Abaixa o Braço
Na interseção entre arquivo, política e campo simbólico, o artista Froiid inaugura sua exposição individual "Abaixa o Braço" na Albuquerque Contemporânea, em Belo Horizonte. Com texto crítico de Ana Roman, a mostra mobiliza o futebol como linguagem para desmontar narrativas hegemônicas — da ditadura militar à Segunda Guerra — através de obras que misturam inteligência artificial, ditados populares e geometria construtiva. O título da exposição remete à canção satírica de Ataulfo Alves (1940), que ridicularizava o fascismo durante a Segunda Guerra. Froiid ressignifica a expressão como um ato de recusa contemporânea: "abaixar o braço" torna-se gesto de resistência ao autoritarismo e à violência de Estado. Em séries como "E AGORA" (telas que reativam a memória esquecida das pracinhas brasileiras na guerra) e "O Peixe pela Boca" (fotografias de IA que expõem a performatidade tóxica da masculinidade no esporte), o artista opera como um "contra-arquivista". Seu método — influenciado por teóricos como Hal Foster e Ariella Aïsha Azoulay — desestabiliza registros históricos para revelar lacunas e silenciamentos. OBRAS-CHAVE E CONCEITOS "Galinha Caolha Procura Poleiro Mais Cedo": Instalação interativa com campos de futebol de botão distorcidos, homenageando Geraldo Décourt (tido como o criador das ligas botonistas) ligado a estratégias de sobrevivência. "Abaixa o Braço” não é sobre derrota, mas sobre desobediência. Uso o futebol porque ele encapsula dramas brasileiros: heroísmo fabricado, apagamento de histórias negras e indígenas, e a violência que ronda nossos corpos. Minhas obras são gambiarras contra o arquivo oficial — onde o concreto vira abstração e o documento vira ficção."

Endereço
Antônio de Albuquerque, 885, Albuquerque Contemporânea
Belo Horizonte, Brasil - Brasil















