Exposições inéditas movimentam mês de outubro em São Paulo

4 out 2019, 12h18

Outubro promete ser um mês movimentado para as artes visuais na cidade São Paulo: diversas galerias, o Instituto Tomie Ohtake e a Pinacoteca do Estado apresentam exposições inéditas. Destaque ainda para a esperada estreia da 21ª Bienal Sesc_Videobrasil, com o tema “Comunidades imaginadas”. Em Porto Alegre, Camila Elis ganha individual na Galeria de Arte Mamute. Confira as aberturas de outubro e aproveite!

 

São Paulo

 

(1) Ascânio MMM, na Casa Triângulo

Com curadoria de Guilherme Wisnik, “Prisma e quacors” apresenta instalações do arquiteto Ascânio MMM, que discutem noções de estrutura e espacialidade. Formas geométricas conhecidas, como a pirâmide, se tornam ambíguas no jogo de montar proposto pelo artista: dependendo do ângulo pelo qual as peças são observadas, elas assumem aspectos mais sólidos ou vazados, dada a profundidade dos perfis utilizados. Construídas segundo princípios claros da arquitetura, tais como perfis modulares, e encaixes, e se utilizando de materiais desse universo, a exemplo de parafusos e estruturas de alumínio, as obras reforçam a relação com o espaço em que se encontram. Não à toa, muitos de seus trabalhos são instalados em ambientes abertos, fora de museus e galerias – no exterior da Casa Triângulo, é possível observar um desses exemplos. De 28 de setembro a 1º de novembro.

 

(2) Mariana Manhães, na Central Galeria

“Montanhas nos assistem em time-lapse” reúne cinco obras inéditas de Mariana Manhães, que as compõe a partir de diferentes suportes, como vídeos, animações e esculturas. Nos trabalhos, objetos feitos de materiais como plástico e tecido ganham inusitada presença ao serem “animados” por máquinas que os fazem inflar, falar ou conversar entre si – uma representação das montanhas mencionadas no título. Com texto de Guilherme Wisnik, essa é a primeira individual da artista na Central Galeria. De 30 de setembro a 16 de novembro.

 

(3) Renata Egreja, na Galeria Lume

Empoderamento é um instrumento de luta social que nasce com uma conscientização profunda de quem somos. A afirmação da escritora Joice Berth norteia a mais recente pesquisa da artista Renata Egreja, produção que nasceu após um período de intensa transformação pessoal, influenciada principalmente pelas ideias feministas e pela maternidade. O resultado é exibido na individual “Certezas transparentes”, exposição inédita que estreia na Galeria Lume, com pinturas – eixo principal do trabalho da artista –, aquarelas e uma instalação participativa. De 2 de outubro a 9 de novembro.

 

(4) Tomie Ohtake, no Instituto Tomie Ohtake

Depois de “Brasa rubor”, a última exposição a ocupar a sala dedicada à artista que dá nome ao Instituto, “Tomie Ohtake: poesia se medita” relaciona a obra de Ohtake com a poesia oriental, sobretudo o haicai. “Como na obra de Tomie, o haicai busca atingir a experiência pela essência da linguagem”, afirma a curadora Luise Malmaceda, do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake. Segundo a curadora, foram selecionadas obras que se estruturam verticalmente, como nos haicais japoneses, assim como gravuras e pinturas de gestos sintéticos e objetivos que por vezes denotam traço caligráfico. O título da exposição “Tomie Ohtake: poesia se medita”, foi retirado de um poema do Haroldo de Campos, em “Teoria e prática do poema” (1952).

 

(5) Carlos Motta, na Vermelho

Primeira exposição individual do artista colombiano no Brasil, “NÓS, X INIMIGX” reúne esculturas, fotografias, vídeos e instalações em que Motta propõe compreender, ressignificar e documentar as condições sociais e as lutas políticas das comunidades de minorias sexuais e étnicas, a fim de desafiar os discursos dominantes e normativos por meio da visibilidade e da auto-representação. Na Sala Antonio, dedicada a vídeos, Motta apresenta “Legacy” [Legado], trabalho que registra uma performance de resistência de trinta minutos em que o artista, usando uma mordaça dentária, olha diretamente para a câmera e tenta repetir uma linha do tempo sobre o HIV / AIDS, de 1908 a 2019, ditada a ele pelo radialista norte-americano Ari Shapiro. Incapaz de falar com clareza, lutando para lembrar as falas e com dor, o artista se esgota gradual e visivelmente. De 8 de outubro a 10 de novembro.

 

(6) 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil, no Sesc 24 de Maio

Com curadoria de Solange Farkas, Gabriel Bogossian, Luisa Duarte e Miguel López, a 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil gira em torno do tema “Comunidades imaginadas” e reúne um amplo acervo de vídeos, pinturas, fotografias e instalações de 55 artistas, oriundos de 28 países. “Comunidades imaginadas” toma de empréstimo o título do clássico estudo de Benedict Anderson para pensar nos tipos de organização social e comunitária que existem para além, às margens ou nas brechas dos Estados-nação. É esse horizonte que se faz presente nas obras de autoria de artistas indígenas ou de povos originários e nas obras que abordam o universo queer, as questões raciais e os conflitos fronteiriços. A Bienal traz ainda o lançamento de duas publicações: um catálogo que ganha contornos de um Livro de Artista, com ensaios de Glagys Tzul Tzul, Bonaventure Ndikung e Erica Moiah; e um o Livro de Leituras, a ser lançado após a realização de seminários promovidos pela mostra.

 

(7) Otto Stupakoff, na MaPa

Pioneiro na fotografia de moda no Brasil, com ensaios publicados em revistas como Harper’s Bazaar, Glamour e Vogue, Otto Stupakoff ganha em outubro individual na Galeria MaPa. A mostra apresenta um lado do artista pouco conhecido pelo público: sua correspondência. Enviadas entre 1965 e 1986, as cartas expostas mesclam textos produzidos na máquina de escrever com traços tipográficos autorais do artista. As colagens, ilustrações e composições presentes nos documentos fazem das correspondências obras de arte únicas. De 10 de outubro a 1º de dezembro.

 

(8) Dalton Paula, na Sé Galeria

De mudança para o bairro dos Jardins, a Sé Galeria estreia seu novo espaço com a individual “Dalton Paula: entre prosa e poesia”, que apresenta uma série inédita de desenhos e instalações com lamparinas, baseados na obra de Debret e Rugendas, em continuidade com a pesquisa do artista em rever a historiografia oficial do Brasil. Além de vencedor do Prêmio Marcantonio Vilaça deste ano, o artista goiano está também em cartaz no “36º Panorama da Arte Brasileira: Sertão”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, no Parque Ibirapuera. Por ocasião da inauguração da nova sede, que se instala em um casarão desenhado por Flávio de Carvalho, na Vila Modernista, o acervo da galeria também estará em exposição. De 19 de outubro a 14 de dezembro.

 

(9) León Ferrari, na Pinacoteca de São Paulo

A Pinacoteca possui em seu acervo cerca de cinquenta obras do artista argentino León Ferrari, muitas delas nunca expostas ao público. Essa mostra conta com uma seleção desses trabalhos, dando ênfase ao aspecto político que marcou a trajetória artística de Ferrari, conhecido por fazer de sua produção uma crítica contundente, seja às instituições de arte, aos sistemas políticos ou à moral vigente nas décadas de 1960 e 1970. E ainda: no mesmo dia, a Pinacoteca estreia outras duas exposições, “Gravura e crítica social: 1925–1956” e “Adrià Julià: nem mesmo os mortos sobreviverão“. De 26 de outubro a 16 de fevereiro 2020.

 

Porto Alegre

 

(10) Camila Elis, na Galeria de Arte Mamute

Com curadoria da pesquisadora Bruna Fetter, a individual “Da alma, e as coisas suspensas” apresenta um conjunto de obras inéditas. São trabalhos em pintura sobre tela, que pensam as fantasias e realidades do sentimento e da sensação, utilizando o mito de Eros e Psiquê, de Apuleio, como referência. “Camila Elis apaixonou-se por uma história e suas diversas representações e, a partir dessa referência conceitual e estética, construiu um universo imagético e sinestésico para lidar com suas fantasias, expectativas e decepções, uma perspectiva visual abstrata do sentimento. Para isso utilizou cores e formas, estruturas e corrosões”, escreve a curadora. De 4 de outubro a 21 de fevereiro de 2020.