Artistas indicam artistas para ficar de olho em 2026

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Gabriela Valdanha

14 jan 2026

Acima: Laíza Ferreira, "Sem título", série "Flores Invisíveis", 2017. © Galeria Janaina Torres e Laíza Ferreira

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Neste ano, convidamos os artistas Antonio Obá (Mendes Wood DM), Carla Chaim (Raquel Arnaud), Daiara Tukano (Almeida & Dale), Dalton Paula (Cerrado), Gê Viana (Lima e Mitre), Marcius Galan (Luisa Strina), Mauro Restiffe (Fortes D'Aloia & Gabriel) e Sallisa Rosa (A Gentil Carioca) para indicar nomes que devem brilhar em 2026.


Encorajamos os participantes a considerar o momento atual, mais do que o tempo de carreira. Os critérios de escolha foram livres, como trajetória, relevância da produção, participação em exposições, residências importantes, entre outros aspectos.


A lista completa pode ser conferida abaixo. Ela reúne homens e mulheres que trabalham com diversas linguagens, escultura, pintura e fotografia, e representam diferentes regiões do Brasil: Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Norte.


Confira também a lista de designers para ficar de olho em 2026.


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Abiniel João Nascimento (1996, Carpina, PE) - vive e trabalha em Recife, PE

(galeria Marco Zero)


"A prática de Abiniel parte de uma escuta atenta da terra como uma entidade viva que fala, respira e recorda. Sua produção anuncia um futuro de contaminações férteis, fundamental para a arte contemporânea brasileira, pois nos lembra que criar é também curar e que o ato artístico pode se transformar em prática espiritual e política."


Indicação de Dalton Paula (Cerrado Galeria)

Retrato de Abiniel João Nascimento. © Matheus Lohan

Retrato de Abiniel João Nascimento. © Matheus Lohan

Abiniel João Nascimento, "Plantio de nada", 2025. © Ding Musa

Abiniel João Nascimento, "Plantio de nada", 2025. © Ding Musa

André Felipe Cardoso (1997, Minaçu, GO) - vive e trabalha no Quilombo Alto Santana em Goiás, GO


"Deslocamento e vínculo parecem ser palavras que não podem caminhar juntas, mas no trabalho de André esses termos se entrelaçam: seus percursos se transformam em lugares de afeto. Trabalha sobretudo com a colagem, procedimento que põe em diálogo fragmentos diversos reunidos ao longo das rotas que ocupa no mundo. As memórias de sua terra e de seus parentes se transformam em experiências coletivas, ancoradas numa materialidade singela, necessária para que o afeto se imponha. André conta que, entre estradas de terra que interligam Minaçu, Cavalcante e Palmeirópolis, no limiar que separa Goiás de Tocantins, ou nas lonjuras que aproximam o Maranhão por meio das castanhas de babaçu, estão suas lembranças de família — pequenos mapas sensoriais que alimentam uma poética do pertencer."


Indicação de Carla Chaim (Galeria Raquel Arnaud)

Retrato de André Felipe Cardoso. © Triz de Sá

Retrato de André Felipe Cardoso. © Triz de Sá

André Felipe Cardoso, "Coqueiros pega céu", 2022. © Divulgação

André Felipe Cardoso, "Coqueiros pega céu", 2022. © Divulgação

danirampe (1997, São Paulo, SP) - vive e trabalha em São Paulo, SP


"A partir de interferências de foto e pintura, a artista cria imagens que entrelaçam a realidade e a confabulação de novas narrativas utilizando de sobreposições como dispositivo, de modo a criar uma cena que remete muito ao imaginário do sonhar, caminhando assim por um espaço onírico de criação."


Indicação de Sallisa Rosa (galeria A Gentil Carioca)

Retrato de danirampe. © Divulgação

Retrato de danirampe. © Divulgação

danirampe, "Era pra ser cabeça de peixe, mas virou fumaça - morada da raiva", 2025. © Divulgação

danirampe, "Era pra ser cabeça de peixe, mas virou fumaça - morada da raiva", 2025. © Divulgação

Helena Ramos (1999, São Paulo, SP) - vive e trabalha em São Paulo, SP


"O trabalho da artista se distingue pela forma como combina um olhar documental, afetivo e experimental ao fotografar ambientes ligados à vida noturna (festas, concertos), à arquitetura, à moda e à paisagem. Com formação em arquitetura e experiência em design gráfico, ela evidencia a permeabilidade entre diferentes campos, fotografando edifícios, paisagens, objetos, animais e amigos com o mesmo olhar sensível e atento, como se a câmera fosse um instrumento para conhecer o mundo com afeto."


Indicação de Mauro Restiffe (galeria Fortes D'Aloia & Gabriel)

Reatrato de Helena Ramos. © Samuel Esteves

Reatrato de Helena Ramos. © Samuel Esteves

Exposição "Novobanco Revelação 2025 - Helena Ramos: A vida das abelhas", no Museu de Serralves, em cartaz até abril de 2026. © Filipe Braga

Exposição "Novobanco Revelação 2025 - Helena Ramos: A vida das abelhas", no Museu de Serralves, em cartaz até abril de 2026. © Filipe Braga

Laíza Ferreira (1988, Ananindeua, PA) - vive e trabalha em Belém/Ananindeua, PA

(Janaina Torres Galeria)


"Artista visual e educadora. Desenvolve pesquisa interdisciplinar em torno das relações entre corpo, botânica, memória e arquivo, com ênfase em processos fotográficos históricos, práticas especulativas e tecnologias originárias. Sua produção parte de arquivos iconográficos, imagens científicas e herbários para investigar modos de reescrita da história natural a partir de perspectivas interespécies. Atua com materialidades do reino vegetal, fotografia, colagem e dispositivos performativos, propondo simbioses entre linguagem, território e tempo."


Indicação de Gê Viana (Lima Galeria e Mitre Galeria)

Retrato de Laíza Ferreira. © Divulgação

Retrato de Laíza Ferreira. © Divulgação

Laíza Ferreira, "Corpo próspero" série "Pèrègún", 2025. © Galeria Janaina Torres e Laíza Ferreira

Laíza Ferreira, "Corpo próspero" série "Pèrègún", 2025. © Galeria Janaina Torres e Laíza Ferreira

Marcos Siqueira (1989, Betim, MG) - vive e trabalha na Serra do Cipó, MG

(galeria Mendes Wood DM e Mitre Galeria)


"Usando do conhecimento adquirido no contato com a Terra – sim, a Terra assim grafada – Marcos sublima um conhecer advindo do labor, da postura ativa ante uma consciência ambiental, mas que é também memória, idílio e encantamento que converte cada pintura num registro, num rastro do que fomos e que, às margens do sensível, tornamos a ser: primevos entes recém-descobertos numa Terra que nos desalenta e acolhe. Como se cada menino-homem figurado em suas pinturas cheias de barro moldasse com todo zelo a pepita de uma lembrança que por pouco se perde e insistimos conscientemente ou não reencontrar nas pedrinhas ordinárias no meio do caminho, num sol alaranjado enviesado por galhos secos, nos garotos acendendo a noite, nos peixes sem gravidade navegando o céu... quem tem olhos que veja com certo cisco poético a visão primeira que dilata e, não raro, mareja o olhar."


Indicação de Antonio Obá (galeria Mendes Wood DM)

Retrato de Marcos Siqueira. Cortesia do artista e da Mendes Wood DM, São Paulo, Bruxelas, Paris, Nova York © Dani Drummond

Retrato de Marcos Siqueira. Cortesia do artista e da Mendes Wood DM, São Paulo, Bruxelas, Paris, Nova York © Dani Drummond

Marcos Siqueira, "Sem título", 2023. Cortesia do artista e da Mendes Wood DM, São Paulo, Bruxelas, Paris, Nova York © Estúdio em Obra

Marcos Siqueira, "Sem título", 2023. Cortesia do artista e da Mendes Wood DM, São Paulo, Bruxelas, Paris, Nova York © Estúdio em Obra

Natalie Braido (1996, São Paulo, SP) - vive e trabalha em São Paulo, SP

(galeria Marli Matsumoto)


"A experiência é a matéria fundamental no trabalho de Natalie e o resultado formal da obra é decorrente de um processo que incorpora combinações de materiais efêmeros, eletricidade, reações químicas, objetos cotidianos muitas vezes perecíveis. Essas combinações instáveis evidenciam as limitações e instabilidade da matéria. Seu interesse no processo apresenta muitas vezes delicadas composições onde a mutabilidade e a falha se apresentam como protagonistas de um registro da passagem do tempo."


Indicação de Marcius Galan (galeria Luisa Strina)

Retrato de Natalie Braido. © Ana Pigosso

Retrato de Natalie Braido. © Ana Pigosso

Natalie Braido, "Alvéolo", 2019. © Julia Thompson

Natalie Braido, "Alvéolo", 2019. © Julia Thompson

Paulo Desana (47 anos, São Gabriel da Cachoeira, AM) - vive e trabalha em Manaus, AM


"Paulo traz em suas obras os dons de ouvir e contar muitas histórias e, por meio delas, navegar por muitos mundos. Seu trabalho bebe da fonte das oralidades indígenas que resultam em visualidades cheias de cor mistério e movimento. Fotógrafo, cineasta, roteirista e diretor, seu trabalho é sempre coletivo, tecido por meio das relações construídas por muitos anos em seu território do Alto Rio Negro."


Indicação de Daiara Tukano (galeria Almeida & Dale)

Retrato de Paulo Desana. © Divulgação

Retrato de Paulo Desana. © Divulgação

Paulo Desana, "Carmem Figueiredo Alves", 2021. © Paulo Desana

Paulo Desana, "Carmem Figueiredo Alves", 2021. © Paulo Desana