A 12ª edição da SP-Arte, que aconteceu de 6 a 10 de abril, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, contou com a participação de 124 celebradas galerias nacionais e internacionais de arte e 23 galerias brasileiras de design – que levaram ao terceiro piso do Pavilhão o melhor de peças autorais de mobiliário, luminária e antiquário do Brasil.

Ao longo de cinco dias, 27 mil pessoas estiveram na Feira – número 17% maior que o de 2015. “Foi uma linda edição, com um clima positivo, excelentes seleções de obras das galerias, um público diversificado que tinha em comum o interesse pela arte”, afirma Fernanda Feitosa, diretora da SP-Arte. “A nossa 12ª edição foi marcada também por um trabalho coletivo, no qual todos os profissionais e instituições, bem como colecionadores e amantes das artes, trabalharam com o objetivo de superar as expectativas do atual momento do Brasil e ajudar o país a se reestabelecer por meio da arte.”


novidades

Uma das grandes novidades desta edição, o setor Design já tem a segunda edição confirmada para a SP-Arte/2017. “O setor Design, de agora em diante, é parte da SP-Arte e do calendário de São Paulo. Foi muito enriquecedor para a Feira ter arte em diálogo com design e arquitetura”, afirma Feitosa.

Ocupando o terceiro andar do Pavilhão, o setor apresentou uma renomada seleção de artistas, com coleções como Cangaço, assinada pelos irmãos Campana, na Firma Casa, e Verso e reverso, de Claudia Moreira Salles, e ainda peças de Lasar Segall, ambas na ETEL. Bem recebido pelo público, Zanini de Zanine lançou a edição especial Banco 15, feita em homenagem aos 15 anos de falecimento do pai do designer, Zanine Caldas, na galeria Mercado Moderno. A Marcenaria Baraúna trouxe também cadeiras Girafa e Frei Egídio, de autoria de Lina Bo Bardi, Marcelo Ferraz e Marcelo Suzuki, que foram recentemente incorporadas à coleção do MoMA (Museu de Arte Moderna), de Nova York.

Outra novidade desta edição, os Gallery Nights, promoveram um roteiro de aberturas e visitas guiadas em galerias da Vila Madalena e dos Jardins. O evento abriu a semana da SP-Arte e espalhou a Feira por São Paulo. A segunda edição da programação está confirmada para ocorrer em setembro durante abertura da 32a Bienal de São Paulo, e pretende contemplar mais bairros pela cidade. Ao total, mais de 130 eventos culturais paralelos aconteceram em toda a cidade, para festejar a semana brasileira da arte, com bastante participação do público.

Setores como o Open Plan – que nesta edição teve obras especialmente comissionadas para a Feira – e Performance mostraram sua consolidação definitiva neste ano. Pela primeira vez, as ações performáticas foram escolhidas através de uma seleção pública de quase 100 projetos enviados, por um júri formado por Cauê Alves, coordenador do curso de Artes Visuais da Belas Artes, e Solange Farkas, curadora e diretora da Associação Cultural Videobrasil. O Solo – patrocinado pela Officine Panerai – também ficou maior. Passou de 12 galerias em 2015 para 16 nesta edição, sendo 11 delas estrangeiras. As boas vendas nessa seção da Feira reafirmam a força do espaço, que exibe mostras individuais. As galerias Sé, Portas Vilaseca e a espaivisor, por exemplo, comercializaram todos os trabalhos de seus stands.


destaques

Marcada pela forte presença da pintura moderna e contemporânea, a SP-Arte/2016 trouxe relevantes nomes do cenário artístico nacional. Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Waltercio Caldas, Tunga, Mira Schendel, Sergio Camargo, Raymundo Colares, Adriana Varejão e Beatriz Milhazes entre outros nomes tiveram importantes obras expostas na Feira.

Festejados artistas internacionais também circularam pelo Pavilhão. A galerias italianas Cardi e Continua apresentaram os espelhos de Michelangelo Pistoletto e obras de Jannis Kounellis, dois dos maiores nomes da arte povera, movimento modernista italiano dos anos 1960 e 1970, além de tela de Lucio Fontana. Na galeria norte-americana David Zwirner, que teve excelente desempenho na Feira, os destaques ficaram por conta das pinturas de Giorgio Morandi e Yayoi Kusama e da jovem revelação Oscar Murillo, revelado na última Bienal de Veneza. Na londrina Stephen Friedman, David Shrigley e suas obras bem humoradas foi um dos notórios artistas, tendo quase todas as obras vendidas.

As obras do fotógrafo inglês Martin Parr, considerado o maior nome da fotografia contemporânea, extrapolaram o formato bidimensional e chamaram atenção do público com cadeiras de praia, onde suas imagens foram estampadas.

Homenageada na Feira, a editora Cosac Naify realizou quatro lançamentos durante o evento, dos artistas Anna Maria Maiolino, Daniel Senise, Elizabeth Jobim e Marcius Galan. Pela Cobogó, o fotógrafo Luiz Braga lançou em livro uma seleção de imagens feitas ao longo de sua carreira.

No ano de seu centenário, Di Cavalcanti voltou à bibliografia da arte brasileira durante a SP-Arte com o lançamento do livro Di Cavalcanti – Conquistador de lirismos, da Editora Capivara. Destaque também para o livro sobre o mobiliário moderno brasileiro, Desenho da utopia, de Ruy Teixeira, da Editora Olhares, que foi lançado na Feira.


presença internacional

O programa profissional da SP-Arte/2016 trouxe mais de 150 colecionadores internacionais, interessados em conhecer mais sobre a arte brasileira, que vive um momento de profunda internacionalização. O casal Maxine e Stuart Frankel, dos Estados Unidos, lotou o auditório do MAM, em 7 de abril, falando sobre sua coleção no ciclo Talks, que tinha como tema o colecionismo na América. A Feira recebeu também vários colecionadores de Los Angeles, como Betty e Brack Duker, Arthur e Dahlia Bilger e Marc Lee, outros do México, Chile, Alemanha, e Bélgica. Helen Molesworth, curadora chefe do MOCA, de Los Angeles; Kimberli Meyer, diretora do MAK Center for Art and Architecture, de Los Angeles; Alfredo Cramerotti, diretor do MOSTYN, de Wales, Inglaterra; a colecionadora e fundadora da Cisneros Fontanals Art Foundation – CIFO, Ella Fontanals-Cisneros, de Miami; Franklin Sirmans, diretor do Pérez Art Museum Miami (EUA), e ainda Mari Carmen Ramírez, a curadora do departamento de arte latino-americana no Museum of Fine Arts de Houston e diretora do ICAA – International Center for the Arts of the Americas, ambos palestrantes do Talks.