Em parceria com o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, a SP-Arte apresenta pela terceira vez um setor voltado a performances.

Para a edição de 2017, os inscritos foram avaliados por uma comissão formada por Cauê Alves e Roberto Bertani, professor e coordenador da Belas Artes, respectivamente; Solange Farkas, curadora e diretora da Associação Cultural Videobrasil; e Paula Garcia, artista.

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Burcas Flutuantes, de Aline Tima

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A questão do estar anônimo levanta muitos questionamentos. Para Aline Tima, um dos mais intrigantes deles é: por que somos vigiados constantemente? Como resposta, está presente na produção da artista a confecção de máscaras, burcas e outros objetos que cobrem a face, denominados por ela como Dispositivos Performáticos de Resistência (DPR).

Burcas flutuantes  é uma intervenção que apresenta pessoas andando de skate enquanto estão vestidos com tais dispositivos confeccionados em molde de burca.

 

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Psicografando Tunga, de Andressa Cantergiani

"Psicografando Tunga", de Andressa Cantergiani (imagem: Jéssica Mangaba e Ênio Cesar para SP-Arte/2017).
"Psicografando Tunga", de Andressa Cantergiani (imagem: Jéssica Mangaba e Ênio Cesar para SP-Arte/2017).

Psicografando Tunga é uma performance duracional que partiu de um sonho da artista com Tunga, em que ele lhe pedia que realizasse uma longa trança. Na SP-Arte/2017, Andressa Cantergiani constrói dez metros de trança e se relaciona ainda com a arquitetura do prédio da Bienal. A trança enquanto entrelaçamento de percepção do convívio social, enquanto política do corpo, como identidade e resistência.

 

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Repetidamente Repetente, Erica Storer

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A ação é composta pela relação entre o corpo e a construção de uma torre. Feita com tijolos e cimento, a construção se inicia ao ultrapassar uma mesa furada e segue por mais 1,5 m sobre sua superfície. A performer, sentada numa cadeira próxima à mesa, tem sua cabeça e pernas inseridas dentro da torre e, incessantemente por várias horas, desenha círculos com ambas as mãos no espaço ainda vazio sobre a mesa. O corpo é consumido pela repetição. O desenho contínuo acontece quase como uma extração e produto de tal condição, ou ainda uma tentativa interminável de registro do tempo.

 

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Ratsrepus, de Fabiano Rodrigues

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Em Ratsrepus , Fabiano convida o skatista profissional Akira Shiroma a participar de um experimento de interferência no universo do skate, em que a identidade do skatista é apagada.

Em contato com o artista, Shiroma desenvolve ações utilizando um único skate, deslocando-o, assim, de sua função habitual e criando padrões estranhos de movimento. Os dois ficam em torno da desfuncionalização e ressignificação do skate como objeto.

 

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Entropia Social, de Felipe Cidade

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Entropia social é uma performance formada por uma caixa de laranjas, um saco vazio, uma faca sobre uma mesa e uma cadeira, com a ação definida pelo gesto de descascar as laranjas, manter as cascas no centro e colocar as frutas descascadas no saco vazio. Durante a performance, o suco da laranja escorre da mesa até o chão e, aos poucos, contamina o ambiente com o cheiro cítrico da fruta. Em diversas culturas na história, a laranja foi e ainda é um fruto exótico, de classes sociais mais altas. Reações positivas e negativas surgem conforme o cheiro se espalha pelo espaço, aproximando uns e afastando outros, como um catalisador natural para classes sociais mais privilegiadas.

 

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Status Quo, de Felipe Cidade

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A performance Status quo  é composta pelo performer parado e de pé entre oito aquecedores posicionados em um círculo fechado. A imagem exibe a dicotomia do homem moderno: enquanto a industrialização segue em alta velocidade, o homem retrocede a práticas ancestrais. Nesse caso, o calor dos aquecedores remete ao conforto e à segurança, mesmo que à sua volta as coisas sejam propícias a isso.

 

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O toque me convence que sou real, de Felipe Cidade

"O toque me convence que sou real", de Felipe Cidade (imagem: Jéssica Mangaba e Ênio Cesar para SP-Arte/2017).
"O toque me convence que sou real", de Felipe Cidade (imagem: Jéssica Mangaba e Ênio Cesar para SP-Arte/2017).

O toque me convence que sou real é uma ação formada por um conjunto de lixas na parede, nas quais o performer escreve a frase-título usando um cubo de madeira. A peça é manuseável e trata do atrito doloroso da lixa na pele, o que leva o espectador de volta a si mesmo, questionando se deve tocar algo que talvez lhe cause dor para que possa se sentir real.

 

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Gravidade Existencial, de Hélio Tafner

"Gravidade Existencial", de Hélio Tafner (imagem: Jéssica Mangaba e Ênio Cesar para SP-Arte/2017).
"Gravidade Existencial", de Hélio Tafner (imagem: Jéssica Mangaba e Ênio Cesar para SP-Arte/2017).

No trabalho Gravidade existencial , o artista coloca em prática a meditação zen-budista, um trabalho corporal estático e rígido, além de uma reflexão existencialista da vida. Fazendo o uso de sua testa, ele mantém objetos do cotidiano – que também possuem uma carga afetiva – sustentados contra a parede a partir de diferentes ritmos de pausa e respiração. Numa breve e intencional passada para trás, deixa-os cair pelo espaço e, na sequência, “freia” o corpo no momento em que sua testa se encontra com a parede à frente.

Dessa forma, o artista questiona ação-reação sobre o próprio corpo. Quando em posição estática, tenta domesticar o fluxo, de maneira que não controla mais seu desejo. Deixa a desordem da operação agir e, repetidamente, continua a ação. Neste trabalho, o fato de permitir que os objetos caiam com a força da gravidade pode ser utilizado como uma metáfora sobre as forças que o mundo exerce em nossos corpos.

 

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Tempo-revés, de Lucas Dupin

"Tempo-revés", de Lucas Dupin (imagem: Jéssica Mangaba e Ênio Cesar para SP-Arte/2017).
"Tempo-revés", de Lucas Dupin (imagem: Jéssica Mangaba e Ênio Cesar para SP-Arte/2017).

Em meio ao fluxo incessante de visitantes, o artista, em absoluto silêncio, senta-se à mesa disposta em local de grande circulação de pessoas e prepara-se para permanecer ali sentado por horas. Trajando roupas de um trabalhador anônimo e munido apenas de estilete e calendários comerciais, atravessa o dia de trabalho retirando toda e qualquer referência temporal que esteja presente nos mesmos, uma a uma. Através do corte lento e preciso, a representação dos dias, meses e anos aos poucos dá lugar a uma intrincada e delicada grade vazia. Por fim, aos pés da mesa, ficam acumulados os pedaços retirados de cada calendário, resultado de horas de trabalho.

 

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