Nova curadora do Solo, Alexia Tala explora as múltiplas identidades da América Latina na SP-Arte/2019

04.09.2018 – 14h33

Refletir sobre as múltiplas identidades da América Latina e traçar relações entre narrativas aparentemente desconexas será a missão da curadora chilena Alexia Tala, nova responsável pelo setor Solo da SP-Arte/2019, que acontece entre 3 e 7 de abril, no Pavilhão da Bienal (Parque Ibirapuera), em São Paulo.

“Os estudos pós-coloniais mostram que carregamos até os dias de hoje o peso da visão estrangeira – especialmente a eurocêntrica – na construção da história latino-americana. Nenhum outro lugar alimentou tão fortemente as fantasias e mitos da Europa quanto essa suposta América ‘descoberta’ e ‘inventada’, como bem diagnosticou o historiador mexicano Edmundo O’Gorman”, reflete Alexia.

Para a próxima edição da SP-Arte, a curadora propõe desconstruir a visão estrangeira que a América Latina tem de si mesma, a partir de questionamentos fundamentais. “A seleção dos projetos artísticos para o setor Solo se baseia em perguntas como ‘quem somos?’ e ‘como nos vemos?’. A ideia é inverter esses olhares outros, propondo novos conceitos e desdobramentos críticos a partir da história, da antropologia, da etnografia, da arquitetura e da história cultural”, afirma.

Quatro eixos curatoriais guiam o projeto para o setor: (1) América, terra de oportunidades, cujo objetivo é apresentar artistas que se ocupam em trabalhar as consequências das diferentes formas exploratórias da região; (2) Expedições imaginárias – Medições do invisível, com trabalhos que abordam abstrações do espaço e múltiplas ilustrações do território – imaginário ou real; (3) Homens do paraíso e do inferno, com obras de recorte mais antropológico, que propõem representações da ancestralidade latino-americana e utilizações de técnicas mais tradicionais na atualidade; e, por fim, (4) Cronistas contemporâneos, que exibe projetos desenvolvidos a partir da mescla de estratégias documentais e narrativas poéticas.

 

Alexia Tala

Curadora independente e diretora artística da Plataforma Atacama, Alexia Tala é especializada na pesquisa da arte latino-americana. Mais recentemente, se dedica à curadoria geral da Bienal de Arte Paiz de 2020, na Guatemala, e à publicação de uma monografia sobre a chilena Lotty Rosenfeld. Foi co-curadora da 8ª Bienal do Mercosul – Ensaios de geopoética e da 4ª Trienal Poligráfica de San Juan de Puerto Rico, na 20ª Bienal de Arte Paiz da Guatemala. Escreve também para publicações de arte na América Latina e no Reino Unido, além de ser autora de “Installations and Experimental Printmaking” (UK, 2009).

 

Setor Solo

Criado em 2014, o Solo é dedicado à exibição de projetos curatoriais focados em um único artista. Mais de cinquenta galerias nacionais e internacionais passaram pelo setor nos últimos cinco anos, como Blank (África do Sul), Casas Riegner (Colômbia), Elba Benítez (Espanha), Fragment (Russia), Nara Roesler (Brasil), Richard Saltoun (Inglaterra) e Ruth Benzacar (Argentina).

 

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