Uma coisa leva à outra
A recente produção de Fernanda Pompermeyer (1993, Curitiba, Paraná) se localiza em um “espaço-entre”, uma linha tênue que separa e, ao mesmo tempo, integra a vastidão do universo astronômico e a pequenez do mundo terreno. A artista nos apresenta formas como nuvens, estrelas e cometas que, quando agrupadas, resultam em peças que figuram corpos celestes, constelações, galáxias e cenas um tanto oníricas. Mas há também um interesse pela delicadeza do mundano, por esse universo miúdo e vivo, composto por paisagens onde convivem animais, flores e frutos. Para criar essas peças, que remetem tanto ao que há de mais grandioso e infinito quanto àquilo que nos é próximo e cotidiano, a artista se utiliza da visualidade do banal e do acessório: o universo do bibelô, do ornamento, daquilo que não tem função alguma além de adornar. Mas, enquanto o bibelô, como o conhecemos, nasce de um processo de produção massificado que tem como objetivo criar peças uniformizadas, Pompermeyer busca imprimir na cerâmica a sua gestualidade, ressaltando a imperfeição das marcas do fazer manual que o processo industrial tende a planificar. Por isso, suas peças se constituem a partir de fragmentos, cacos e pequenas peças que são trompe-l’œil de louças quebradas, que a artista utiliza em encaixes, recompondo-as até criar imagens complexas, de dimensões variadas.

Endereço
Rua Brigadeiro Galvão, 996, Luis Maluf Barra Funda
São Paulo, Brasil - Brasil
