Artistas selecionados para a Bienal de Veneza têm trabalhos exibidos na SP-Arte

29 mar 2019, 20h12

Uma das mais tradicionais exposições do mundo, a Bienal de Veneza chega à sua 58ª edição neste ano, a partir de maio. A mostra sediada na cidade italiana se particulariza por condensar dois modelos expositivos diferentes, o de uma mostra geral organizada por um curador convidado e o das representações nacionais, onde um curador de cada país seleciona um ou mais artistas e juntos elaboram um projeto em um dos pavilhões do espaço.

A edição anterior do evento teve o pavilhão brasileiro ocupado por uma mostra individual de Cinthia Marcelle (Galeria Vermelho), que rendeu à artista mineira o título de menção honrosa na premiação. Para este ano, Gabriel Pérez-Barreiro – que foi curador-geral da última edição da Bienal de São Paulo, em 2018 – convidou os artistas Bárbara Wagner (Fortes D’Aloia & Gabriel) e Benjamin de Burca para juntos realizarem um vídeo inédito. O resultado dessa colaboração é “Swinguerra”, filme no qual a dupla retrata disputas entre grupos de dançarinos de swingueira em quadras de periferias do Nordeste.

Por reunir algumas das galerias mais influentes do Brasil e do mundo, a SP-Arte é uma excelente alternativa para quem deseja conhecer a produção de artistas de diversos países que participam da exposição em Veneza. Na lista a seguir, reunimos alguns desses nomes e apresentamos um pouco de suas trajetórias e poéticas. Confira!

 


Bárbara Wagner & Benjamin de Burca – Pavilhão do Brasil (Fortes D’Aloia & Gabriel, Brasil)

Os representantes do Brasil em Veneza despontaram na cena artística há cerca de dez anos. Natural de Brasília, Bárbara Wagner iniciou sua carreira como fotojornalista e nos últimos anos transitou sua prática para as artes visuais. A utilização de luz artificial e do flash são técnicas frequentemente utilizadas em seus retratos e vídeos, que apresentam sujeitos de diferentes classes sociais e manifestações da cultura popular. Parceiros de longa data, Bárbara e Benjamin de Burca têm produzido em conjunto há alguns anos. A dupla já têm um grupo relevante de filmes em seu portfólio, como “Estás vendo coisas”, de 2016, comissionado para a 32ª edição da Bienal de São Paulo, e “Terremoto santo”, de 2017, selecionado na edição 2018 do Festival de Berlim.

 


Laure Provoust – Pavilhão da França (Lisson Gallery, Londres, Nova York e Shanghai)

A terceira artista mulher a assumir o pavilhão francês na história da Bienal de Veneza, Laure Provoust trabalha com diversas técnicas e suportes como pinturas, instalações e, principalmente, vídeos. Seu ponto de referência é a linguagem, que ela problematiza e embaralha em trabalhos que confundem ficção e realidade. Um deles, “Wantee”, de 2013, a fez receber um dos principais prêmios de artes visuais da Europa, o Turner Prize. Quando trabalha com instalações, costuma realizar obras imersivas, com cenografias bem construídas que se relacionam diretamente com seus vídeos.

 


Leonor Antunes – Pavilhão de Portugal (Luisa Strina, Brasil)

Os projetos da portuguesa radicada em Berlim, Leonor Antunes, costumam se relacionar com locais nos quais são instalados. Suas esculturas e instalações apresentam referências ao pensamento moderno da arquitetura e design, mas conservam certa artesania no modo de fazer, interessando principalmente a maneira com que o público sente e interage com as obras. Seu projeto para o pavilhão português de Veneza se utiliza de referências dos universos da arte, design e arquitetura para questionar as funções dos objetos cotidianos.
Além da Bienal, Antunes ganha no final do ano uma exposição monográfica que acontece simultaneamente no Masp e na Casa de Vidro, ambos projetos da arquiteta Lina Bo Bardi. No Brasil, a artista é representada pela galeria paulistana Luisa Strina.

 


Yamandú Canosa – Pavilhão do Uruguai (Galería Zielinski, Espanha)

Artista selecionado para representar o Uruguai na Bienal de Veneza, Yamandú Canosa integra o setor Masters da SP-Arte 2019. Trata-se de uma ótima oportunidade para o público brasileiro apreciar um conjunto de seus trabalhos, reunidos na exposição curada por Tiago Mesquita. Nascido em Montevidéo, Canosa trabalha com diferentes técnicas, de fotografia até colagens. Um de seus principais interesses é a investigação da paisagem em campo ampliado, conceito que abarca desde seu interesse formal em construir planos horizontais e verticais, bidimensionais e tridimensionais, até utilizar os conceitos de horizonte e limite demográfico para discutir termos como migração e identidade cultural.

 

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