Entre Retas e Curvas: Um Olhar Sobre o Arquivo de Carlos Zilio
Um arquivo pode representar uma dimensão de poder e, ao mesmo tempo, constituir-se como zona criativa de conflitos. Em sua trajetória, Carlos Zilio percorre caminhos delineados tanto por momentos de tensão quanto por experiências marcadas pelo humor, pelo absurdo e pela fabulação. No modo como observamos e apresentamos parte de seu arquivo pessoal, percebemos que as linhas retas operam como fios esticados, prestes a se romperem, enquanto as buscas ensaísticas se manifestam em formas curvilíneas, elaboradas processualmente. Entre o conflito, motor político necessário para o exercício da liberdade, e a tentativa de equilíbrio em um espaço em disputa, Zilio nos ensina repetidamente a importância de caminhar a partir da instabilidade, dos deslizes e das quedas. Do mesmo modo que relaciona o homem, a tensão e o desequilíbrio em uma mesma linha de seu pensamento, Zilio nos informa que o espaço da pintura, além de ser tela, é ponto de partida para um punhado de ideias, desenhos, rabiscos, esquemas e recortes. Abre-se, então, lugar para indagações nos cantos e nos interstícios das páginas de seus cadernos. Em formas de listas, poemas ou prosas especulativas, suas anotações ocupam, em pé de igualdade, os espaços destinados aos esboços e projetos para suas obras, muitas vezes não realizadas. Os documentos refletem sobre as possibilidades de se pensar a prática artística para além de seu campo formal, em diálogo com outros artistas, com a história da arte e com a educação. Nesse olhar sobre o arquivo de Zilio, apresentamos caminhos consonantes com sua obra, a serem percorridos em linhas retas ou curvas, conforme os passos e as escolhas de cada visitante. Ande 66 passos em linha reta. Pare. Rearranje-se. Ande 32 passos em linha curva. Repita o processo. É possível recomeçar?

Endereço
Avenida Doutor Arnaldo, Instituto de Arte Contemporânea - IAC
São Paulo, Brasil - Brasil