Eleonore Koch - Não são coisas do cotidiano, só parecem
Ao longo das quase duas décadas em que Eleonore Koch se radicou em Londres – de 1968 a 1989 –, período ao qual remonta a maior parcela de seus trabalhos aqui reunidos, a artista atuou, em paralelo a sua produção artística, como intérprete e tradutora na Scotland Yard, sede central da polícia metropolitana da capital britânica. Nas salas de interrogação e nos corredores da antiga sede (hoje demolida), fazendo as vezes de ponte comunicativa entre acusados e acusadores, investigados e investigadores, teve a chance de ver a humanidade em toda a sua diversidade, o que não pouco deve ter lhe adicionado de conhecimento humano. A imagem da artista prestes a adentrar numa sala de interrogação ainda vazia, porém pejada de incontáveis presenças e dramas anteriores àquele momento, parece ser um bom lugar – pelo que ele nos sugere das bifurcações sensíveis presentes na obra de Koch – desde onde lançarmos um rápido olhar sobre os desenhos, estudos e têmperas incluídos nesta publicação. Pois, não obstante o contínuo apontar do silêncio e da quietude de sua obra por todos aqueles que dela se ocuparam, parece certeiro dizer que sua sensibilidade se apresenta mais completamente na percepção da angustiada tensão de suas pinturas – despovoadas cenografias de dramas no limiar de um desenrolar. Ausentes por completo da presença humana, seus trabalhos ainda assim apontam para a possibilidade de um acontecimento; há neles a sugestão de um atuar.

Endereço
Alameda Lorena, Paulo Kuczynski Galeria de Arte
São Paulo, Brasil - Brasil



