Thiago Molon
Brasil, 1990
Thiago Molon é fruto do Vidigal, e foi ali — na comunidade, entre a rua, as fachadas e a natureza doméstica — que foi calibrando seu olhar atento ao mundo. Com pinceladas e cicatrizes visuais, ele recolhe da cidade fragmentos: imagens, cores, tramas. E, no ateliê, converte-os em pintura, escultura e instalação. Na individual, Saúva [2024], apresentada no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, ele aprofundou essa metáfora: assim como a saúva corta folhas, transporta-as ao formigueiro, e cultiva um fungo, Molon colhe da rua sua matéria-prima visual e ‘cultiva’ na oficina artística as obras que brotam como ecos simbólicos. Desde os 13 anos, ele atua na rua: começou pintando muros e fachadas no Vidigal, de onde vem o formato do telhado de casa de muitas de suas telas. Embora tenha formação em Design Gráfico pela PUC-Rio, como bolsista universitário; ele se considera fundamentalmente autodidata nas artes visuais. O repertório de suas imagens pulsa entre o cotidiano e o onírico, entre memórias familiares e a poesia do marginal — fixando vestígios de tempo e subjetividades na pele do objeto. Nesse território híbrido, sua obra firma uma estética de atravessamento: entre o gesto singelo e profundo, entre o político e o lírico.

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