ACARÁ: delicadeza insurgente
Acará - do quicongo: kala, carvão ardente, brasa - dá nome ao rito em que um naco de algodão, encharcado em óleo de dendê, é acendido em fogo para que seja engolido por pessoas em transe. A palavra também designa em terreiros preparações com feijão-fradinho, dentre eles o acarajé ("comer bola de fogo"), vinculados às tradições alimentares e de afeto transmitidas pelas mães pretas. Ao mesmo tempo, Acará, do Tupi-guarani, nomeia diversas espécies de peixe – acará-bandeira, acará do Congo, acará-cascudo – e por vezes recebe, no dialeto popular, o sentido de "peixe que morde". Ao representar as principais ritualísticas de diversos povos indígenas, o peixe se relaciona com aspectos de vigor e cuidado, próprios ao ato da pesca, do cozimento e do preparo. “ACARÁ: delicadeza insurgente” explora essa coexistência entre força e sensibilidade. Organizada pela Verve, com texto curatorial de Ana Paula Rocha, a exposição reúne os artistas Ana Beatriz Almeida, Ayrson Heraclito, Eustáquio Neves, Emanoel Araujo, Jaider Esbell, Lita Cerqueira, Maria Auxiliadora, Maria Lira Marques, Moisés Patrício, Nádia Taquary, Paulo Nazareth, Sidney Amaral e Shai Andrade. Com o objetivo de subverter estereótipos associados a grupos não-brancos tidos ora como violentos, ora passivos na historiografia nacional e seus arquivos institucionais, a mostra evidencia o modo como os artistas, individual ou coletivamente, apresentam propostas políticas insurgentes, alinhadas à forte rigor e delicadeza estéticos.

Endereço
Avenida São Luís, 192 - Sobreloja 26, Galeria Verve
São Paulo, Brasil - Brasil



























