103ª fachada da galeria. "Cem anos" (2017), por Rosângela Rennó, como parte da exposição "Nuptias" da artista. (Foto: Edouard Fraipont)
Memória

20 anos de Galeria Vermelho

Felipe Molitor
19 mai 2022, 13h25

Da virada do ano 2000 para cá, é evidente a expansão e a consolidação do mercado de arte brasileiro aqui e no exterior, e seria difícil contar essa história sem falar do papel da Galeria Vermelho em tal transformação. A galeria paulistana, concebida por Eliana Finkelstein e Eduardo Brandão, celebra agora em maio 20 anos de sua fundação, com um programa artístico de peso e que segue como referência para o desenvolvimento das artes visuais no país.

Baseada na região central de São Paulo, com construção pensada em conjunto com o arquiteto Paulo Mendes da Rocha (1928-2021), a Vermelho cruza, desde o início, gerações de artistas brasileiros e de outros lugares da América Latina, priorizando a intersecção de linguagens artísticas distintas e o ativismo dentro e fora do campo da arte. Vale destacar o protagonismo e a influência da galeria ao longo dos anos com a chamada Geração 00, cujos artistas – como André Komatsu, Marcelo Cidade, Cinthia Marcelle, Lia Chaia e tantos outros – hoje possuem uma carreira sólida. Segundo o site, a galeria inseriu obras de mais de 40 artistas em 300 instituições públicas ou privadas, distribuídas entre mais de 30 países.

Entre seus projetos longevos estão a Verbo – festival anual de performance com artistas do mundo todo –, e a Tijuana, editora que operou entre 2007 e 2018 na área fronteiriça entre o livro de artista e a arte. A Vermelho abriu seu segundo espaço permanente, um galpão na Barra Funda, aonde mantém a sua reserva técnica, armazena obras e há espaço expositivo para obras – e projetos – de grande formato.

Confira abaixo uma galeria de com diversos registros da icônica fachada da Vermelho, que desde a sua abertura recebe intervenções artísticas a cada nova exposição:

Acima: 103ª fachada da galeria.
"Cem anos" (2017), por Rosângela Rennó, como parte da exposição "Nuptias" da artista.

(Foto: Edouard Fraipont)

1ª fachada na galeria Vermelho na abertura em 17 de Maio 2002. Sem título (2002), por Pipa (a linha vermelho), Rogério Canella (a foto – backlight - a esquerda), como parte da exposição coletiva de inauguração. (Foto: Divulgação Vermelho)

1ª fachada na galeria Vermelho na abertura em 17 de Maio 2002.
Sem título (2002), por Pipa (a linha vermelho), Rogério Canella (a foto – backlight - a esquerda), como parte da exposição coletiva de inauguração.

(Foto: Divulgação Vermelho)

87ª fachada da galeria. "Let's write a history of hopes" (2014), por Iván Argote, como parte da exposição "Let's write a history of hopes" do artista. (Foto: Edouard Fraipont).

87ª fachada da galeria.
"Let's write a history of hopes" (2014), por Iván Argote, como parte da exposição "Let's write a history of hopes" do artista.

(Foto: Edouard Fraipont).

97ª fachada da galeria. "Raio" (2016), por Carmela Gross, como parte da exposição "Um, nenhum, muitos", de Carmela Gross. (Foto: Edouard Fraipont)
17ª fachada da galeria. "solto, cruzado e junto" (2004), por Cinthia Marcelle, Marilá Dardot e Sara Ramo, como parte da exposição "Solto, cruzado e junto", dos mesmos artistas. Na parte inferior da fachada foram presos espelhos e na parte superior direita o texto pintado por letristas profissionais. (Foto: Divulgação Vermelho)

97ª fachada da galeria.
"Raio" (2016), por Carmela Gross, como parte da exposição "Um, nenhum, muitos", de Carmela Gross.

(Foto: Edouard Fraipont)

17ª fachada da galeria.
"solto, cruzado e junto" (2004), por Cinthia Marcelle, Marilá Dardot e Sara Ramo, como parte da exposição "Solto, cruzado e junto", dos mesmos artistas.

Na parte inferior da fachada foram presos espelhos e na parte superior direita o texto pintado por letristas profissionais.

(Foto: Divulgação Vermelho)

93ª fachada da galeria. "Yayoi Kusama" (2015), por Nelson Leirner, como parte da exposição "Traduções: Nelson Leirner leitor dos outros e de si mesmo", com curadoria de Lilia Moritz Schwarcz. (Foto: Ding Musa).

93ª fachada da galeria.
"Yayoi Kusama" (2015), por Nelson Leirner, como parte da exposição "Traduções: Nelson Leirner leitor dos outros e de si mesmo", com curadoria de Lilia Moritz Schwarcz.

(Foto: Ding Musa).

58ª fachada da galeria. "DriveThru#2" (2009), por Matheus Rocha Pitta. (Foto: Debora Bolsoni, Ding Musa)

58ª fachada da galeria.
"DriveThru#2" (2009), por Matheus Rocha Pitta.

(Foto: Debora Bolsoni, Ding Musa)

18ª fachada da galeria. Sem título (2004), por marco Paulo Rolla, como parte de exposição individual do artista. Na fachada do lado superior direito foram fixados vários objetos achados no lixo, comprados em bazar ou ganhos de amigos. (Foto: Divulgação Vermelho)
44ª fachada da galeria. "FREE BEER" (2007), por SUPERFLEX, como parte da exposição "FREE BEER", do artista. (Foto: Ding Musa)

18ª fachada da galeria.
Sem título (2004), por marco Paulo Rolla, como parte de exposição individual do artista.

Na fachada do lado superior direito foram fixados vários objetos achados no lixo, comprados em bazar ou ganhos de amigos.

(Foto: Divulgação Vermelho)

44ª fachada da galeria.
"FREE BEER" (2007), por SUPERFLEX, como parte da exposição "FREE BEER", do artista.

(Foto: Ding Musa)

71ª fachada da galeria. "Cineclube" (2011), por Anarcademia (Bruno Storni, Fernando Pirata, Felipe Salem, Gabriela Godoi, Giorgia Mesquita, Guilherme Neumann, Henrique César, Janaina Wagner, Marcos Kaiser, Paulo Pjota), como parte da exposição "Imagens claras x ideias vagas", de Dora Longo Bahia. O grupo de estudos Anarcademia com os artistas Bruno Storni, Fernando Pirata, Felipe Salem, Gabriela Godoi, Giorgia Mesquita, Guilherme Neumann, Henrique César, Janaina Wagner, Marcos Kaiser, Paulo Pjota criado por Longo Bahia, executaram durante todo o período da exposição, uma grande pintura na fachada – uma série de imagens sobrepostas. Também foram apresentadas projeções de filmes e vídeos na fachada uma vez por semana. (Foto: Divulgação Cineclube)

71ª fachada da galeria.
"Cineclube" (2011), por Anarcademia (Bruno Storni, Fernando Pirata, Felipe Salem, Gabriela Godoi, Giorgia Mesquita, Guilherme Neumann, Henrique César, Janaina Wagner, Marcos Kaiser, Paulo Pjota), como parte da exposição "Imagens claras x ideias vagas", de Dora Longo Bahia.

O grupo de estudos Anarcademia com os artistas Bruno Storni, Fernando Pirata, Felipe Salem, Gabriela Godoi, Giorgia Mesquita, Guilherme Neumann, Henrique César, Janaina Wagner, Marcos Kaiser, Paulo Pjota criado por Longo Bahia, executaram durante todo o período da exposição, uma grande pintura na fachada – uma série de imagens sobrepostas. Também foram apresentadas projeções de filmes e vídeos na fachada uma vez por semana.

(Foto: Divulgação Cineclube)

33ª fachada da galeria. "Rampa" (2006), por João Nitsche, durante as exposições "Mensageiro" de Maurício Ianês e "Baldio" de Ding Musa. (Foto: Divulgação Vermelho)

33ª fachada da galeria.
"Rampa" (2006), por João Nitsche, durante as exposições "Mensageiro" de Maurício Ianês e "Baldio" de Ding Musa.

(Foto: Divulgação Vermelho)

9ª fachada na galeria, pintada com tinta acrílica branca. Sem título (2003), por Nicolás Robbio, como parte da exposição coletiva "1 lúcia, 2 lúcias". (Foto: Divulgação Vermelho)
47ª fachada da galeria. "Uma e três casas" (2008), por Carla Zaccagnini, como parte da exposição "Bifurcações e encruzilhadas" da artista. (Foto: Divulgação Vermelho)

9ª fachada na galeria, pintada com tinta acrílica branca.
Sem título (2003), por Nicolás Robbio, como parte da exposição coletiva "1 lúcia, 2 lúcias".

(Foto: Divulgação Vermelho)

47ª fachada da galeria.
"Uma e três casas" (2008), por Carla Zaccagnini, como parte da exposição "Bifurcações e encruzilhadas" da artista.

(Foto: Divulgação Vermelho)

28ª fachada da galeria. "LULADEPELÚCIA" (2005), por Raul Mourão, como parte da exposição individual de Chelpa Ferro. Adesivo, feito pela Mamulti, colocado diretamente na parede. Ao contrário do que pode-se imaginar, a série criada por Raul Mourão com base na imagem do presidente Luís Inácio Lula da Silva, não é um ataque indignado ao escândalo político que se instalou no país desde junho de 2005. A ideia da série "luladepelucia" surgiu ainda em janeiro de 2003 – quando a população e a mídia saudavam o novo presidente com euforia. Como relembra Mourão, “o presidente não podia aparecer em público, pois uma multidão estava sempre a postos para pedir um autógrafo, tirar fotos ou ao menos tocá-lo”. Percebendo que o maior líder nacional era tratado como um astro pop, Mourão lançou a ideia: fazer um Lula de pelúcia, para entregar à população deslumbrada e deixar o homem trabalhar em paz. Em 2004, após um ano de piadas, a história transformou-se em trabalho de arte. (trecho de texto de Daniela Labra) (Foto: Divulgação Vermelho)

28ª fachada da galeria.
"LULADEPELÚCIA" (2005), por Raul Mourão, como parte da exposição individual de Chelpa Ferro.
Adesivo, feito pela Mamulti, colocado diretamente na parede.

Ao contrário do que pode-se imaginar, a série criada por Raul Mourão com base na imagem do presidente Luís Inácio Lula da Silva, não é um ataque indignado ao escândalo político que se instalou no país desde junho de 2005.
A ideia da série "luladepelucia" surgiu ainda em janeiro de 2003 – quando a população e a mídia saudavam o novo presidente com euforia. Como relembra Mourão, “o presidente não podia aparecer em público, pois uma multidão estava sempre a postos para pedir um autógrafo, tirar fotos ou ao menos tocá-lo”. Percebendo que o maior líder nacional era tratado como um astro pop, Mourão lançou a ideia: fazer um Lula de pelúcia, para entregar à população deslumbrada e deixar o homem trabalhar em paz. Em 2004, após um ano de piadas, a história transformou-se em trabalho de arte. (trecho de texto de Daniela Labra)

(Foto: Divulgação Vermelho)

95ª fachada da galeria. "Let's write a history of hopes" (2015), por Leandro da Costa, como parte da exposição "Notações" de Chiara Banfi. (Foto: Edouard Fraipont)
92ª fachada da galeria. "dissociação" (2015), por Keila Alaver, como parte da exposição coletiva "Aprendendo a viver com a sujeira". (Foto: Divulgação Vermelho)

95ª fachada da galeria.
"Let's write a history of hopes" (2015), por Leandro da Costa, como parte da exposição "Notações" de Chiara Banfi.

(Foto: Edouard Fraipont)

92ª fachada da galeria.
"dissociação" (2015), por Keila Alaver, como parte da exposição coletiva "Aprendendo a viver com a sujeira".

(Foto: Divulgação Vermelho)

66ª fachada da galeria. "Fachadeira" (2010), por Lia Chaia, como parte da exposição "Anônimo", de Lia Chaia, e durante "Avant-gard is not dead", de Marcelo Cidade. (Foto: Ding Musa)

66ª fachada da galeria.
"Fachadeira" (2010), por Lia Chaia, como parte da exposição "Anônimo", de Lia Chaia, e durante "Avant-gard is not dead", de Marcelo Cidade.

(Foto: Ding Musa)


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Felipe Molitor é jornalista e crítico de arte, parte da equipe editorial da SP–Arte.

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