Curador Cauê Alves fala sobre história e perspectivas da arte de performance em entrevista

12 nov 2015, 17h34

Ao longo deste mês de novembro, a SP-Arte destaca matérias especiais, grandes nomes e referências da arte de performance. Acompanhe pela hashatg ‪#‎mêsdaperformance no Facebook, Twitter e Instagram e fique ligado nas novidades e mais informações sobre o tema!

O setor de Performance foi um dos destaques da SP-Arte/2015 (veja fotos), fruto de uma parceria com o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e sob coordenação de Cauê Alves.

Fizemos uma entrevista com o curador e coordenador do curso de Artes Visuais da faculdade, que fala sobre o desenvolvimento e o momento atual dessa linguagem artística. Confira!

SP-Arte: Como você define a arte de performance?

Cauê Alves: A performance é um campo amplo e multidisciplinar de ações e registros que ora está mais em voga, ora na contracorrente. Historicamente, o surgimento do que chamamos de “performance” foi marcado, no início do século 20, pela ousadia e luta contra a arte tradicional. A performance promoveu a inter-relação entre teatro, dança, mímica, música, fotografia, pintura, escultura, cinema, e hoje ela é tão ampla e está conectada a tantas linguagens que qualquer definição que a restrinja ou enquadre tende a ser superada rapidamente.

SP-Arte: Existem limites para sua exposição (em museus ou galerias, por exemplo) e comercialização?

Cauê: Existem especificidades, sim, cada artista ou ação tem a sua. Claro que comercializar uma ação não é simples, mas instituições, colecionadores, galerias e artistas encontraram nos últimos anos diversas possibilidades. O fundamental é compreender a temporalidade de cada trabalho, a sua natureza e a relação que cada um estabelece com o registro, a documentação e com a cultura material em geral.

SP-Arte: Quais são alguns artistas que você considera referentes nesse meio?

Cauê: No Brasil ainda acho importante repensar o Flávio de Carvalho e também muitos dos experimentos dos anos de 1960 e 70. Mauricio Ianês, Marco Paulo Rolla e Laura Lima são também referências atuais. Claro que há muitos e muitos outros artistas… Marina Abramovic e Tino Sehgal são, sem dúvida, fundamentais nessa história.

SP-Arte: Qual o papel de performances na disseminação e abrangência da arte contemporânea nos dias de hoje?

Cauê: Acredito que esteja de igual para igual com qualquer outra linguagem. Todas são igualmente importantes, cada uma com sua singularidade. Não penso que exista linguagem mais ou menos contemporânea ou abrangente no campo das artes.

SP-Arte: Como você vê a evolução da arte de performance no Brasil nos últimos anos?

Cauê: Tem crescido muito na universidade e fora dela. Festivais de performance, publicações e discussões têm consolidado a sua importância na cena contemporânea. Mas o mercado ainda é muito conservador em relação à performance.

SP-Arte: Como você imagina o futuro próximo de performance?

Cauê: Vai se desenvolver, se reinventar, se ampliar…

SP-Arte: E sob o ponto de vista universitário e de formação, quem são esses alunos que estão se tornando artistas de performance?

Cauê: Há muitos… Na última edição da SP-Arte o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo apresentou uma ampla programação. Vamos continuar a inserir no circuito outros artistas.

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