Nova curadora do Solo, Luiza Teixeira de Freitas compartilha expectativas para a SP-Arte/2016

13 out 2015, 17h51

Um dos destaques das últimas duas edições da SP-Arte, em 2014 e 2015, o Espaço Solo retorna à Feira em 2016 e reunirá galerias interessadas em apresentar obras de um único artista. A curadoria da seção estará a cargo de Luiza Teixeira de Freitas.

Nascida no Rio de Janeiro e com passagens por Nova York, Lisboa e Londres, onde vive, a curadora independente fala sobre sua ampla experiência internacional e as expectativas para a SP-Arte/2016 nesta entrevista. Confira!

SP-Arte: Conte um pouco sobre sua experiência profissional e como você se tornou curadora.

Luiza Teixeira de Freitas: Fiz o meu MFA na Goldsmiths, em Londres, entre 2008 e 2010, anos em que o conceito do curador tomava uma dimensão mais global e em que a profissão se tornava, de certa forma, mais comum. A partir de 2005 aconteceu, sem dúvidas, uma proliferação da profissão. Mas minha relação com arte contemporânea é anterior a isso. Venho de uma família em que a arte sempre foi parte da vida e um denominador comum no cotidiano. Passei minha adolescência muito próxima de artistas, curadores, galeristas, colecionadores, acho que a escolha de trabalhar como curadora acabou sendo bem orgânica.

Depois e durante a Goldsmiths fiz vários estágios: no departamento de curadoria da Tate Modern, onde trabalhei em exposições como a do Cildo Meireles e do Cy Twombly; fui assistente de curadoria na Bienal de Marrakech em 2009; trabalhei muitos anos com galerias (Alexander and Bonin, em Nova York, e Kurimanzutto, no México); também tive várias experiências ligadas a feiras de arte (ARCO, ArtDubai e feiras de livros de artista).

O principal foco da minha pesquisa como curadora é muito ligado ao livro de artista e ao documento. Também tento sempre fazer curadorias de exposições, pois sinto que é uma forma de continuar sempre fazendo pesquisas, trabalhando com artistas, fazendo pontes. Acho que meu prazer enquanto curadora é mesmo esse: quando a arte aproxima as pessoas. Hoje em dia trabalho como curadora independente e com algumas coleções privadas.

SP-Arte: Quais projetos te marcaram? Quais trabalhos mudaram ou aprimoraram o seu olhar?

Luiza: Acho que cada um me marcou de formas diferentes. Acredito que o mais importante foi ter tido todas as experiências. Trabalhei na Tate, que foi super importante para entender uma instituição daquela dimensão, mas depois trabalhei dois anos com a Chisenhale Gallery, que, apesar de ser bem menor, é um dos mais importantes espaços de arte para jovens artistas no mundo. É outro ritmo, outro ponto de vista, outro estilo de trabalho. Ou seja, acho que essa variedade de experiências foi e é o que me faz ser bem compreensiva das várias posições, relações e correntes na arte contemporânea, de uma forma muito internacional.

SP-Arte: Residindo em Londres, como você vê o desenvolvimento e exposição da arte brasileira no exterior?

Luiza: Realmente não posso falar muito de identidade nacional. Saí do Rio de Janeiro com cinco anos de idade e, apesar de voltar todos os anos, morei em Nova York quando criança, cresci em Lisboa e passei os últimos oito anos em Londres. Claro que acompanho o que acontece no Brasil e com arte brasileira, mas acho que minha realidade está num limbo entre culturas, entre países, entre pessoas. No Brasil não sou considerada uma curadora brasileira e em Portugal não sou considerada uma curadora portuguesa… Fica difícil achar uma identidade só.

SP-Arte: Qual a sua expectativa para o Solo da SP-Arte/2016? Você acompanhou o setor e o trabalho dos curadores nas edições anteriores da Feira? Se sim, pretende seguir uma linha diferente no próximo ano?

Luiza: Como mencionei anteriormente, meu maior objetivo é fazer pontes, ligar pessoas, fazer esse intercâmbio de artistas, do trabalho que as galerias estão fazendo. Segui o trabalho feito nos últimos dois anos e acho que vou seguir uma linha muito parecida, vou evitar qualquer aproximação temática, pois acho que seria um pouco redutor. Estou tentando trazer projetos e artistas que sejam relevantes para a cena brasileira e vice-versa, tentando que as pessoas que visitem o setor possam tirar coisas novas do que será mostrado. Muitas galerias vêm de longe e a viagem e a participação na SP-Arte pode ser algo dispendiosa, então um dos meus objetivos é ter a certeza de que cada galeria, cada artista, cada projeto tenha a atenção merecida.

SP-Arte: Você pretende ter um foco de trabalho? Para onde o seu olhar está levando as escolhas dos trabalhos e artistas?

Luiza: Meu único foco é o de trazer projetos que eu considere relevantes para o público que visita a SP-Arte. Estou tentando também trazer galerias que possam se beneficiar de estar em uma zona mais focada da Feira ou que nunca tenham vindo a São Paulo ou ao Brasil.

#sparte2016