Antonio Lizarraga

Argentina, 1924


Sobre

Absorvido pela atmosfera urbana e industrial da metade do século XX de uma cidade como São Paulo, Antonio Lizárraga parecia lidar com o seu trabalho a partir de uma motivação particular pelas falhas dos sistemas. A ideia de limite, então, parece ser um bom ponto de apoio para aproximar-se de sua produção. É possível abordá-la a partir do caráter flexível de sua obra, que transitava entre diferentes meios e linguagens e buscava formas distintas de operar, como por exemplo, quando colaborou com o ‘Suplemento Literário’ do jornal O Estado de São Paulo, entre 1959 e 1967, realizando desenhos. Possibilitar que o trabalho circulasse na esfera pública por meio do jornal era uma forma de democratizar o acesso da arte a um público não especializado, assim como quando projetou vasos de vidro e luminárias para a indústria de objetos decorativos. Era sobre o limite – ou sua ausência – de que se tratavam muitas de suas composições no papel: que forças estavam em jogo entre os elementos que Lizárraga escolhia para habitar o espaço quadrado? Como tais elementos relacionavam-se com as bordas, ou com as diagonais? Havia ali um exercício constante de fricção entre o desenho/pintura como projeto e como desenho/pintura mesmo. Antonio Lizárraga, aliás, levou a ideia de limite às últimas consequências, quando, acometido aos 58 anos por um acidente vascular que paralisou, parcialmente, suas pernas e braços, seguiu produzindo com o auxílio de assistentes. É a partir daí que surgem os desenhos ditados, série de trabalhos que se materializavam por meio da ação de outras pessoas que operavam a partir das orientações e comandos que Lizárraga emitia por meio da voz. Antes dos desenhos ditados, porém, vieram os poemas ditados, e talvez, a melhor ilustração sobre como se relacionava Lizárraga com a definição – ou expansão – da ideia de limite, seja mesmo dada por um deles: “existe um homem que constrói mirantes / para os peixes começarem a gostar do mar”.

Participou de diversas exposições individuais e coletivas desde a década de 1960, destacando-se as realizadas no Museu de Arte Moderna de São Paulo; Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; Paço das Artes, São Paulo; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Centro Cultural São Paulo; Museo de Arte Moderno de Buenos Aires, Argentina; 6a Bienal de San Juan del Grabado Latinoamericano y del Caribe, Instituto de Cultura Puertorriqueña; 9a/10a/11a/12a Bienal de São Paulo.

Fonte: Galeria Marcelo Guarnieri


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