Picks 365: Camila Yunes

22 ago 2019, 19h

Aproximar os interessados em arte e design das principais galerias do ramo é o objetivo principal da SP-Arte 365. A vitrine digital permite ao usuário navegar por páginas de artistas e obras, compartilhar em suas redes sociais, e até abrir um chat com a galeria para pedir mais informações.

O Picks 365 desta vez ficou a cargo de Camila Yunes. A jovem colecionadora também é fundadora do KURA: plataforma de art advisory e diversos projetos voltados à arte contemporânea.

Confira as indicações!



“O que mais me instiga no trabalho de Mauro Restiffe é o uso da câmera analógica. Hoje vivemos em um mundo cheio de tecnologias avançadas e manipulações de imagem e ele não usa nada disso para realizar o seu trabalho. Outro ponto que me agrada é a sensação temporal que ele cria, espaço e tempo ‘flutuam’,  não sabemos se é passado ou presente. Através dos registros de uma arquitetura moderna, discute a relação do homem com o espaço – que é sempre o seu protagonista – e também revela uma nova percepção do espaço.”



“A partir de intervenções e sobreposições de camadas geométricas ou abstratas nas fotografias capturadas por Alice Quaresma, ela cria uma nova paisagem, uma nova forma de interpretar e enxergar aquela mesma imagem já conhecida por tantos. Alice permeia o sensível e o lúdico. Gosto da sensação de dualidade do trabalho – a documentação do real em consonância com um cenário imaginário criado por ela.”



“Em época de SP-Foto, não posso deixar de falar de um dos mestres da fotografia brasileira e também integrante do Foto Cine Clube Bandeirante, principal núcleo de fotografia moderna no Brasil. Geraldo de Barros foi pioneiro da fotografia abstrata no Brasil, criou novas possibilidades para a fotografia e ultrapassou o campo da representação, fazendo com que a forma fosse sua principal protagonista. Acho lindo o poder que ele tem da abstração da imagem e síntese da forma. Geraldo é um daqueles artistas que revela o invisível aos olhos, captura no detalhe o que está escondido.”



“A matéria-prima para a obra do Ivan Grilo é a fotografia documental, encontrada em diferentes acervos fotográficos. Ele cria a partir da apropriação destas imagens e também de intervenções nelas. Narrativas poéticas que reforçam e discutem a ideia de patrimônio e também de passado, muitas vezes esquecido ou ‘apagado’, surgem deste processo. Gosto da ideia de que, para o artista, o importante não é o instante retratado na imagem, mas sim todas as camadas de significado daquele instante. Ele consegue discutir questões importantes de forma poética.”



“Acho a obra do Marcelo Moscheta muito viva, ele traz elementos retirados da paisagem a fim de integrá-los às suas instalações, causando no espectador um certa sensação de pertencimento e relação com aquele lugar reproduzido em fotografias ou desenhos. Sua obra é composta a partir dos seus deslocamentos por lugares remotos no mundo. É bonito olhar a interpretação dele da relação do homem com a paisagem / natureza.”


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