27032025-6.720-280-68/ 24052025-5.328-222-68
Com uma prática artístico-conceitual centrada no fazer diário, a mostra elucida a forma metódica com que a artista registra o tempo da própria vida, suas experiências e deslocamentos, transformando cada trabalho em uma prova inequívoca de sua existência. O próprio título da exposição reitera o exercício sistemático de registro da sua vivência: os localizadores, utilizados por Ana Amorim para taxonomizar sua produção, fazem referência tanto ao tempo fixado nos calendários (horas, dias, meses e anos), quanto ao tempo fugidio — as horas e os dias restantes para o final do ano, por exemplo. Usando sistemas de registro variáveis e múltiplos suportes, sua trajetória se estrutura a partir de dois documentos fundamentais para a solidificação de seu compromisso consigo mesma e com seu trabalho: o manifesto Decisões Conceituais (1988) e, posteriormente, o Contrato de Arte (2001). Esses documentos, com definições rigorosas — como a utilização de materiais simples e recusa à mercantilização ou participação em exposições patrocinadas por empresas com condutas éticas questionáveis — determinaram a postura que manteve sua produção alheia aos circuitos comerciais por tantos anos. Para Gabriel Pérez-Barreiro: O contrato é a base de nosso sistema legal e sua origem no latim significa “aproximar” (con-trahere), criar um vínculo ou ligação. O que os contratos de Amorim expressam é um forte desejo de estarem vinculados ao seu comprometimento com o fazer artístico, de tornar pública sua vontade de integrar arte e vida. Esse compromisso formal com o fazer artístico torna explícita a diferença entre produzir arte (por si só) e ser um produtor de arte (para um sistema que demanda).

Endereço
Oscar Freire 240, Superficie
São Paulo, Brasil - Brasil






























