Emilio Isgrò
Itália, 1937
Emilio Isgrò (Barcellona Pozzo di Gotto, Sicília, 1937) é um dos nomes mais importantes da arte italiana entre os séculos XX e XXI. Artista conceitual e pintor, sua prática se estende também à poesia, à escrita, à dramaturgia e à direção, articulando palavra, imagem e pensamento crítico de forma singular. Desde os anos 1960, Isgrò desenvolveu uma das linguagens mais radicais e originais da arte contemporânea italiana: a cancellatura (“apagamento”), procedimento com o qual intervém sobre livros, enciclopédias, mapas, partituras e textos para transformar a supressão em criação, silêncio em significado e ausência em forma. Essa pesquisa foi decisiva para a poesia visual e para a arte conceitual na Itália. Sua trajetória começou no campo literário, com a publicação do livro de poemas "Fiere del Sud" em 1956. Em 1964, realizou as primeiras cancellature sobre enciclopédias e livros; pouco depois, consolidou sua presença no circuito artístico com exposições individuais e com a formulação de sua própria poética. Ao longo das décadas seguintes, participou repetidamente da Bienal de Veneza e recebeu o "Primeiro Prêmio da XIV Bienal de São Paulo", em 1977, reconhecimento que consolidou sua projeção internacional. Vive e trabalha em Milão desde 1956, com um intervalo entre 1960 e 1967 em Veneza, onde atuou na editoria cultural do Gazzettino. A obra de Isgrò atravessa diferentes meios — pintura, instalação, escrita, teatro e intervenção pública — mas mantém como eixo central a reflexão sobre linguagem, poder, memória e identidade. Entre seus projetos mais emblemáticos estão "L’ora italiana", criado em memória das vítimas do atentado à estação de Bolonha; "Il Seme dell’Altissimo", escultura monumental apresentada em Milão; e "Non uccidere", realizado em colaboração com o arquiteto Mario Botta para as celebrações dos 75 anos da Constituição italiana. Mais recentemente, sua produção seguiu sendo celebrada em grandes mostras retrospectivas e projetos institucionais, incluindo a abertura do novo Museo d’Arte Contemporanea del Carmine, em Scicli, com a antológica "L’Opera delle formiche" em 2025. A importância de Emilio Isgrò também se reflete na presença de suas obras em coleções e museus de referência, na Itália e no exterior. Entre os principais, destacam-se o Centre Pompidou, em Paris, onde estão obras como "Il Cristo cancellatore", "Mare Internum" e "Telex G15"; o Museo del Novecento, em Milão; o MART – Museo di Arte Moderna e Contemporanea di Trento e Rovereto; as Gallerie d’Italia, em Milão; o MAMbo – Museo d’Arte Moderna di Bologna; o Centro per l’Arte Contemporanea Luigi Pecci, em Prato; o Museo Novecento, em Florença; o Israel Museum, em Jerusalém; os Musées Royaux des Beaux-Arts de Belgique, em Bruxelas; além do Palazzo del Quirinale, em Roma.

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