Talks SP-Arte: um painel de discussão sobre o mundo das artes

22 Mar 2018, 4:10 pm

Se por um lado, as mídias digitais atuam na divulgação sem limites do universo das artes visuais, por outro, ele também ajuda a alimentar debates e criar polêmicas. Performance e a sexualidade na arte, por exemplo, foram temas amplamente discutidos no ano passado. Não só profissionais ligados a espaços culturais, artistas, colecionadores, estudantes e críticos estiveram engajados, como também interessados de diversos grupos sustentaram debates digitais fervorosos. Discussões prolíferas e embasadas estão no DNA da arte. E, por isso, a SP-Arte não poderia deixar de incluir em sua pauta um espaço de diálogo entre o público e especialistas.

Nos dias 12 e 13 de abril, cinco painéis compõem a programação do Talks, que acontece pelo quarto ano consecutivo na SP-Arte/2018. Especialistas, colecionadores e artistas foram convidados pelo Festival para discutir temas superatuais: universo digital e seus reflexos, a arte como plataforma para a diversidade de gêneros, performatividade e sua conexão com questões sociais, e novos caminhos para o colecionismo. Haverá ainda uma palestra sobre a arquitetura modernista de São Paulo.

Confira abaixo mais detalhes sobre cada mesa:


A arte é um instrumento potente pelo qual as minorias projetam suas vozes e ganham representatividade. Rosa Luz, estudante de teoria crítica e história da arte na UnB, é uma artista trans de 22 anos que usa a força da palavra através do seu canal no Youtube (Barraco da Rosa TV) para escancarar essas questões e lutar por maior espaço das travestis nas artes visuais. “Na nossa história da arte há o silenciamento total da figura da travesti. Mas é a arte que pode mudar substancialmente a transfobia. Ela ajuda a dialogar com pessoas fechadas para questões como identidade de gênero por conta da sua subjetividade”, conta Rosa. Ela participa da mesa conduzida pela crítica de arte e editora da revista Select Paula Alzugaray, que publicou a ultima edição totalmente voltada ao assunto. Paula faz um panorama desta rica produção que discute o tema da diversidade sexual, porém que ainda é pouco conhecida. Ariel Nobre, artista visual, ativista e consultor em diversidade, completa a mesa. Entre seus projetos, Ariel destaca Preciso dizer que te amo, campanha de sensibilização contra o suicídio de homens trans.


Rosa Luz | Parte 1: Rosa Maria Codinome Rosa Luz [Prod. Dubobeats]
Rosa Luz | Parte 1: Rosa Maria Codinome Rosa Luz [Prod. Dubobeats] - Barraco da Rosa TV

Num cenário em que arte e engajamento ganham destaque, seja pela violência, censura, mudanças de paradigmas e intolerância contra minorias – o corpo político está sempre presente. As novas ideias desse corpo, que mudam de acordo com o contexto político, social e cultural ao qual está inserido, é o que interessa a Paula Garcia, curadora do setor Performance. “Não à toa falo sobre performatividade e não apenas performance: me interessam todas as experiências que podem estar relacionadas a esse corpo”. Ela convida dois artistas – Maurício Ianês e Bruno Mendonça – para participar do debate que terá um formato totalmente aberto: “Para mim, é muito importante ouvir o que o público tem a dizer”, afirma Paula.


Tem quem venha para São Paulo só para admirar sua arquitetura. Grupos guiados pelos prédios do centro e aulas de desenho e arquitetura estão espalhados pela cidade, sempre mirando as atenções para a beleza dos seus edifícios modernistas. Raul Juste Lores, editor-chefe da revista Veja São Paulo, que lançou recentemente o livro “São Paulo nas alturas”, resgata o “milagre arquitetônico” da cidade nos anos 1950. Ele discute por exemplo, como arquitetos de vanguarda conseguiram, em uma década, erguer o Copan, o Conjunto Nacional, o Edifício Itália, as galerias Metrópole e do Rock, além dos residenciais de Artacho Jurado e boa parte do bairro de Higienópolis. A mesa é organizada em parceria com a galeria Ovo, que participa do setor Design do Festival.


“A internet se tornou um parque de jardins murados: são ambientes infantilizados, pouco propícios a debates e restritos a grupos fechados”, aponta Giselle Beiguelman. A artista, curadora e professora da FAU-USP pesquisa a arte e a internet desde os anos 1990. Ela pensa assuntos como a documentação da arte digital, memória e esquecimento numa época em que o acesso à informação é gigantesco (há quem chame de época da des-informação) e a cultura da opinião desenfreada nas mídias. A expressão mais emblemática do seu trabalho (a mais dramática também) se deu na videoarte “Odiolândia” apresentada na mostra inaugural do Sesc 24 de Maio, na qual reúne comentários feitos por internautas após a intervenção na Cracolândia em 2017. Sem qualquer imagem, ela enfatiza as opiniões que, majoritariamente, expressaram conservadorismo e preconceito (assista ao trailer abaixo). “É uma cultura do ódio e essa é a nossa realidade: é anacrônico pensar que existe um mundo real e um mundo virtual. Eles são uma coisa só”, explica Giselle. Ela conversa Luli Radfahrer, professor da ECA-USP, que resgata um histórico da internet e projeta os impactos futuros do universo digital sobre artistas e galeristas.


Odiolândia | Hateland (teaser)
Odiolândia | Hateland (teaser) - giselle beiguelman

Residências só para artistas? Que nada! Agora quem coleciona também tem a oportunidade de passar um tempo numa residência. A ideia nasceu da Delfina Foundation, importante instituição londrina que promove intercâmbio entre artistas e especialistas, para mostrar que quem adquire obras de arte tem um papel relevante na cultura. O colecionador contribui com o fazer artístico, promove artistas, patrocina eventos e instituições… Esta mesa reconhece o papel desses mecenas modernos e convida o diretor da Delfina Foundation, Aaron Cezar, para conversar com Pedro Barbosa sobre o novo comportamento do colecionador contemporâneo, com mediação de Akio Aoki, diretor da Galeria Vermelho. Num segundo momento, a norte-americana Betty Duker conta sobre a sua trajetória como colecionadora desde os anos 1960 e o seu interesse na arte latino-americana, e a sul-africana Pulane Kingston, incentivadora de artistas mulheres africanas, traz um panorama do mercado das artes na África do Sul.


Programe-se:

12 de abril (quinta-feira)
10h: A arte na vanguarda da diversidade de gêneros
11h30: Performatividade e sua conexão com as questões sociais
14h30: São Paulo nas Alturas

13 de abril (sexta-feira)
10h: O universo digital, novas possibilidades e caminhos para as artes
11h30: Colecionismo e as novas práticas

A distribuição de ingressos será feita meia hora antes dos bate-papos (às 9h30 e às 14h) e a lotação é de 300 pessoas.

#respirearte