Sobre a Transitoriedade
luz e sombra. abundância e escassez. silêncio e caos. estabilidade e transformação. permanência e mortalidade. <br><br> contemplar a natureza é abrir janelas para dualidades. é abrir janelas para potências e desamparos, quando exuberância e finitude se mostram de mãos dadas. e, diante da intransigência do tempo, fazem nascer poesia. <br><br> poesia essa que pode ganhar corpo em papel e madeira, entre verdes e marrons, densidades e transparências, revelações e ocultações – elementos que a artista beatriz monteiro articula para nos convidar a um mergulho no mistério da vida, da morte e daquilo que, transformado, permanece. o papel e a madeira, em si transmutações de elementos naturais, interagem com representações fotográficas da natureza selvagem, a qual, deste modo, revela-se presente e ausente a um só tempo. <br><br> em seu texto “sobre a transitoriedade” – que inspirou o título desta exposição – freud descreve um passeio pelo campo na companhia de um poeta, que afirmava-se triste pela constatação de que toda aquela beleza natural que observava, assim como toda a beleza criada pelos homens, estaria fadada à extinção. diante disso, freud propõe que, ao contrário, a preciosidade da vida e da beleza repousa em sua fugacidade: “a limitação da possibilidade de uma fruição eleva o valor desta fruição”. e prossegue afirmando que a beleza é determinada pela significação que tem para a vida emocional, de modo que sobrevive enquanto significar algo para alguém <br><br> em suas construções para tensionar a transitoriedade do mundo, beatriz monteiro dá sua contribuição para que a beleza – da arte e da natureza – sigam eternas para quem contempla suas obras. <br><br> sylvia sanchez

Endereço
Rodovia Castelo Branco, ARTEFORMATTO Fazenda Boa Vista
Porto Feliz, Brasil - Brasil






















