Luiz Paulino
Brasil, 1967
Sobrevivente do massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, Paulino transforma sua própria experiência em obra, elaborando visualmente o trauma pessoal e coletivo da intervenção da Polícia Militar do Estado de São Paulo que resultou na morte de 111 pessoas, segundo dados oficiais. Em contranarrativa à versão hegemônica dos fatos, o artista denuncia práticas de ocultação de centenas corpos e a brutalidade extrema vivida por ele e outros detentos, revelando camadas profundas e ainda não amplamente reconhecidas desse crime histórico. As obras expostas abordam a desumanização do encarceramento, o fracasso do sistema penal brasileiro e a urgência dos direitos humanos, por meio de composições complexas que rompem com a linearidade do tempo e do espaço. Combinando simbolismo, surrealismo e forte expressividade, Paulino inscreve em suas telas tanto a dor física quanto as dimensões espirituais da violência que atravessou — e de sua sobrevivência, que ele considera um milagre.
Obras do artista
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