Marcelo Moscheta lança livro na SP-Arte nesta sexta

12.05.2011 – 12h02

O artista plástico Marcelo Moscheta lança nesta sexta-feira, 13, no lounge Oi/Iguatemi, um livro baseado em sua biografia. Em um breve resumo, Emerson Dionisio e Ricardo Resende falam um pouco sobre a obra de Moscheta. Confira:

“A poética do quase é um bom pressuposto para compreender a trajetória de Marcelo Moscheta. A ideia de trajeto, diga-se, é inadequada para descrever o encadeamento de obras reunidas nesse livro e que pretendem apresentar parte da produção desse artista. De tão coerente e cioso com seu trabalho, Moscheta nos oferece uma poética intercambiável, que não se presta a uma leitura evolucionista. O diálogo entre as obras produzidas pra diferentes fins, espaços e eventos é tão íntimo que não deve ser detido na falsa cadeia matemática cronológica. Melhor pensar como a poética de Moscheta tem se apresentado aos olhos da cena contemporânea da arte brasileira e internacional.

Se a biografia ajuda a compreender o processo criativo de um artista, ela também pode soar como uma saída presunçosa para artistas contemporâneos que ceiam na autorreferência. A presunção está marcada pela casualidade direta, sem consciência dos desvios.

O olhar catalogador desse paulista-quase-paranaense, que, ao aludir a uma prática científica de investigação, também resvala no colecionismo: um universo aparatado, que reúne, além do desejo obsessivo, elementos como ordem, fixação e posse, aos quais estarão relacionadas as obras imediatamente posteriores e que transformam suas pesquisas em trabalhos autorreferentes, não necessariamente biográficos. Podemos procurar no pai biólogo o cientista debruçado sobre a classificação do mundo. Mas há desvios que devem ser observados nessa matemática direta: a reclassificação – o artista prefere reordenação – do mundo contém, desde aqui um ruído e uma inquietude.

O ruído surge da aproximação do outro. Pai, avô, família, ciência…o mundo. Não se trata de um espelhamento ou um tributo, mas de uma aproximação que gera distância. Um outro que instiga e forma, mas do qual não se toma posse.

Marcelo Moscheta produziu, nos últimos dez anos, uma obra marcada por aquilo que, atrevida e anacronicamente, podemos denominar como “estilo próprio”. Suas criações conquistaram espaço em pequenas e grandes coleções.

Nessa rica trajetória, que tem por questões-chave paisagem, tempo, apropriação, espaço, memória e história.

Um ponto importante da personalidade das obras de Marcelo Moscheta é a de que elas gostam mais do silêncio do ateliê que do burburinho das galerias. Paciência: ainda há muita coisa a ser descoberta, pelo artista e por nós, seus observadores, curiosos e fascinados”.

(Emerson Dionisio)

“O que Marcelo Moscheta nos propõe é ver o mundo segundo a ideia de classificação que vige em sua bela obra. Mais: que essa obra funcione como um prisma em paralaxe; que cada leitura de seus trabalhos se dê a partir de um novo ponto de observação; e que, através, sim, da beleza de uma obra, deixemos de ter uma única forma de observar o mundo.

Fundamentada ao longo de dez anos, sua carreira teve no início, como motivação particular, referências à memória de seu avô, imigrante italiano que veio para o Brasil no início do século XX, e também de seu pai, “um misto de biólogo e botânico”, na descrição do próprio artista.

Por mais que ele tenha “enterrado” figurativamente seus antepassados, com o desejo expresso de rompimento com o passado, as viagens, as expedições, as cartografias, o geografia, os mares, as geleiras, as montanhas e os passeios pelo campo são elementos compositivos de sua obra e estão intimamente relacionados às lembranças afetivas que sempre o acompanharão.

O artista conta que a construção desse processo poético iniciou-se na tentativa de recriar espacialmente os lugares vividos por seu avô italiano (que ele nunca chegou a conhecer) na região de Vêneto, tomando como ponto de partida as imagens dos cartões-postais e fragmentos diversos, tais como fotografias e anotações pessoais, que chegaram a suas mãos- a fotografia, aliás, se faria presente em praticamente toda a sua produção”.

(Ricardo Resende)