 de junho a 3 de agosto.

 

(6) Carlos Zilio, na Raquel Arnaud

Em “Fragmentos”, o artista apresenta nove obras produzidas entre 1978 e 1986, momento no qual opta pela pintura como seu principal suporte. Ao privilegiar essa linguagem, Zilio elege a reflexão sobre o ato de pintar como um dos seus principais temas. O que lhe interessa é, sobretudo, a temporalidade que a pintura tem na história da arte e sua potencialidade transhistórica. “Está no passado e no presente, permitindo sucessivas retomadas sempre carregadas de uma alta carga de expressão, e isso que me fascina”, afirma o artista. De 15 de junho a 24 de agosto.

Bônus: Além de “Fragmentos”, a Galeria Raquel Arnaud apresenta outras duas exposições: “Alinhavai”, com pinturas, desenhos, bordados, objetos, esculturas, brinquedos e colagens de Julio Villani; e “Vocabulário para fixar vertigens”, primeira individual do espanhol Raúl Díaz Reyes na galeria. De 15 de junho a 24 de agosto.

 

(7) Pedro Varela, na Zipper Galeria

A representação do imaginário tropical – ou daquilo que se constituiu como discurso dominante em relação aos trópicos – tem sido o principal objeto de investigação de Pedro Varela. Se, em séries anteriores, o artista tratou do tema a partir da monocromia e de uma certa frieza, nas pinturas reunidas em ”Autofágico”, prevalece uma exuberante paleta de cores, muitas vezes dissonante e contrastante. A diversidade cromática reforça ainda a relação de diálogo entre figuração e abstração presente na obra de Varela. “Os trópicos ganham estranheza através destas cores. Em alguns momentos, chegam a ser psicodélicos, com rosas e verdes fluorescentes. Em outros apresenta tons que poderiam estar em pinturas de Guignard, Tarsila do Amaral, Glauco Rodrigues, Segal ou gravuras de Goeldi”, comenta o artista. De 15 de junho a 27 de julho.

Bônus: A convite da curadora Fernanda Medeiros e da artista Romy Pocztaruk, Camila Svenson, Enantios Dromos, Henrique Fagundes e Pedro Ferreira apresentam a coletiva “Crash”, no segundo andar da galeria. Confira!

 

Rio de Janeiro

(8) Carlito Carvalhosa, na Silvia Cintra + Box4

Em “O comércio das coisas”, são apresentadas novas pinturas do artista feitas em óleo e cera, em que Carvalhosa usa os próprios punhos e polegares para manipular o material, criando impressões com sobreposição de cor. Essa produção mais recente remete a uma tipologia desenvolvida no fim dos anos 1980, quando o artista realizou seus primeiros experimentos com cera de abelha e pigmentos – algumas obras do período também integram a exposição. A mostra traz ainda uma nova série de pinturas em alumínio, que deixam de ser monocromáticas como as obras desenvolvidas pelo artista desde o final dos anos 2000 e ganham inusitadas combinações de cor. O óleo sobre o alumínio espelhado cria um tipo de superfície em que a pintura parece flutuar. De 13 de junho a 13 de julho.

 

(9) “Colapso”, na Galeria Athena

Com curadoria do artista Rodrigo Bivar, a coletiva na Galeria Athena reúne trabalhos de oitos nomes de diferentes gerações que fazem uma reflexão em torno da pintura e do desenho. Ana Prata, Bruno Dunley, Cabelo, Débora Bolsoni, Leda Catunda, Paulo Whitaker, Rafael Alonso e Rodrigo Andrade foram os escolhidos por serem alguns dos artistas que ajudam Bivar a pensar seu próprio trabalho – ele também um investigador da técnica pictórica. De 18 de junho a 20 de julho.

Bônus: O português Tomás Cunha Ferreira apresenta ainda a exposição “Panapanã”. De 18 de junho a 20 de julho.

 

(10) Sandra Antunes Ramos, na Mul.ti.plo Espaço Arte

A individual “Costuras” reúne trinta pinturas que misturam tinta a óleo e costura sobre papel. Nas obras, a artista trabalha tanto a questão pictórica, com blocos de cor, um de suas marcas registradas, como rompe com isso, com linhas fluidas costuradas, que remetem ao corpo feminino. Os pequenos formatos também se destacam na produção apresentada. “Essa escala me é familiar e faz muito sentido para o meu trabalho, pois é a escala da mão, da mão que borda, da mão que pinta, da mão que colore compulsivamente até obter uma camada uniforme, quase contrária ao que o material inicialmente propõe”, explica a artista. De 4 de junho a 11 de julho.


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