Curadora da última edição do Solo, a chilena Alexia Tala volta ao setor na 16ª SP-Arte

14 jan 2020, 14h14

Se na edição de 2019 do setor Solo da SP-Arte o objetivo da curadora Alexia Tala era refletir sobre os impactos do colonialismo nas múltiplas identidades da América Latina, este ano, em meio a crises na região, a chilena avança no debate e propõe um novo olhar sobre a história de dominação sobre o continente. Intitulada “Camadas de tempo”, esta edição do projeto Solo busca refletir sobre como acontecimentos e conceitos da metade do século 20 afetaram a estabilidade e autonomia dessa parte do Sul Global.

“Se tentarmos representar a realidade desta camada de tempo que é a mudança de século, como bem formula Giorgio Agamben, veremos que vivemos em um presente fraturado pela contemporaneidade e, partindo deste nosso lugar como ponto geográfico-cultural problemático, nos encontramos com artistas contemporâneos que exploram as fraturas de nosso tempo através de processos criativos que abordam as múltiplas realidades locais, oferecendo diversas chaves de leitura a contextos e histórias distintos”, afirma o texto crítico da curadora.

A partir da apresentação de artistas contemporâneos da América Latina, Tala busca ainda desmistificar a historiografia da arte tradicional, refletindo assim sobre a construção de nossa história e identidade na contemporaneidade. Com estandes de galerias latino-americanas, o Solo é um dos setores curados da SP-Arte – Festival Internacional de Arte de São Paulo, cuja 16ª edição acontece entre os dias 1 e 5 de abril, no Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera.

 

Alexia Tala

Curadora independente e diretora artística da Plataforma Atacama, Alexia Tala é especializada na pesquisa da arte latino-americana. Mais recentemente, se dedica à curadoria-geral da Bienal de Arte Paiz de 2020, na Guatemala, e à publicação de uma monografia sobre a chilena Lotty Rosenfeld. Foi co-curadora da 8ª Bienal do Mercosul – Ensaios de Geopoética e da 4ª Trienal Poligráfica de San Juan de Puerto Rico, na 20ª Bienal de Arte Paiz da Guatemala. Escreve também para publicações de arte na América Latina e no Reino Unido, além de ser autora de “Installations and Experimental Printmaking” (UK, 2009). Foi a responsável pela última edição do setor Solo da SP-Arte, em 2019.

Setor Solo

Criado em 2014, o Solo é dedicado à exibição de projetos curatoriais focados em um único artista. Mais de cinquenta galerias nacionais e internacionais passaram pelo setor nos últimos anos, como Blank (África do Sul), Casas Riegner (Colômbia), Elba Benítez (Espanha), Fragment (Russia), Nara Roesler (Brasil), Richard Saltoun (Inglaterra) e Ruth Benzacar (Argentina).