SP-Arte 2026
Histórico

SP-Arte 2026

SP-Arte celebra sua 22ª edição com sucesso de público e vendas e consagração do setor de design

A feira de arte e design recebeu 35 mil visitas, registrou vendas expressivas e confirmou a área de design — que completou dez anos na feira — como um dos principais vetores de crescimento do evento


Fotos: https://www.flickr.com/photos/sp-arte/albums/


Abril de 2026 - A 22ª edição da SP-Arte, encerrada no último domingo, 12 de abril, registrou 35 mil visitas, confirmando o interesse crescente do público por arte e design contemporâneos. A feira reuniu 180 expositores entre galerias nacionais e internacionais, estúdios de design, editoras, instituições culturais e espaços independentes. Galeristas relataram vendas consistentes e negociações em andamento, refletindo um ambiente de negócios ativo ao longo de toda a semana.


Durante os cinco dias de evento, circularam pela feira colecionadores, curadores, artistas, designers, arquitetos e profissionais do setor, reforçando o papel da SP-Arte como uma das principais plataformas de encontro e negócios do circuito artístico na América Latina. Entre os aspectos mais destacados pelos expositores está o alto nível de qualidade das obras apresentadas, o perfil qualificado dos compradores, com presença significativa de novos colecionadores, muitos deles jovens, informados e atentos à produção contemporânea, e a percepção de renovação do circuito, com artistas, designers e galerias jovens expondo na feira.


A edição também foi marcada por um crescimento e pela diversificação das marcas parceiras presentes, especialmente empresas ligadas aos setores de arquitetura, design e mercado imobiliário. Esse movimento dialoga diretamente com os dez anos do setor de design na SP-Arte, que ao longo da última década se consolidou como um dos eixos de expansão do evento, fortalecendo o diálogo entre criação autoral, indústria e mercado e ampliando as conexões entre arte, design e outras áreas da economia criativa.


A próxima edição da SP-Arte já tem data marcada e acontecerá de 7 a 11 de abril de 2027. E ainda neste ano, o calendário inclui a quinta edição da SP-Arte Rotas, de 26 a 30 de agosto de 2026, na Arca, na Vila Leopoldina, também em São Paulo.


Convidados internacionais

A 22ª edição da SP-Arte contou com forte presença internacional, reunindo cerca de 100 convidados estrangeiros entre dirigentes de museus, colecionadores, curadores e art advisors. A lista incluiu representantes da América do Sul, Europa, Estados Unidos e Oceania, com nomes relevantes do circuito global.


Entre os destaques está Brinda Kumar, curadora associada de arte moderna e contemporânea do Metropolitan Museum of Art e que visitou o Brasil pela primeira vez. Também participou Will Palley, vice-presidente dos jovens patronos do Museum of Modern Art e membro do conselho contemporâneo do Solomon R. Guggenheim Museum, que retornou à feira após a sua participação em 2025.


A programação reuniu ainda Mari Carmen Ramírez, do Museum of Fine Arts Houston; Jennifer Inacio, do Pérez Art Museum Miami; e Robert Braun, diretor do Museum of Latin American Art, de Los Angeles - MOLAA. O evento também recebeu patronos internacionais e grupos convidados por iniciativas oficiais como Latitude/ABACT e SP Negócios, reforçando a vocação global da feira e seu papel como plataforma de conexão entre o mercado brasileiro e o circuito internacional.


Prêmios

Durante a 22ª edição da SP-Arte foram anunciados os vencedores de quatro premiações voltadas ao reconhecimento da produção artística e do design contemporâneo.


A Sauer realizou a entrega do Sauer Art Prize, que reconhece artistas promissores da cena contemporânea. O vencedor desta edição foi Gabriel Branco, artista visual nascido em São Mateus, na zona leste de São Paulo, representado pela Galatea. Transitando entre fotografia analógica e pintura, sua produção se ancora na vivência urbana periférica e em dimensões subjetivas da experiência cotidiana.


Em sua segunda edição, o Prêmio Arauco SP-Arte de Inovação e Sustentabilidade premiou o designer Érico Gondim, participante do setor Design NOW. Com pesquisa voltada à economia circular, Gondim apresentou uma linha de mobiliário autoral desenvolvida a partir de tubos e conexões descartados da infraestrutura urbana. Como parte da premiação, o designer recebeu uma viagem à feira Interzum, na Alemanha, em 2027, além de um espaço próprio na próxima edição da SP-Arte.


Também em sua segunda edição, o Prêmio Artefacto Melhor do Design reconheceu o Estúdio Prosa, formado por Júlia Rovigo e Gabriel Pesca, pelo trabalho que articula artesania e linguagem contemporânea, marcando a estreia dos expositores de Itajaí (SC) no evento.


Já o Prêmio MECA SP-Arte ABACT 2026, entregue na SP-Arte pela primeira vez, foi concedido à artista Rafael Chavez, representada pela Casa Triângulo. Autodidata e oriunda da região da caatinga, no sertão da Paraíba, a artista desenvolve uma produção que investiga as interseções entre corpo, paisagem, espiritualidade e território, consolidando-se como um dos nomes em destaque na cena contemporânea.


Vendas

O sucesso comercial foi constatado por diversos galeristas. A DAN Galeria registrou vendas relevantes. “Vendemos uma pintura de Di Cavalcanti, um desenho da Tarsila do Amaral, uma escultura de Leon Ferrari, duas obras do Volpi e obras de Denise Milan, Senk, Teodoro Dias, Cabral e temos outras encaminhadas. Sobre o afresco do Volpi: temos algumas pessoas estudando, mas ainda não fechamos”, afirmou Flavio Cohn.


A Danielian destacou a boa performance tanto de nomes contemporâneos quanto históricos. “Ficamos felizes com a venda de diversos artistas contemporâneos na feira, como Ana Neves, Álvaro Seixas e Ottavia Delfanti, além das vendas de obras de artistas históricos como Guignard, Cícero Dias e Lygia Pape, entre outros”, afirmou Luiz Danielian.


A Mitre avaliou positivamente sua participação, mesmo dividindo esforços com a Expo Chicago. “Este ano vivemos uma experiência inédita ao atuar simultaneamente em duas feiras. Sentimos um ritmo mais aquecido nos dois primeiros dias, com a geração novos contatos. Nossa meta de vendas está 20% acima da do ano passado e acredito que, no pós-feira, conseguiremos alcançá-la. Vendemos trabalhos de artistas como Wallace Pato, Luana Vitra, Ayla de Oliveira, Davi de Jesus do Nascimento e Manauara Clandestina. Os valores foram entre $5 mil e $30 mil por obra”, afirmou Rodrigo Mitre.


Paulo Kuczynski realizou vendas de alto valor durante a edição. “Fizemos vendas expressivas, com valores entre R$ 1 e 2 milhões, de Eleonore Koch, Guignard, Di Cavalcanti e Volpi”, afirmou o galerista.


Na Raquel Arnaud, o desempenho também foi consistente, com ampla variedade de artistas comercializados. “Vendemos obras do Sergio Camargo, Beth Jobim, Julio Villani, Marina Weffort, Carla Chaim, Maria Carmen Perlingeiro, Shirley Paes Leme, Gisela Colon, Amílcar de Castro, Célia Euvaldo e Iole de Freitas. Os preços variaram entre R$ 20 mil e R$ 600 mil”, afirmou Myra Arnaud.


A Fortes D'Aloia & Gabriel, que comemora seu aniversário de 25 anos neste ano, relatou sua melhor participação na feira, com venda de obras de todos os artistas, incluindo para novos colecionadores que conheceu no evento.


Na Zipper Galeria, o destaque foi o desempenho da artista Janaína Mello Landini “Tivemos sold out das obras [da Janaína Mello Landini] que trouxemos para a feira. Os valores ficaram entre R$ 140 mil e R$ 220 mil”, afirmou Lucas Cimino.


A Galatea registrou vendas significativas de artistas modernos e contemporâneos. “Vendemos cinco trabalhos de Rubem Valentim, uma obra de Antônio Dias, uma de Ivan Serpa, além de trabalhos de Allan Weber. As obras de Rubem Valentim dos anos 1960 foram comercializadas na faixa de R$ 1,5 milhão, enquanto trabalhos dos anos 1970 ficaram em torno de R$ 300 mil; obras de Ivan Serpa chegaram à casa de R$ 1 milhão e uma pintura de Antônio Dias foi vendida por R$ 500 mil”.


A galeria Leonardo Leal, de Fortaleza, teve um faturamento 25% maior em relação ao ano passado, com vendas de mais de 50 obras.


A Cave, também de Fortaleza, vendeu todas as obras da artista Navegante Tremembé no projeto solo que apresentou em parceria com a paulistana Estação. No estande individual da Cave, fizeram sucesso as pinturas de Rita Lessa, todas vendidas.


A Darzé Galeria, de Salvador, destacou vendas concentradas e negociações em andamento. “Vendemos sete obras do Ayrson Heráclito [artista que estará em destaque na Bienal de Veneza deste ano] e estamos em um processo de finalização de uma obra importante do Abdias Nascimento e uma do Mestre Didi”, afirmou Thais Darzé.


Marco Antônio Lima, galerista da Lima, de São Luís, responsável por apresentar artistas da região Norte e Nordeste, vendeu 23 obras, superando expectativas e aumentando o faturamento em 56% em relação ao ano passado.


Entre as galerias internacionais, a Piero Atchugarry Gallery, do Uruguai, destacou o interesse gerado durante a feira. “Fizemos excelentes contatos e daremos continuidade às negociações no pós-evento, principalmente com obras do Pablo Atchugarry”, afirma Piero Atchugarry.


A argentina Pasto Galería celebrou o retorno à feira após uma década. “Voltamos à SP-Arte depois de dez anos. O público gostou muito do estande e se interessou pelos artistas que trouxemos. Vendemos duas das maiores peças do painel de azulejos de Iosu Aramburu e tivemos um resultado muito bom”, comenta César Abelenda.


A nova iorquina Emmanuelle G Contemporary também avaliou positivamente o evento. “A feira teve um bom desempenho, com vendas mais concentradas durante a semana. Entre os destaques, a escultura Head in the Cloud, de Laurence Perratzi, foi vendida e teve grande repercussão junto ao público. Também houve interesse pelas tapeçarias do artista indiano Parvaze e pelas obras da brasileira Fabiana Pretti”, destaca Maria Antonieta Leninger.


Design

Um dos principais destaques da edição foi a consolidação do setor de design, que ao completar dez anos de presença na feira ganhou ainda mais protagonismo. A ampliação da participação de expositores e a diversidade de propostas apresentadas evidenciaram a maturidade do segmento, além do crescente interesse de colecionadores por peças que transitam entre o funcional e o escultórico.


O setor celebrou sua 10ª edição com nova área dedicada ao mobiliário e seus criadores, o Design NOW, instalado no terceiro andar do Pavilhão da Bienal. Reunindo dez estúdios — nove deles estreantes na feira —, o espaço apresentou um recorte da cena independente do design brasileiro, marcada por profissionais que, além de desenvolverem seus projetos, também conduzem seus próprios negócios, sem o respaldo de grandes estruturas industriais e comerciais. Com curadoria de Livia Debbane, a seção evidenciou um modelo de produção associado ao crescimento do design autoral no Brasil.


As comemorações de bons resultados se estendem ao setor e os expositores reforçaram o impacto da feira como plataforma de visibilidade e negócios. É o caso do estreante Jay Boggo: “Saio daqui muito satisfeito. Posso dizer que existe um Jay Boggo pré e outro pós SP-Arte. O retorno e a receptividade foram muito especiais”, afirmou, já confirmando participação na próxima edição.


O Estúdio Sette7, dirigido pela arquiteta e designer Vivian Coser, destacou a ampliação de conexões. “A feira foi essencial para ampliar nosso networking e aproximar conversas que já vínhamos tentando estabelecer. Reuniu compradores, formadores de opinião e especificadores, permitindo apresentar a marca a um público diverso e fortalecer relações com lojistas. Saímos com um saldo bastante positivo”, afirmou Marcos Lira.


Para a Itens, que comemorou dez anos na edição – nove deles participando da feira –, a SP-Arte consolidou sua importância estratégica. “Observamos a chegada de novos visitantes, do Brasil e do exterior, ampliando o reconhecimento da marca. Mais do que vendas, a feira é uma plataforma de relacionamento e posicionamento”, afirmou Mariana Amaral.


A estreia do Estúdio Prosa superou as expectativas. “Desde o primeiro dia, a feira revelou sua potência, gerando reconhecimento técnico, estético e conceitual do nosso trabalho. Além de novos clientes, abrimos frentes com parceiros e ampliamos contatos com a imprensa. O Prêmio Artefacto Melhor do Design foi especialmente significativo”, afirmou Gabriel Pesca da Rosa.


Para Lucas Recchia, a SP-Arte 2026 marca o melhor resultado do estúdio até hoje. “As vendas do primeiro dia superaram todo o resultado da nossa participação no ano passado, o que vemos como um reflexo claro de um amadurecimento do olhar do colecionador brasileiro, cada vez mais sensível ao mobiliário como objeto de arte”, comentou o designer.


Participante do Design NOW, Érico Gondim, vencedor do Prêmio Arauco SP-Arte de Inovação e Sustentabilidade, destacou o alcance da participação. “Foi uma oportunidade especial de mostrar o potencial do design a partir da sustentabilidade e do uso de materiais muitas vezes despercebidos. O grande destaque foi o networking, com conexões relevantes com pessoas e empresas alinhadas a esse viés. Ter ganhado a premiação ampliou ainda mais essa visibilidade.”


Doações

A 22ª edição da SP-Arte também foi marcada por relevantes doações institucionais, que contribuíram para a ampliação de acervos públicos. A Pinacoteca de São Paulo recebeu oito obras: o Iguatemi doou a obra Pelanca (2025), de Gabriela Mureb, da Galeria Central, e um vídeo de Gabriel Massan, representado pela Yehudi Hollander-Pappi; uma pintura de Aurelino dos Santos, de 1978, adquirida na Galeria Estação e doada por colecionadores; um trabalho recente de Fabio Miguez, cedido pela galeria Nara Roesler; uma obra de Rose Afefé, representada pela galeria A Gentil Carioca; e um trabalho de Iris Helena, da galeria Portas Vilaseca. Já o Museu Nacional de Belas Artes incorporou ao seu acervo um óleo sobre tela de Anita Malfatti, do início do século 20, doado por um colecionador privado. As iniciativas reforçaram o papel da feira como articuladora entre mercado, colecionadores e instituições, promovendo a incorporação de obras relevantes ao patrimônio público.


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