A 14ª edição da SP-Arte, que aconteceu de 11 a 15 de abril, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, contou com a participação de 132 celebradas galerias nacionais e internacionais de arte e de 33 expositores de design. Ao longo de cinco dias, 34 mil pessoas passaram pelo espaço, um crescimento em relação ao ano anterior. Além do aumento do público, uma sensação de otimismo foi percebida ao longo de todos os dias do evento e, no final, o crescimento das vendas apontou para uma retomada do setor. Novamente o evento reuniu renomadas galerias internacionais e novatas, que participaram pela primeira vez.

“Todos os indicadores econômicos recentes já sinalizavam para uma recuperação da economia brasileira. Iniciamos essa edição bastante otimistas e a nossa expectativa se confirmou: tivemos a concretização de ótimos negócios na Feira e um volume de vendas superior ao dos dois últimos anos”, afirma Fernanda Feitosa, diretora e idealizadora da SP-Arte.


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O setor Performance foi um dos destaques desta edição. Em um espaço dedicado à linguagem, o público acompanhou cinco performances simultâneas e ininterruptas, selecionadas por Paula Garcia, curadora independente e colaboradora do Marina Abramovic Institute. Os artistas participantes permaneceram no local por todo o período do Festival, da abertura do Pavilhão até o cerrar das portas, dia após dia, em um exercício de resistência física e mental.

A dupla Protovoulia, formada por Jéssica Goes e Rafael Abdala, criou cenários com uma grande quantidade de cinzas, terra e porcelanas. O performer e chef Gabriel Vidolin propôs um contato íntimo e direto com o público, que sentava à mesa na sua companhia. O coletivo Brechó Replay chamou a atenção para a opressão sofrida pela população negra. A causa tomou forma sobre as paredes que os cercavam, com frases que aludiam à luta. Em meio a esse movimento, Paul Setúbal tentava manter-se concentrado enquanto sustentava uma escultura de 250 quilos de Franz Weissmann, se esforçando para não deixar que o monumento cedesse ao peso.

Já tradicional na programação da SP-Arte, o programa Talks foi transmitido ao vivo pelo Facebook da SP-Arte e contou com a apresentação da jornalista Adriana Couto. Entre os painéis, estavam a arte e a diversidade de gênero, com Ariel Nobre, Rosa Luz e Paula Alzugaray; a performatividade e a exclusão, social ou de gênero, com Paula Garcia, Maurício Ianês e Bruno Mendonça; a arquitetura de São Paulo nos anos 1950, com Raul Juste Lores; o universo digital e sua influência sobre as artes, com Giselle Beiguelman e Luli Radfahrer.

O último painel faz um panorama das novas práticas dos colecionadores contemporânes. Akio Aoki, diretor da Galeria Vermelho, Aaron Cezar, da Delfina Foundation e os colecionadores Pedro Barbosa (Brasil), Betty Duker (EUA) e Pulane Kingston (África do Sul) participaram.

No setor Design, além dos 33 expositores, de grandes destaques do design brasileiro autoral, a respeitados antiquários e designers independentes, houve também espaço para trabalhos autorais e uma exposição de carrinhos de chá que fez um passeio por 90 anos do design brasileiro.


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A alemã neugerriemschneider apresentou trabalhos do sueco Andreas Eriksson e do dinamarquês Olafur Eliasson, além de uma instalação do artista e ativista chinês Ai Weiwei – a peça foi uma das mais fotografadas pelos visitantes.

Stephen Friedman trouxe trabalhos em madeira de Stefan Balkenhol, artista que atualiza a tradição alemã de escultura entalhada e pintada. Já a White Cube, que mantém espaços em Londres e Hong Kong, veio com obras de nomes como os ingleses Damien Hirst e Antony Gormley, e ainda do alemão Georg Baselitz.

A Mendes Wood DM chamou atenção por uma montagem expositiva que fugiu das tradicionais paredes brancas e foi cercado pelas cortinas azuis de Daniel Steegmann Mangrané. O projeto d’OSGÊMEOS, concebido pela galeria Fortes D’Aloia e Gabriel, também foi outro ponto alto da edição, atraindo público e virando sucesso de vendas.

No setor Solo, destaque para o artista recifense Bruno Faria, da galeria mineira Periscópio. O jovem chamou atenção com a exposição de uma Brasília sucateada em pleno Pavilhão, uma crítica contundente à capital do País.

As esculturas de Ilya Fedotov-Fedorov marcaram a estreia da Rússia no Festival com a galeria Fragment. Os trabalhos em tecidos de Marina Weffort, da Cavalo, encantaram o público pela delicadeza.

No Repertório, a gigante americana Marian Goodman marcou presença com peças do francês Christian Boltanski. Entre as galerias nacionais que participaram do setor, estão a Sé, que apresentou uma série inédita de Arnaldo de Melo, e Jaqueline Martins, com trabalhos do pintor e gravador gaúcho Victor Gehrard. Ainda pouco conhecidos pelo grande público, os dois artistas foram bastante procurados pelos colecionadores.

A 14ª edição da Feira contou com a estreia de 29 galerias de arte, do Brasil e do mundo. Entre as 16 nacionais que pela primeira vez ocuparam estandes no Pavilhão da Bienal, 12 são de São Paulo e sua região metropolitana. É o caso, por exemplo, das novatas Adelina, Verve, OMA, Janaina Torres e Houssein Jarouche, todas, ao final do Festival, satisfeitas com o resultado.