
SP-Arte Rotas 2026
SP-Arte Rotas 2026 celebra resultados positivos e acima das expectativas diante de um cenário desafiador
Feira reuniu 78 expositores, com obras vendidas por 95% das galerias participantes
Imagens em: www.flickr.com/photos/sp-arte/albums/
A SP-Arte Rotas encerrou sua 5ª edição com presença de compradores interessados e qualificados. Realizada entre 26 e 30 de agosto, na ARCA, em São Paulo, a feira reuniu 78 expositores, entre galerias, projetos convidados e museus, com vendas registradas pela ampla maioria das galerias. O resultado reforça o papel do Rotas como como espaço de formação de público para o mercado de arte e plataforma de circulação de artistas, ideias e obras.
A presença internacional também ganhou força nesta edição. Participaram galerias da Argentina (Barro, Isla Flotante e W—galería), do Uruguai (Galería Sur), da Colômbia (Casa Zirio) e da Itália (Orma, em parceria com a brasileira MaPa). A ampliação do diálogo com a América Latina esteve também no setor Mirante com curadoria do diretor artístico Bernardo Mosqueira.
Galerias destacam vendas e novos colecionadores
Os resultados comerciais ocorreram em diferentes faixas de preço e, em vários casos, foram acompanhados por negociações que seguiram em andamento após o encerramento da feira. Para os expositores, o Rotas também funcionou como uma plataforma de aproximação tanto com colecionadores habituais quanto com novos compradores, curadores e instituições.
A Lima avaliou o resultado como positivo nos dois aspectos. Além do contato com curadores e colecionadores institucionais, a galeria registrou compras de colecionadores habituais e de pessoas que estavam adquirindo obras de arte pela primeira vez. Gabriel Arcanjo teve as seis obras expostas vendidas, além de uma obra adicional; Lysmark Lial vendeu quatro trabalhos dos sete apresentados, com uma quinta em negociação; e também houve vendas de Thiago Martins de Melo, Bárbara Savannah e Gabriel Lopes.
“Para uma feira como o Rotas, é muito importante que a galeria chegue com um projeto bem amarrado, com uma pesquisa consistente, mas que também seja capaz de despertar o interesse de públicos diferentes. Precisamos falar tanto com quem já coleciona e tem um olhar mais experiente quanto com quem está começando a construir uma coleção. O Rotas tem essa característica de aproximar novos públicos da arte e do mercado, e isso é muito importante para nós”, afirma Marco Antonio Lima, da Lima Galeria.
Na Paulo Darzé, o projeto de pequenos formatos combinou artistas jovens com nomes consagrados, como Nádia Taquary, Ayrson Heráclito, Emanoel Araújo, Antonio Dias e Almandrade. Segundo Thais Darzé, o maior movimento ficou concentrado justamente nos artistas jovens. “O colecionador vem com outro olhar: quer descobrir artistas jovens, novidades e trabalhar com outro tíquete. Também é uma oportunidade de formação de público e de conquista de novos colecionadores.” Ao final da feira, a galeria havia fechado 54 negócios.
A Claraboia também registrou resultado expressivo, com mais de 40 obras vendidas em sua primeira exposição do novo núcleo de artistas representados. Rafael Kamada e Hugo Sá tiveram sold out. “Eram dois artistas que estrategicamente queríamos apresentar ao público, e conseguimos fazer isso de uma forma consistente. O feedback e o resultado foram muito interessantes”, afirmou Nathália Lima, diretora da galeria.
A Almeida & Dale informou ter ido além das expectativas, além de manter negociações em andamento no pós-feira. “Superamos as metas estabelecidas e saímos muito satisfeitos. Além das vendas realizadas durante o evento, foi importante estabelecer novas conexões e aprofundar conversas com colecionadores que seguem em andamento. Estamos bastante confiantes no pós-venda e acreditamos que uma parte importante dos resultados ainda vai se concretizar nas próximas semanas”, afirma Antonio Almeida, diretor da galeria.
Entre os expositores estreantes, a Gruta destacou o desempenho comercial já nas primeiras horas. Uma obra de Junia Penido, de 2x2m, foi vendida por R$ 55 mil, seguida por mais duas obras da artista. A galeria também vendeu três obras de Alberto Lamback, sete de Gabriela Stragliotto, três de Paulo Agi e uma escultura de Gianfranco Briceño, a obra de maior valor do estande.
A Lume informou que as vendas ficaram em torno de R$ 200 mil, com Clara Moreira liderando em volume e Florian Raiss em valor — todos os desenhos de Clara foram comercializados. No segundo estande, realizado em parceria com Silvia Cintra+Box4 e dedicado inteiramente ao artista Nazareno, o valor chegou em aproximadamente R$ 400 mil.
Na argentina Isla Flotante, que apresentou um solo de Tobias Dirty (ganhador do II Prêmio Meca SP-Arte) quase metade das obras expostas foi vendida, sobretudo trabalhos de tamanho médio, somando cerca de R$ 70 mil. A Galatea comercializou oito obras de Romildo Rocha e mais de 50 velas de Zé di Cabeça, além de outras peças do projeto expositivo.
O projeto Novos Para Nós, presente desde a primeira edição, vendeu cerca de um terço das obras apresentadas e avaliou positivamente o encontro. “Uma palavra define o conjunto: coragem, da organização como um todo e de cada expositor. O formato é ideal para transitar e entender os projetos", afirmou Renan Quevedo, diretor da galeria.
A Casa do Povo, projeto convidado, vendeu um conjunto de 38 pinturas feitas por artistas maxakali para o Instituto Paz, além de duas obras para o REC Cultural, centro cultural previsto para abrir no Marco Zero, no Recife Antigo, em Pernambuco. Diversos colecionadores se interessaram em adquirir mais obras, que estão sendo negociadas pela Casa do Povo junto à Aldeia-Escola-Floresta. "Para os maxakali, o objetivo é muito mais do que vender obras. É antes de tudo tornar sua cultura conhecida no mundo não indígena e conseguir recursos para o território", declara Benjamin Seroussi, diretor da Casa do Povo.
Outro projeto convidado que também teve êxito foi a Ocupá, espaço criado por Jonathan Gomes que busca criar pontes entre a Zona Sul carioca e artistas de territórios periféricos do Rio de Janeiro. Ao todo, foram 31 obras vendidas.
Programação
O Palco SP-Arte promoveu conversas entre artistas, curadores, colecionadores e outros agentes do setor entre os dias 27 e 29 de agosto. Com programação desenhada por Tamara Perlman e aberta a todos os visitantes, os encontros reuniram nomes como Ayrson Heráclito, Carmela Gross e Júlia Rebouças, aproximando discussões sobre produção artística, mercado, circulação e questões culturais contemporâneas. A agenda contou ainda com a presença especial de Maribel López, diretora da feira de arte ARCO Madri, e que assume a partir de outubro de 2026 a Fundação Miró, em Barcelona.
“A SP-Arte realmente me encantou. A ideia de analisar uma cena tão rica — ou cenas tão ricas — como as do Brasil, que por si só já constituem uma cena continental, com tantos matizes, tantas diferenças e tantas maneiras de se aproximar da criação artística, é muito interessante. Acho que isso é muito importante porque também oferece a possibilidade de aprofundar conteúdos e de compartilhá-los de uma maneira muito, muito aberta com os convidados, os visitantes e os colecionadores”, disse Maribel López.
Para a curadora Eungie Joo: “parece ser um momento especialmente interessante para a produção artística no Brasil e para as formas como ela vem sendo contextualizada. Com o surgimento de novas vozes em nosso campo e os frutos de anos de trabalho de nossos colegas ganhando visibilidade em grandes exposições por todo o país, nossa compreensão das histórias interconectadas da arte visual, da cultura material e das práticas espirituais está sendo transformada. Este é um momento significativo para olhar — uma vez mais, e outra vez — para tudo isso.”
Segundo Jennifer Inácio, do Pérez Art Museum Miami, uma das grandes forças do Rotas está na pluralidade de linguagens, histórias e perspectivas que atravessam a produção brasileira hoje. “Nesta edição, foi muito especial rever obras da Adriana Varejão na Flexa, do Antonio Henrique Amaral apresentadas por Bernardo Mosqueira no setor Mirante e descobrir o trabalho de Romildo Rocha, apresentado pela Galatea, que parte de referências da cultura maranhense. Também me encantaram desenhos de Tobias Dirty, apresentados pela Isla Flotante, que é uma galeria originalmente da Argentina. Gosto ainda de como a feira amplia esse olhar para além do Brasil, com a presença de galerias latino-americanas, reforçando nossas afinidades culturais e nossa conexão com a produção e o mercado da região. Em um circuito internacional cada vez mais globalizado e, por vezes, homogeneizado, acho muito importante termos uma feira que valorize esses diálogos.”
Mirante e direção artística
Em sua primeira edição à frente da direção artística da SP-Arte Rotas, Bernardo Mosqueira assinou a curadoria do Mirante a partir da ideia de paisagem expandida. No centro da feira, o setor reuniu trabalhos em que memória, ecologia, espiritualidade, política, história e imaginação se entrelaçaram, propondo diferentes modos de pensar as relações entre seres humanos, territórios e formas de vida na América Latina. As obras expostas no Mirante tiveram grande sucesso comercial, com todas as pinturas do ítalo-argentino Alfredo Spampinato vendidas, assim como uma tela de Amadeo Lorenzato e uma de Eleonore Koch, além de obras de Thiago Martins de Melo.
Imagens em alta: https://flic.kr/s/aHBqjD1cjR
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