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22/08/2007 - Colecionadores falam sobre o processo de escolha das obras
Veículo: Circuito de Fotografia / Veiculação: Impresso
Colecionadores falam sobre o processo de escolha das obras Alair Gomes, (c. 1970/80) O diplomata Joaquim Paiva possui uma coleção com cerca de 2,5 mil fotografias, das quais 85% são de artistas nacionais. Iniciada em 1978 com a aquisição de uma obra de Miguel Rio Branco, a coleção é pautada pela diversidade. Trabalhos de forte marca autoral, em que a obra se vale de uma partícula extraída da realidade não para documentar o mundo visível, mas para ampliar a expressão pessoal do artista são os que mais instigam o colecionador. Embora o aspecto comercial da coleção não seja algo que mobilize suas escolhas, seu bom gosto o premiou com uma supervalorização: "Em 1978 comprei quatro fotos de Diane Arbus [1923- 1971] por u$ 200 e logo depois mais duas por u$ 350. Recentemente, para meu espanto, vi trabalhos dela sendo vendidos por 19 mil Euros na Europa". Uma foto da coleção: "Gosto da forma como o Alair equilibra suas composições organizando a geometria. Corpos e sombras sobre a areia branca remetem ao melhor da arte construtivista brasileira. Além disso, tem a ousadia do tema da sensualidade e do homoerotismo, um tabu para a época em que foram feitas (anos 70)". Andrea Pereira Rosângela Rennó, A última foto, 2006 Andrea Pereira e seu marido José Olympio Pereira começaram a colecionar arte moderna e concreta há 16 anos. A primeira fotografia de arte adquirida foi do artista Vik Muniz. Hoje a coleção conta com cerca de 700 obras, quase a totalidade de artistas brasileiros, sendo que uns 15% são fotografias. O perfil da coleção possibilita traçar uma trajetória tanto da fotografia brasileira como da história do Brasil. Com obras selecionadas de autores como Geraldo de Barros, Pierre Verger, Marcel Gautherot, Miguel Rio Branco, Rosângela Rennó, Lucia Koch, César Barreto e Claudia Andujar, entre outros, a coleção mergulha na cultura brasileira mesclando fotografias documentais e experimentais. "Minha escolha é pautada mais pela emoção. Quando escolho um artista acho importante ter mais de uma obra dele. Prefiro imagens não manipuladas por computador. Gosto da magia da captura de um instante", diz Andrea. Uma foto da coleção: "Temos um núcleo de fotos sobre o Rio de Janeiro. Esse trabalho da Rennó, de forma muito perspicaz, fala da morte da fotografia analógica, de memória e saudade". Miguel Chaia Dora Longo Bahia Fotografia de Risco, Maracaípe 2002 Uma foto da coleção: "Dora trabalha com o inconsciente do suporte. Ao manusear o negativo busca na escuridão interferências que complementam a ação da máquina. Esse processo cria imagens fantásticas a partir do embate entre a determinação objetiva da máquina e o "incômodo" da artista. |