Bem debaixo dos meus ossos
Bem debaixo dos meus ossos Tudo que desaparece hematoma púrpura quase preto com sua orla vermelha terceiro dia, ocre manchado de azul Um bloco de ferro esperando o musgo crescer Redes de proteção para um esqueleto de concreto Um pedaço de vermelho trancava o azul exposto ao tempo Um sol manchado de outono Mudando as estações em seu radinho o som formigava em seus membros Uma fotografia antiga fora de foco retirada de um lugar longe daqui onde? Esperando de madrugada sem conseguir respirar a medição do oxigênio em seu sangue Aprendendo a linguagem dos sinais do corpo Narinas abrindo e fechando O ritmo acelerado da paisagem movediça em seu tórax Juntando grãos de memória em sua caixa torácica para desmantelar este pequeno castelo quando vemos o mar Medo medo do barulho do helicóptero medo dos grunhidos do aspirador medo das máquinas em sua fábrica o barulho de suas unhas no chão de taco Um céu cinza chumbo emoldurado por um branco agressivo olhando daqui a luz do sol encobre seu sorriso sobre o papel fotográfico distante uma criança testa sua voz ao longe longe chega perto não tão perto Meus olhos logo irão afundar afundando inundação o mesmo céu cinza chumbo A vegetação esconde o rio derrubando abacates com pedradas o corpo devorado capim pelo de urso uma fruta coberta de formigas a palavra debaixo da pedra o cheiro podre onde está a carcaça?

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R. Estados Unidos, Casa Triângulo
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