A décima primeira edição da SP-Arte, que aconteceu de 9 a 12 de abril, no Pavilhão da Bienal, contou com a participação de 140 galerias, que integram a elite do mercado nacional e internacional de arte. Com um público de cerca de 23 mil pessoas a SP-Arte se afirma como a principal feira de arte do Hemisfério Sul. “Considerando o cenário atual do país, a Feira superou as expectativas em todas as dimensões. A qualidade das obras mostradas tanto pelas galerias nacionais quanto pelas estrangeiras foi excepcionalmente boa, na avaliação unânime do público visitante e do público profissional presente no evento”, afirma Fernanda Feitosa, diretora da feira.


novidades

Ocupando pela primeira vez os três andares do Pavilhão da Bienal, a Feira trouxe ao público dois novos setores curados.

Open Plan, dedicado a instalações, teve 19 obras expostas, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti. Entre as obras que voltaram ao Pavilhão estão a Residência – escada (2010/2015) de Rochelle Costi (Luciana Brito Galeria / Celma Albuquerque / Anita Schwartz Galeria de Arte), apresentada na 30ª Bienal, em 2012, e a obra How to construct an orange?, de Attila Csörgó (Gregor Podnar Galerija), apresentada na 22ª Bienal, em 1994.

Obras inéditas também ocuparam o espaço. A Galerie Barbara Thumm levou uma individual de Diango Hernández, com as obras Orange Curtain e Flavor Orbit, ambas de 2014; a Galleria Continua trouxe A Cabana explodida, obra in situ, Homenagem a Oscar Niemeyer, Daniel Buren, abril 2015, São Paulo feita especialmente para o Open Plan, em diálogo com a arquitetura do prédio da Bienal, de Oscar Niemeyer; e a kurimanzutto, Por si las moscas (2013), de Fernando Ortega.

Performance, que contou com doze artistas apresentando 14 performances, foi realizado em parceria com o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, sob a coordenação do professor Cauê Alves. A curadoria do setor ficou a cargo de Juliana Moraes, professora do curso de Artes Visuais da universidade, e Marcos Gallon, da Vermelho, curador da Mostra VERBO.

Realizado em parceria com a revista Arte!Brasileiros, com o tema Arte como Valor, ao longo de dois dias, o Talks levou a debate temas latentes do mundo da arte contemporânea. O que está em jogo na construção do valor de uma obra? Quais são as variáveis que influenciam tendências no mercado de arte e posicionamentos dos artistas? Como se constrói a identidade de um artista? De que maneira os conceitos das coleções têm evoluído na última década diante de mudanças de paradigmas na arte e no mundo?

O evento contou com ilustres presenças: a escritora e socióloga da arte Sarah Thornton, que lançou na feira seu livro O que é um artista? (Zahar); o casal de colecionadores Don & Mera Rubell; Thomas Galbreith, diretor de Estratégias globais da Paddle8 e Artnet, EUA; o diretor artístico do MAR (Museu de Arte do Rio), Paulo Herkenhoff, e o presidente do conselho do museu, Marcio Fainziliber; o jornalista e consultor de arte Simon Watson; Carolyn Christov-Bakargiev, curadora da Bienal de Istambul; e o curador Ivo Mesquita.


destaques

Entre os destaques da 11ª edição da Feira estão a individual de Marina Abramovic na Luciana Britto Galeria; as obras de Alfredo Volpi em galerias como a Dan, Paulo Kuczynski, Arte 57 e Almeida e Dale; o redirecionamento conceitual de Rodrigo Bivar, na Galeria Millan; as obras de Mariana Palma, na Casa Triângulo e os múltiplos da Carbono Galeria.

A Gagosian Gallery (NY) apresentou obras de grandes artistas de diferentes momentos da história da arte, como Damien Hirst e Pablo Picasso, também representado pela Van de Weghe (NY); a El Museo (Bogotá) e a Almeida e Dale trouxeram uma mostra dedicada ao artista Fernando Botero (Colômbia); e a David Zwirner (Londres) exibiu um conjunto de obras do colombiano Oscar Murillo. A Galerija Gregor Podnar (Berlim) mostrou obras desafiadoras de artistas como Attila Csörgó (também presente no Open Plan), B. Wurtz, Francisco Tropa e Irma Blank.

Participando pela primeira vez da Feira, as galerias Alexander Gray Associates (NY) trouxe aos colecionadores uma individual de Luis Camnitzer e a The Approach (Londres) teve como destaque obras de Helene Appel, Sara VanDerBeek e John Stezaker.


presença internacional

A SP-Arte chamou atenção pelo crescimento da presença estrangeira, com número recorde de 200 colecionadores internacionais vindos especialmente para participar do evento, como Don & Mera Rubell; Doris Beyersdorf, dona de coleções importantes em Paris e Genebra; a italiana Guya Bertoni; Pierre Dreyfus, pertencente a uma das famílias de banqueiros mais tradicionais da Europa, dona de uma notável coleção; o casal Christian & Karen Boros, de Berlim; o alemão Kai Loebach, colecionador de arte contemporânea em Los Angeles; os Rosens, de Dallas (EUA), que tem investido maciçamente em arte e, de Nova York, os Foggs, Fabrikants, Ellen Flamm, Barbara Mathes, e os Sosnows, que além de proprietários de grandes obras de arte estão entre os principais investidores imobiliários de NY.

Os nomes de profissionais internacionais incluíram Carolyn Christov-Bakargiev, diretora artística da dOCUMENTA(13) e criadora da mostra da 14ª Bienal de Istambul; Iria Candela, curadora do Metropolitan Museum of Art; Agustin Perez Rubio, curador do MALBA de Buenos Aires; José Roca, diretor artístico do FLORA ars+natura, de Bogotá; e Flavia Frigeri, curadora de Arte Internacional do Tate Modern, de Londres.